Luis De la Fuente: A ascensão do mentor de uma geração que transformou a Espanha
Agora finalista da Copa 2026, treinador subiu degraus dentro da federação espanhola desde 2013
A seleção espanhola está na grande final da Copa do Mundo, frente à Argentina de Lionel Messi, e busca o bicampeonato mundial. A decisão do Mundial 2026 será a terceira da Espanha em diferentes competições nos últimos três anos junto com a Eurocopa de 2024 e a Liga das Nações de 2025. Todo o sucesso tem um guia: Luis de la Fuente.
O treinador ascendeu à seleção principal do país assim como toda uma geração de jogadores que o próprio treinou nas divisões de base. Ou seja, alguém que se debruçou sobre a metodologia e o modo de jogo intrínseco dos espanhóis, observando e colaborando para a evolução dos que hoje são seus comandados em uma campanha que pode adicionar mais uma estrela à camisa da “Roja”.
Mas, antes de abordar o treinador e suas premissas, convém buscar a semente e a essência de Luis de la Fuente no futebol. O atual comandante da Espanha foi um lateral-esquerdo, que passou boa parte de sua carreira como profissional no Athletic Bilbao, sendo campeão espanhol duas vezes, em 1983 e 1984. O clube de sua vida como jogador também foi o que lhe abriu as portas para iniciar a trajetória como técnico, em 2009, quando começou a treinar o time B.
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Dois anos depois, De la Fuente teve uma breve passagem pelo Alavés até ser convidado para comandar o sub-19 da seleção espanhola, em 2013. Naquela altura, a Espanha já era conhecida pela similaridade ao jogo praticado pelo Barcelona, diante de todo o sucesso de Pep Guardiola no clube.
Imerso nesse contexto há 13 anos, Luis de la Fuente bebeu da fonte de nomes históricos do futebol do país como Luis Aragonés, Vicente del Bosque, Luis Enrique e, principalmente, de Guardiola, mesmo que de forma indireta.
A uniformidade do processo de formação do jogador espanhol a partir de então teve grande influência de De la Fuente, que testemunhou a evolução de mais de uma geração de craques, inclusive a da maioria de seus convocados para esta Copa do Mundo. Após a medalha de prata nas Olímpiadas de 2020 (a seleção brasileira ficou com o ouro), o treinador provou que tinha atributos para ser sucessor de Luis Enrique.
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De la Fuente: O marco zero na seleção principal da Espanha
Mesmo com o tamanho de Luis Enrique e o reconhecimento de seu trabalho em evolução, a eliminação precoce da Espanha na Copa do Mundo de 2022, para Marrocos, nas oitavas de final, pôs fim a sua trajetória à frente da seleção. A lacuna gerou grande expectativa quanto a um substituto pesado, mas a federação já estava convicta, em uma ordem de sucessão enviesada pela hierarquia, o domínio da proposta de jogo e do contexto que a Espanha enfrentara. Logo, promoveu Luis de la Fuente.
Desde então, apesar da desconfiança inicial, o trabalho do treinador é um sucesso. Em 2024, encantou o mundo com uma Espanha propositiva e, ao mesmo tempo, divertida diante do ímpeto das jovens novidades como Lamine Yamal e Nico Williams. Assim, dominou e conquistou a Eurocopa, derrotando a Inglaterra na decisão. O ciclo se provou extremamente positivo com o passar dos anos, já que suas únicas derrotas ficaram em 2023 e no início de 2024, para a Colômbia e a Escócia. Neste embalo, a Roja chegou à Liga das Nações com largo favoritismo.
Não foi campeã, mas não foi derrotada. Apenas Portugal, de Cristiano Ronaldo e Roberto Martínez, foi capaz de frear, de certa forma, os comandados de De la Fuente, com um empate em 2 a 2 nos 120 minutos e a conquista na disputa de pênaltis. Inclusive, o vice se provou um grande aprendizado para o treinador espanhol.
