Copa do Mundo 2026

Terceiro lugar expõe duas decisões de Tuchel que a Inglaterra ainda tenta entender

Escalação e minutagem de Declan Rice e Bukayo Saka reforçam questionamentos sobre a condução inglesa na reta final do Mundial

O terceiro lugar da Copa do Mundo ficou com a Inglaterra. Neste sábado (18), em Miami, os ingleses venceram a França por 6 a 4 em um jogo completamente descompromissado do ponto de vista tático, repleto de espaços, erros defensivos e dez gols. Depois de abrir 4 a 0 ainda no primeiro tempo, a equipe de Thomas Tuchel relaxou, permitiu a reação francesa na etapa final, mas fez o suficiente para sair com a vitória.

O resultado, no entanto, dificilmente será a principal lembrança da partida. Em um duelo que pouco alterava o legado de qualquer uma das seleções, duas escolhas de Tuchel chamaram mais atenção do que o próprio placar. Declan Rice permaneceu em campo durante os 90 minutos, enquanto Bukayo Saka, até então tratado como um jogador de utilização controlada durante o torneio, também atuou do início ao fim e respondeu com um hat-trick.

As decisões contrastam diretamente com o que o treinador fez na semifinal diante da Argentina e tornam ainda mais difíceis de compreender alguns dos movimentos que custaram à Inglaterra a chance de disputar o título.

Rice joga 90 minutos quando já não havia mais nada em jogo para a Inglaterra

Rice celebra gol pela Inglaterra
Rice celebra gol pela Inglaterra (Foto: Jose Breton / ZUMA Press Wire / Icon Sport)

Uma sequência de substituições desastrosas na semifinal contra a Argentina certamente perseguirá Thomas Tuchel por muito tempo. Aos 81 minutos, com a Inglaterra vencendo por 1 a 0, o treinador decidiu sacar Declan Rice.

Não foi somente uma troca de peças. Foi a retirada do principal sustentáculo do meio-campo inglês, justamente quando a equipe precisava continuar respirando com a bola.

Antes, o alemão havia promovido outras alterações igualmente conservadoras. A Inglaterra recuou suas linhas, praticamente abriu mão de atacar e passou a sobreviver apenas defendendo a própria área.

A Argentina percebeu rapidamente a mudança de postura. Cresceu emocionalmente na partida, passou a empilhar ataques e encontrou a virada nos minutos finais, eliminando uma seleção inglesa que parecia ter o controle da classificação.

Era de se imaginar, portanto, que Tuchel preservasse Rice na disputa pelo terceiro lugar. Afinal, tratava-se de um jogo sem impacto esportivo relevante, poucos dias depois de um desgaste físico e emocional enorme. Mas aconteceu justamente o contrário. O volante, autor do primeiro gol dos Três Leões, permaneceu em campo durante os 90 minutos em Miami.

O contraste é inevitável. No jogo que valia uma vaga na final, Rice deixou o gramado antes da hora, quando sua presença era fundamental. No jogo que praticamente não mudava o destino da campanha inglesa, ficou até o apito final.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Saka ganha 90 minutos apenas quando a Copa já estava decidida

Saka celebra gol pela seleção inglesa
Saka celebra gol pela seleção inglesa (Foto: Icon Sport / PA Images)

A situação de Bukayo Saka também levanta questionamentos difíceis de responder. Poucos jogadores ingleses aproveitaram tão bem os minutos recebidos quanto o atacante do Arsenal. Sempre que saiu do banco durante a Copa, conseguiu acelerar o jogo, atacar espaços e oferecer um repertório diferente ao setor ofensivo. Ainda assim, virou mais uma alternativa do que uma certeza para Thomas Tuchel.

Saka começou apenas três das sete partidas da Inglaterra no Mundial. Mesmo quando aparecia entre os titulares, raramente permanecia em campo até o fim. As substituições precoces passaram a ser uma constante durante o torneio.

Na semifinal diante da Argentina, porém, a gestão atingiu seu ponto mais controverso. No jogo mais importante da Inglaterra desde a conquista da Copa do Mundo de 1966, o ponta do Arsenal sequer saiu do banco de reservas. A equipe perdeu profundidade, velocidade e capacidade de atacar pelos lados justamente quando precisava de alternativas para aliviar a pressão argentina.

Muitos atribuíram essa administração ao histórico físico do atacante. Afinal, Saka conviveu com três lesões durante a última temporada e parecia natural imaginar um controle maior de sua minutagem. Só que a atuação diante da França desmonta boa parte dessa justificativa.

Pela primeira vez em toda a Copa, Tuchel deixou Saka em campo durante os 90 minutos. E justamente na partida de menor relevância da campanha inglesa. O atacante respondeu da melhor maneira possível: marcou três gols, foi o principal nome do setor ofensivo e participou diretamente da vitória por 6 a 4.

O desempenho amplia uma pergunta que provavelmente acompanhará o treinador pelos próximos meses. Se Saka tinha condições físicas para disputar um jogo inteiro, por que essa confiança apareceu apenas quando já não existia mais a possibilidade de lutar pelo título mundial?

Nenhuma resposta mudará o desfecho da campanha inglesa. A vitória sobre a França serve para garantir um lugar no pódio e encerrar o Mundial com uma imagem menos amarga. Mas, ironicamente, um jogo que quase ninguém queria disputar acabou lançando ainda mais luz sobre decisões tomadas quando realmente importava.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo