‘É sua primeira Copa’: Como Mbappé confrontou presidente da Federação e saiu vencedor
Jornal francês detalha negociação conduzida pelo astro do Real Madrid e capitão da seleção, que contestou posição polêmica do cartola
A preparação da França para a Copa do Mundo 2026 foi marcada por um episódio de tensão longe das quatro linhas. Em reportagem publicada nesta segunda-feira (20), o jornal “L’Équipe” revelou detalhes das negociações entre o elenco e a Federação Francesa de Futebol (FFF) sobre o pagamento de bônus durante o Mundial.
No centro das conversas esteve Kylian Mbappé, que confrontou diretamente o presidente da entidade, Philippe Diallo, ao contestar mudanças propostas pela direção poucos dias antes da viagem aos Estados Unidos.
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Segundo o periódico, Diallo pretendia alterar o modelo de premiações adotado anteriormente. A ideia era pagar bônus aos jogadores apenas em caso de classificação às semifinais da Copa do Mundo, deixando de contemplar campanhas encerradas nas oitavas ou nas quartas de final.
A proposta desagradou parte do grupo e levou a uma negociação entre dirigentes e atletas mais experientes da seleção. E foi durante essa reunião que Mbappé rebateu a posição do mandatário.
— Presidente, é sua primeira Copa do Mundo, a minha terceira. Você acha que uma oitavas de final ou uma quartas não têm valor?
A frase, reproduzida pelo “L’Équipe”, sintetizou o posicionamento do capitão francês durante as conversas. Ao fim das negociações, a Federação acabou cedendo em parte das reivindicações apresentadas pelo elenco.
Como foram as negociações entre o elenco da França e o presidente da FFF?
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A reunião ocorreu em 2 de junho, em Clairefontaine, centro de treinamentos da seleção francesa. O encontro entre Diallo e os jogadores mais experientes estava previsto para o início da tarde, mas sofreu atraso porque o almoço da delegação com o presidente Emmanuel Macron se prolongou além do horário previsto.
Quando a conversa finalmente começou, o presidente da Federação apresentou a proposta de alterar os critérios para pagamento das premiações. Além da mudança nos bônus, os jogadores foram informados de que cada atleta teria direito inicialmente a apenas dois ingressos por partida para familiares.
As medidas provocaram insatisfação dentro do grupo. Foi nesse contexto que Mbappé contestou diretamente Diallo, utilizando sua experiência em três edições de Copa do Mundo para questionar a retirada das premiações destinadas a campanhas encerradas antes das semifinais.
As negociações continuaram nos dias seguintes e, segundo o jornal francês, foram concluídas durante o voo da delegação para Boston, em 10 de junho. O desfecho foi favorável aos jogadores em boa parte das reivindicações.
A política de bônus permaneceu nos moldes defendidos pelo elenco. Já em relação aos ingressos, Mbappé havia solicitado oito entradas por atleta para familiares, mas a solução encontrada foi intermediária: cada jogador passou a ter direito a seis bilhetes por partida.
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Viagem de dirigentes aumentou desconforto entre jogadores
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A reportagem também relatou outro episódio que contribuiu para o desgaste entre elenco e Federação durante a competição. Antes da partida contra a Noruega, pela terceira rodada da fase de grupos — vitória francesa por 4 a 1, em 26 de junho —, a FFF organizou uma viagem para integrantes de seu Comitê Executivo. 13 dirigentes e quatro funcionários viajaram de Paris para Boston em classe executiva, em um voo regular cujo custo total ficou próximo de 120 mil euros.
A decisão teria gerado questionamentos entre jogadores e pessoas próximas à delegação. Havia lugares disponíveis na aeronave que poderiam ter sido utilizados por familiares dos atletas, situação que chamou atenção justamente após as discussões sobre a limitação de ingressos e benefícios.
O incômodo não terminou na viagem. Ainda conforme a publicação, dirigentes e familiares foram acomodados em ambientes diferentes durante o jantar realizado na noite da partida contra a Noruega. Os integrantes do Comitê Executivo permaneceram em uma sala separada, com um serviço distinto daquele oferecido aos acompanhantes dos jogadores. Como resumiu o “L’Équipe”, eram “duas salas, dois cardápios”.
O contexto aumentou a incompreensão de parte do elenco em relação ao discurso adotado pela Federação. Antes da Copa, Diallo havia defendido a redução dos bônus alegando que os custos da competição seriam elevados e que a entidade poderia registrar prejuízo financeiro durante o Mundial.
Os jogadores, por outro lado, mantiveram o entendimento de que a seleção gera receitas importantes para a Federação e não compreenderam a necessidade de rever o modelo de premiações adotado em torneios anteriores.
A França foi eliminada pela Espanha, em Dallas, na fase de semifinal da Copa e acabou na quarta colocação do torneio. Em atuação irregular, os comandados de Didier Deschamps foram presa fácil para a Fúria, que venceu por 2 a 0 e carimbou vaga na grande decisão — venceu a Argentina no último domingo (19) e se sagrou bicampeã do mundo.