Contando a semifinal, contra a França, e a decisão, contra os portugueses, a Espanha sofreu seis gols. Aquele foi um alerta para Luis de la Fuente, em uma espécie de “basta” para o excesso de impetuosidade e falta de pausas.
De um ano para cá, a seleção espanhola sofreu uma leve transformação. A fase defensiva passou a começar antes mesmo da transição do adversário. A posse passou a ser um artíficio escancarado para se proteger e a campanha até a final deste Mundial é a grande prova do sucesso de estratégia e autocrítica.
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Conexão com o campo e os jogadores da seleção espanhola
Diante de seus 13 anos dentro do organograma da seleção espanhola, Luis de la Fuente parece saber muito sobre as características e particularidades do grupo que têm em mãos nesta Copa do Mundo. Por isso, além de credenciado para orientá-los dentro das quatro linhas, o treinador é uma figura de referência e com o poder de mediar mudanças de uma maneira mais fluida.
O apreço dos atletas em relação a De la Fuente é evidente e público. Inclusive, Marc Cucurella, lateral titular da seleção, deu uma demonstração e tanto de carinho e respeito ao treinador. O novo jogador do Real Madrid brincou ao prometer que tatuaria o rosto de Luis de la Fuente em caso de título mundial da Espanha no próximo domingo (19).
— Se ganharmos a Copa, eu farei uma tatuagem do rosto de Luis de la Fuente. Pequena, mas acho que é uma boa lembrança. Teríamos que pensar no local. Eu assinaria a tatuagem, depois teríamos que considerar o lugar e onde – revelou Cucurella.
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Para além do reconhecimento como treinador, Luis de la Fuente terá em admirador na área técnica oposta na grande final do Mundial. Lionel Scaloni, comandante da Argentina, foi seu aluno e tratou de enfatizar seu apreço pelo espanhol.
— Além de tê-lo como instrutor no meu curso de treinador, eu tinha uma relação especial com Luis porque, francamente, aprecio sua acessibilidade e sua personalidade. O destino nos reuniu novamente hoje em uma final — disse Scaloni.
Especificamente sobre a gestão do grupo de jogadores, considerado um dos maiores desafios da rotina do futebol, principalmente para a figura do treinador, De la Fuente é reconhecido como um verdadeiro “mestre”. Santiago Denia, atualmente treinador e com quem o técnico da seleção espanhola trabalhou por mais uma década, reconheceu a sensibilidade de Luis de la Fuente.
— Luis é um mestre na gestão do grupo, em saber lidar com os jogadores, em sentir e perceber quem deve ser o titular em cada partida. Do ponto de vista tático, ele imprime sua marca, mas sempre seguindo um modelo e um perfil de jogador que deram resultado nos últimos anos na Federação, com a conquista de títulos. Nós acreditamos nesse modelo, e Luis é quem mais acredita nele — afirmou.
Por fim, Fernando Hierro, zagueiro histórico da Espanha e do Real Madrid, compartilhou da mesma opinião. Para o ex-jogador é possível mensurar a sinergia entre treinador e grupo de jogadores na seleção espanhola.
— De fora, parece uma família muito unida, um grupo que gosta de estar junto e se diverte, e isso faz com que o ambiente pareça excepcional. Isso é muito importante em uma Copa do Mundo, quando todos passam mais tempo juntos. Acho que isso diz muito sobre o trabalho que Luis realizou antes mesmo do início do torneio — reconheceu Hierro.
Os depoimentos explicam a capacidade de convencimento para mudanças importantes, como em relação ao estilo de um ano pra cá, mas também são justificativas para o desempenho impressionante nos últimos quatro anos.
Sob o comando de Luis de la Fuente, a Espanha venceu 76% de seus jogos e não perde há 37 partidas, ou pouco mais de dois anos. Em 49 partidas, são impressionantes 37 triunfos, dez empates e só duas derrotas. Um título da Eurocopa e, quem sabe, mais uma estrela no uniforme da antiga “Furia” e atual “Roja”.