França e Zidane pode ser o casamento perfeito para potencializar o melhor dos Bleus
Técnico ex-Real Madrid tem tudo para suceder Didier Deschamps na seleção francesa após a Copa do Mundo de 2026
Parece que, finalmente, Zinedine Zidane será o técnico da seleção francesa. A especulação circula há anos, com supostamente o ex-jogador não assumindo nenhum clube à espera do convite de seu país, enquanto Les Bleus, mesmo campeões do mundo em 2018 e vices em 2022, dificilmente empolgavam sob comando de Didier Deschamps.
Segundo diferentes relatos da mídia europeia, já haveria um acordo entre o ex-Real Madrid e a federação local para que ele assuma o selecionado após a Copa do Mundo, disputada entre junho e julho deste ano nos Estados Unidos, México e Canadá.
Zidane teve apenas dois trabalhos profissionais como treinador, ambos no Real Madrid, durante as passagens de 2016 a 2018 e de 2019 a 2021. A Trivela analisa como esses dois períodos do comandante de 53 anos mostram como ele pode tirar o melhor da seleção da França.

Zidane era além de gestor de elenco no Real Madrid
Les Bleus com Deschamps, mesmo muito competitivos e com uma retomada do protagonismo da seleção francesa desde 2012, tiveram raros momentos de um futebol realmente à altura do talento disponível e a sensação é de que o time pode mais. Para o Mundial de 2026, o sentimento é o mesmo.
A geração atual, em especial com as opções ofensivas de Kylian Mbappé, Michael Olise, Ousmane Dembélé, Rayan Cherki, Hugo Ekitiké, Marcus Thuram, Bradley Barcola e outros, traz a necessidade de fazer uma equipe propositiva e que tire o melhor desses jogadores. Mesmo que, em um esquema sustentável, apenas quatro deles possam ser titulares.
Na trajetória do tricampeonato da Champions League entre 2016 e 2018, Zidane se destacou por entender as características de seus atletas e escalá-los da melhor forma, aproveitando-se de um legado essencial de José Mourinho e Carlo Ancelotti.
Apesar de muita gente falar que o francês “só” é um gestor de elenco, como o próprio ex-comandado Gareth Bale, ele tinha méritos táticos.
— Ele não fazia muita tática. […] Quando íamos enfrentar Barcelona ou Bayern, fazia um pouco de táticas, mas o resto era mínimo. Era só treino normal, jogos de posse de bola, finalizações e então você ia embora. Nos jogos grandes, fazíamos 15 minutos de táticas defensivas e era isso. O principal era o respeito que ele tinha por causa do que ele foi como jogador. As pessoas respeitavam isso e trabalhavam duro — assumiu o galês ao podcast “Overlap” no último mês.
A estrutura de 4-3-3, característica dos técnicos anteriores, foi mantida nas duas primeiras temporadas de Zidane.
A ideia era aproveitar dois laterais ótimos na subida dos corredores, Marcelo e Daniel Carvajal, para que Cristiano Ronaldo e Gareth Bale, os pontas, tivessem liberdade para flutuar para dentro e pudessem estar mais perto do gol. Os alas costumavam também usar muitos cruzamentos para utilizar o poder aéreo de CR7 e Karim Benzema.

O meio-campo também foi outra área impactada pelo técnico francês com a promoção de Casemiro para ser o camisa 5 titular, dando equilíbrio ao time e liberdade para que Toni Kroos e Luka Modric pudessem participar mais do jogo com bola.
Com a posse, era uma equipe muito associativa. Não era raro encontrar quatro, cinco e até seis jogadores do mesmo lado da bola para ter muitas opções de passe e avançar no campo.
Isso foi ainda mais potencializado na temporada 2017/18, quando, com as lesões de Bale, Isco passou a ser titular e a formação mudou para um 4-3-1-2 com um losango no meio. A partir dessa troca, Cristiano foi oficialmente promovido a dupla de ataque de Benzema e tinha ainda menos obrigações defensivas.
Na segunda passagem, sem Cristiano e vendo outros pilares envelhecidos, o francês fez parte de uma necessária reformulação com nomes como Vinicius Júnior, Fede Valverde, Éder Militão, Rodrygo e outros. Taticamente, mostrou repertório, mudando de esquemas, arriscando até uma linha de três zagueiros.
No período, venceu sua segunda LaLiga novamente tendo o trio de meio-campo como um pilar, dessa vez dando liberdade para Casemiro subir ao ataque e compensar a maior idade dos colegas de meio, Benzema se tornando o verdadeiro protagonista e Kroos como pilar na saída de bola como um “lateral-esquerdo”.
Esse legado foi aproveitado por Ancelotti, que substituiu o francês para 2021/22 e venceu a Champions de cara.
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Como a França se aproveitaria disso

Um jogador como Mbappé, pilar da seleção francesa, necessita de um esquema especial para que ele seja potencializado. Mesmo sendo centroavante, o jogador do Real Madrid gosta de cair pela ponta esquerda, o que obriga compensações por dentro e de uma boa química com o atacante daquele lado. Quase como Cristiano, que Zidane ajudou a ser melhor do mundo três vezes.
Inclusive, se replicar o que fazia com CR7, Kylian até poderia ser o ponta e atuar com outro camisa 9, como Thuram, Ekitiké ou Dembélé (esse, falso nove), mas recompondo como atacante por dentro em um 4-4-2.
A França, como o Real Madrid tricampeão europeu de Zidane, tem tudo para ter uma estrutura no momento ofensivo de 4-3-3 pela qualidade de jogadores de lado de campo, laterais com capacidade de atacar em profundidade (Lucas Digne e Theo Hernández na esquerda, Julés Koundé e Malo Gusto na direita) e meio-campistas fortes fisicamente, como Aurelien Tchouaméni, que foi o substituto de Casemiro no Real, Eduardo Camavinga e Adrien Rabiot.
Falta, como ocorre no próprio time merengue neste momento, um jogador parecido com Kroos. Zinedine terá que ser criativo para encontrar o equilíbrio do time e alguém que possa ter um passador influente como era o alemão.
Tudo isso, no momento, é só um exercício de futurologia. Se realmente assumir a seleção francesa, Zidane terá seus primeiros jogos pela Liga das Nações na Data Fifa de setembro, agora reestruturada, com duração de 16 dias e que vai até outubro.



