Copa do Mundo 2026

Os recados que a França da decisão do terceiro lugar consolidam ao novo técnico Zidane

Seleção francesa termina campanha positiva no Mundial com gosto amargo

Em um jogo típico de disputa de terceiro lugar de Copa do Mundo, Inglaterra e França entregaram um 6 a 4 agitado a favor do English Team neste sábado (18). Mesmo sendo uma partida que, em tese, não vale nada, serviu para consolidar alguns recados para o próximo técnico dos Bleus, que só falta oficializar que será Zinedine Zidane.

A despedida de Didier Deschamps acabou amarga e expôs um time pouco mobilizado, em especial no primeiro tempo, finalizado em 4 a 0 para o lado inglês. Até o que deixou de negativo pode ter alguma utilidade ao novo comandante da França, que, segundo o jornal “L’Équipe”, deve começar os trabalhos em 1º de setembro.

Cherki sai menor na seleção francesa; outros reservas também decepcionam

Antes da Copa iniciar, a escalação da França tinha uma dúvida no ataque pela grave lesão de Hugo Ekitiké, dono da ponta esquerda. Rayan Cherki, pela boa temporada no Manchester City, era um candidato a ganhar uma posição junto de Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise.

No fim, só Désiré Doué e Bradley Barcola tiveram oportunidades como titulares nessa vaga. O meia dos Citizens, que irritou a comissão técnica por dizer que a França “esmagaria todos” na Copa antes do início do torneio, só foi titular na disputa do terceiro lugar. Entrou como reserva, nos minutos finais, em seis partidas e nem ganhou uma chance nas quartas de final, contra Marrocos.

Cherki em jogo da França
Cherki em jogo da França (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Em todas as vezes que entrou, nem fez menção de colocar uma dúvida em Deschamps. Pouco intenso, displicente, desconcentrado e em seu próprio mundo. Como já ocorreu na Inglaterra e gerou “amor e ódio” de Pep Guardiola.

O auge veio na partida com a Inglaterra, quando até deixou seu técnico falando sozinho ao ouvir uma reclamação.

É algo para Zidane se atentar. Qualidade não falta para Cherki, um dos mais talentosos da geração atual. O que precisa ser sanado é o descompromisso em alguns momentos dos jogos.

O camisa 26 não foi o único reserva a decepcionar. Theo Hernández, que até entrou bem na semifinal contra a Espanha, exibiu descompromisso com a marcação em algumas oportunidades, assim como Doué. Malo Gusto sofreu com a velocidade inglesa.

Nós entramos de maneira bastante vergonhosa, eu diria, no primeiro tempo. Eu vi comportamentos de alguns jogadores que eu nunca tinha visto até aqui. […] Nós não podemos nos contentar em fazer as coisas de qualquer jeito assim — criticou o meio-campista Adrien Rabiot à “BeIN Sports France”.

- - Continua após o recado - -

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Dinâmica Mbappé, Dembélé e Olise precisa continuar

Uma das coisas positivas que surgiram após as trocas no intervalo foi a consolidação do incrível entrosamento no trio de ataque.

Olise, voltando a ser meia central depois de ter começado como ponta direita, Mbappé, em função de centroavante associativo, e Dembélé, aberto na direita para potencializar o de drible e a imprevisibilidade pela ambidestria, brilharam com uma jogada genial.

Aos 20 do segundo tempo, Dembélé acionou Olise, que deu um corta-luz e logo deu opção para tabelar com Mbappé. O camisa 10 dominou e bateu de canhota para chegar ao 10º gol nesta Copa, 22 no total, isolado como o maior artilheiro da história dos Mundiais, mesmo com apenas 27 anos.

Olise ainda deu a assistência para o outro gol do centroavante e superou Pelé (seis) como o maior assistente em uma só edição de Copa (sete). Dembélé, em bonito chute colocado, também guardou o seu.

O novo técnico, definitivamente, já sabe quem será a base de sua estrutura ofensiva, pelo menos para o ciclo até a Eurocopa de 2028.

Upamecano é chave para a liberdade dos atacantes

Outra substituição que transformou o astral francês na partida foi a de Dayot Upamecano na vaga de Ibrahima Konaté. O defensor, considerado por muitos o melhor de toda a Copa, mostrou como sua presença potencializa até os homens de frente.

Em um desarme em Ollie Watkins no meio-campo, o zagueiro do Bayern de Munique carregou até a intermediária e serviu Olise antes do gol de Mbappé. No tento de Dembélé, antecipou um passe inglês e tocou em profundidade para o atacante marcar.

É um zagueiro rápido que, além dos desarmes e das antecipações, é capaz de cobrir longos espaços nas costas da defesa francesa, algo natural para um time com tanto talento e que naturalmente dá mais espaços. A defesa dos Bleus é Upamecano mais três.

Zidane tem sua estreia no comando da seleção da França em 25 de setembro, quando visita a Turquia pela Nations League. Na mesma Data Fifa, ampliada até o começo de outubro, enfrenta Bélgica, Itália e novamente os belgas.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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