Copa do Mundo 2026

Tim Vickery: ‘A Espanha campeã desenvolveu seu futebol baseado no que tem de melhor’

Colunista da Trivela analisa projeto de La Furia que terminou com bi da Copa do Mundo sobre Argentina de Lionel Messi

Na decisão da maior Copa do Mundo de todos os tempos, a Espanha bateu a Argentina por 1 a 0, na prorrogação. Mesmo com o brilho individual de Lionel Messi na campanha finalista de Lionel Scaloni, quem se sobressaiu foi o jogo coletivo de Luis de la Fuente. E para o colunista da Trivela Tim Vickery, o título serviu para consolidar o projeto das últimas décadas de La Furia.

Durante a última edição do programa “Copa em Contexto”, da Trivela, exibido nesta segunda-feira (20), no YouTube, o jornalista inglês analisou o domínio avassalador dos espanhóis, que não permitiram os argentinos finalizarem a gol até a prorrogação graças ao controle de bola absoluto e à qualidade nos toques curtos.

— A Espanha não é uma grande potência econômica, é uma ideia de jogo, uma cultura futebolística que, nos últimos 30 anos, fez progressos sensacionais. Não dá para chamar esse time de Fúria, esse time é o anti-Fúria. É o cérebro, um time frio, que às vezes tem dificuldade em traduzir posse de bola e domínio em gols, mas é uma ideia coletiva muito forte. — começou Vickery.

Espanha criou identidade própria com o que tinha de melhor à disposição

O colunista da Trivela ressaltou a visão do futebol espanhol olhar para si no início do século XXI e responder duas perguntas cruciais: “quem somos?” e “qual o tipo de jogador a gente tem e que dá para aproveitar?”. A resposta teve partipação especial de Johan Cruyff, que moldou a identidade do Barcelona e da seleção.

— É realmente impressionante como a Espanha criou uma cultura futebolística, com uma peça chave neerlandesa: a influência de Johan Cruyff no Barcelona, que é (a síntese) do que a seleção vem fazendo nos últimos anos — continuou Tim Vickery.

Johan Cruyff Barcelona
Johan Cruyff pelo Barcelona em 1978. (Foto: Imago/Colorsport)

A máxima de Cruyff era simples: “se você tem a bola, o rival não pode te marcar”. Essa premissa moldou a formação dos jogadores em La Masia, priorizando meio-campistas de toques curtos, e inspirou a filosofia de Pep Guardiola, que transformou o tiki-taka de seu Barça em uma cultura da seleção nacional.

— Normalmente os times não são muito físicos, mas tem meio-campistas com entendimento do jogo — resumiu o jornalista.

Nomes como Luis Aragonés, Vicente del Bosque e Luis Enrique deram sequência a esse modelo em La Furia, que também foi seguido desde as seleções juniores. De la Fuente, que assumiu o sub-19 da Espanha em 2013 e construiu sua carreira subindo nas categorias de base até o time principal, em 2022, manteve a fórmula do sucesso.

A Espanha, um país de línguas e características diferentes, soube unir sua diversidade ao redor de um propósito coletivo, abraçado pelos demais clubes. Não à toa, a seleção ergueu três taças da Eurocopa (2008, 2012 e 2024) e duas do Mundial (2010 e 2026) com gerações talentosas, sobretudo no setor intermediário.

Rodri foi eleito melhor jogador da Copa do Mundo após título da Espanha (Foto: William Volcov/Brazil Photo Press/Imago Sports)

— A Espanha, capaz de produzir tantos meio-campistas de toques e leitura de jogo, acabou baseando sua identidade ao redor desse perfil. É o triunfo de uma ideia, e isso é digno de elogios — concluiu Vickery.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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