Copa do Mundo 2026

Por que a temida Espanha ainda não apareceu na Copa do Mundo

Mesmo classificada em primeiro no grupo H do Mundial, seleção espanhol decepciona e não mostra mesmo futebol da Eurocopa 2024

A Espanha cumpriu a primeira missão na Copa do Mundo, mas ainda não convenceu. A vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai, nesta sexta-feira (26), em Guadalajara, garantiu a liderança do Grupo H e a classificação para os 16 avos de final com sete pontos. O desempenho, porém, reforçou uma impressão que acompanha La Roja desde o início do torneio: o favoritismo permanece mais na teoria do que no futebol apresentado.

As críticas surgiram logo na estreia, quando a equipe de Luis de la Fuente esbarrou em Cabo Verde e ficou no empate sem gols. A resposta veio de forma contundente na rodada seguinte, com a goleada por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita, resultado que parecia indicar o início da engrenagem espanhola. Contra o Uruguai, entretanto, o cenário voltou a ser de dificuldades.

  
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Pressionada por um adversário que precisava vencer para seguir vivo, a Espanha encontrou um jogo físico, intenso e de constantes interrupções. Longe da circulação de bola que costuma caracterizar sua identidade, criou pouco: foram apenas seis finalizações, somente uma na direção do gol.

Ainda assim, encontrou uma virtude importante para quem sonha alto em mata-matas: soube vencer sem controlar o jogo do início ao fim.

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Lamine Yamal em jogo da seleção espanhola (Foto: IMAGO / Xinhua)

Espanha ainda busca recuperar sua melhor versão

Luis de la Fuente fez questão de destacar justamente esse aspecto após a partida. Para o treinador, a seleção mostrou que consegue se adaptar a um contexto completamente diferente daquele que normalmente procura impor.

— Foi uma partida que nos testou mais uma vez. Tivemos que jogar uma partida com esse nível de intensidade, com esse nível de dificuldade futebolística e estilo exigente, e a equipe sempre responde. Soubemos jogar um tipo diferente de jogo — avaliou.

O técnico também reconheceu que o confronto impediu a Espanha de desenvolver seu futebol habitual. “Era muito difícil encaixar três ou quatro passes seguidos por causa da pressão sufocante. Quando conseguíamos combinar passes, havia faltas, interrupções, e isso quebrava o ritmo do jogo. Entendemos muito bem as necessidades da partida. Sofremos bastante na defesa, e aquele gol foi suficiente para vencer.”

Se ofensivamente ainda falta continuidade para transformar o talento do elenco em atuações dominantes, o sistema defensivo oferece um contraponto animador. Pela primeira vez, a Espanha encerrou a fase de grupos de uma Copa do Mundo sem sofrer um único gol. É um dado que evidencia solidez, mas não elimina as dúvidas sobre o desempenho coletivo.

A Espanha avança invicta e na liderança de sua chave. Ainda está longe de exibir o futebol capaz de intimidar os principais candidatos ao título, mas também mostrou, diante do Uruguai, que sabe sobreviver quando o roteiro exige menos brilho e mais competitividade. Em torneios de mata-mata, essa pode ser uma qualidade tão valiosa quanto o espetáculo.

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O que explica início devagar da seleção espanhola na Copa do Mundo

Antes da Copa começar, a Espanha figurava como a principal favorita ao título, junto da França, por conta do ciclo sólido com De la Fuente, marcado pelos títulos da Eurocopa e da Nations League (que também foi vice). Aquele time dominante e agressivo, principal visto na Euro 2024, porém, só apareceu no primeiro tempo contra a Arábia Saudita. No restante, não se viu.

Marc Cucurella em Espanha x Uruguai
Marc Cucurella em Espanha x Uruguai (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

A maior razão, que já era dúvida antes da competição começar, parece ser física. Essa seleção espanhola se diferenciou das que fracassaram em Euros e Mundiais anteriores pela agressividade, velocidade e capacidade de drible de Nico Williams e Lamine Yamal. Os dois chegaram lesionados à Copa.

O jovem do Athletic Bilbao sequer fez um jogo como titular e só tem 52 minutos em campo após três partidas. A joia do Barcelona, depois de não começar na estreia, voltou à equipe para a segunda rodada. Mas, apesar do gol contra os sauditas, ainda não tem conseguido vencer tantos duelos como antes.

Contra o Uruguai, Yamal perdeu 10 de 17 disputas pelo chão e acertou só cinco de 12 dribles tentados, segundo dados do “SofaScore”. Em certo momento na etapa final, pareceu sentir o cansaço e desistiu de uma jogada.

Sem a agressividade da dupla, a Espanha volta a ser aquele time moroso, que roda a bola em “U”, de um lado para o outro, sem conseguir infiltrar na defesa adversária. É um problema coletivo, de movimentação dos jogadores que estão sem a posse para se colocar em condições, mas também individual pelo momento de seus meio-campistas.

Rodri, por exemplo, outro nome que chegou com questões físicas para o Mundial, parece lento e sem capacidade de dominar para fazer a Fúria progredir em campo. Quando passa a bola, é normalmente para os lados, sem a ousadia para tentar um passe por dentro para quebrar as linhas adversárias.

O volante do Manchester City também acabou como um dos responsáveis pelo caos que foi o segundo tempo contra o Uruguai, pouco controlado e lá e cá, um jogo que a Espanha nunca pode permitir por seu perfil de jogo.

Mais um que está mal na Copa é Pedri. O meia foi substituído nesta sexta após apenas uma hora em campo e tem jogado mais avançado do que o comparado ao que faz no Barcelona e tem participado pouco da construção ofensiva, o que também é responsabilidade do treinador espanhol.

Mapa de calor de Pedri à esquerda na Copa do Mundo pela Espanha na Copa do Mundo e à direita pelo Barcelona em LaLiga
Mapa de calor de Pedri à esquerda na Copa do Mundo pela Espanha na Copa do Mundo e à direita pelo Barcelona em LaLiga (Foto: SofaScore)

O terceiro componente do meio-campo, Fabián Ruiz no primeiro jogo, Dani Olmo no segundo e Mikel Merino no último, é outra dúvida que impacta o setor que mais ilustra o jogo espanhol. Ter essa questão para o mata-mata mostra a irregularidade do setor.

A Espanha precisa de mais no mata-mata. Ainda mais se a adversária for a agressiva e intensa Áustria de Ralf Rangnick, que precisa de um empate para confirmar sua posição neste sábado (27). Em uma possível oitavas de final, há a chance de ser Portugal, Colômbia, Croácia ou até a Inglaterra, o que mostra que a trajetória da Fúria promete desafios e necessita de evolução para esses embates.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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