Olimpíadas

É ouro! Malcom decide contra a Espanha e Brasil conquista o bicampeonato olímpico

Brasil conquista o seu segundo título olímpico com gol de Malcom na prorrogação e sobe ao lugar mais alto do pódio

Foi sofrido, mas o Brasil conquistou o seu segundo ouro olímpico no futebol. No estádio da conquista do penta, o Yokohama Stadium, o Brasil venceu a Espanha por 2 a 1 na prorrogação e conquistou o bicampeonato olímpico. Depois de anos perseguindo o título, conquistado na Rio 2016, o Brasil mostrou força e conseguiu novamente o lugar mais alto do pódio na Tóquio 2020. O nome do jogo foi o atacante Malcom. Ele entrou na prorrogação, melhorou o time, que criou muitas chances, até que ele mesmo marcou o gol da vitória no primeiro minuto do segundo tempo da prorrogação. Um título suado, sofrido, mas que recoloca a seleção brasileira no posto mais alto do futebol masculino olímpico.

Os dois times

Matheus Cunha voltou ao time brasileiro, depois de lesão que o tirou da semifinal. Com isso, o time titular voltou a ser o que iniciou o torneio olímpico, com Richarlison ao lado de Cunha no ataque. Paulinho deixou o time, voltando ao banco.

Na Espanha, uma mudança significativa. O autor do gol da vitória contra o Japão na semifinal, Marco Asensio, ganhou uma posição no time no lugar de Rafa Mir. Foi a única mudança no time titular da Roja. Mir é mais centroavante, enquanto Asensio é um jogador de lado de campo. Quem atuava centralizado, como tem sido desde o começo do torneio, é Mikel Oyarzábal.

Primeiro tempo

Tivemos um primeiro tempo equilibrado. A Espanha fez o que está acostumada a fazer: dominou a posse de bola nos primeiros minutos da partida e deixou o Brasil sem saída de bola. Faltava uma saída mais limpa e a Espanha recuperava a bola rapidamente.

Passados os primeiros minutos, o Brasil melhorou no jogo e passou a ao menos levar algum perigo em recuperações de bola e acionamento rápido dos atacantes. Conseguiu dois lances de perigo com Matheus Cunha, mas em nenhum deles saiu finalização.

Aos 16 minutos, a Espanha teve uma grande chance. Cruzamento do lado direito de Asensio na direção de Oyazrzábal, que ajeitou de cabeça para Dani Olmo, que vinha pelo meio. Diego Carlos conseguiu tocar na bola antes do espanhol, mas a bola foi na direção do gol. O próprio zagueiro foi rápido e tirou em cima da linha. Uma grande ação defensiva do jogador do Sevilla.

A primeira boa chance brasileira foi aos 24 minutos. Claudinho e Guilherme Arana trabalharam a bola do lado esquerdo e o lateral acionou Richarlison dentro da área e ele girou com muita velocidade. A bola estufou a rede pelo lado de fora. Era uma finalização difícil, com pouco ângulo.

Pênalti para o Brasil

Um lance crucial aconteceu aos 35 minutos. Em um cr4uzamento para a área, o goleiro Unai Simon não achou a bola, mas achou Matheus Cunha. Acertou em cheio o brasileiro. A bola foi fora e pareceu uma trombada, inicialmente. O VAR chamou o árbitro para rever. Ao assistir o lance, o árbitro Chris Beath, da Austrália, apontou pênalti.

Richarlison foi o responsável pela cobrança. O camisa 10 brasileiro poderia mudar o jogo e colocar o Brasil em vantagem, mas o atacante bateu mal. Correu para a bola, pareceu ter esperado o goleiro se mexer e, diante do goleiro espanhol que esperou a cobrança do atacante para definir o canto, ele se precipitou. Bateu forte e mandou por cima do gol. Chance desperdiçada.

Quase as coisas se complicam

Logo depois do gol, as coisas poderiam ter se complicado muito para o Brasil. Guilherme Arana, que já tinha cartão amarelo, deu uma entrada passível de cartão. O árbitro não deu e ficou por isso mesmo.

Gol do Brasil!

Em um cruzamento da esquerda de Claudinho, a bola foi muito forte, mas Daniel Alves conseguiu salvar, colocando a bola para cima. Matheus Cunha acompanhou a trajetória da bola, dominou no peito e os zagueiros espanhóis ficaram para trás. Cunha, de frente para o gol e dentro da área, tocou no canto com tranquilidade e categoria: 1 a 0 para o Brasil.

Foi a segunda assistência de Daniel Alves em uma final contra a Espanha. Em 2003, na final do Mundial sub-20, foi dele o passe para Fernandinho (sim, aquele, do Manchester City) marcar o gol do título. O lateral também esteve em campo na final da Copa das Confederações, em 2013, quando o Brasil venceu a Espanha por 3 a 0 e se sagrou campeão jogando em casa.

Matheus Cunha, do Brasil (Lucas Figueiredo/CBF)

Segundo tempo com mudanças na Espanha

Para o segundo tempo, a Espanha já voltou do intervalo com duas mudanças. Mikel Merino, o capitão do time, deixou o gramado para a entrada de Carlos Soler; Marco Asensio deixou o campo para a entrada de Bryan Gil.

O Brasil passou a jogar como mais gostava: com espaço para contra-atacar. Por duas vezes, chegou na cara do goleiro Unai Simón. Primeiro, com Antony, aos quatro minutos, que recebeu sozinho, depois de passe de Bruno Guimarães e avançou até chutar para defesa do goleiro. O lance seria anulado depois por impedimento, após a conclusão da jogada.

Aos seis, o Brasil teve uma chance ainda mais clara. Desta vez foi Matheus Cunha que foi lançado pela direita, ele avançou e acionou Richarlison pelo meio. O camisa 10 recebeu, fintou bonito o lateral da Espanha, deixando no chão, e finalizou de pé esquerdo. Unai Simón ainda conseguiu tocar na bola, que bateu no travessão e no chão, antes de ser afastada pela defesa.

A Espanha tinha a postura que se esperava, se colocando no ataque, enquanto o Brasil recuou um pouco as linhas para tentar explorar a velocidade do seu ataque.

Gol da Espanha!

Dominando o jogo, a Espanha conseguiu o gol de empate. Jogada trabalhada pela esquerda, Carlos Soler recebeu em direção à linha de fundo, cruzou para a área e Oyarzábal, de primeira, marcou um golaço: 1 a 1. Uma linda jogada da Espanha que igualou o marcado e mudaria novamente o jogo. Eram 15 minutos do segundo tempo.

Oyarzábal marca o gol de empate da Espanha (imago / OneFootball)

Jogo diminui de ritmo

O jogo diminuiu um pouco de ritmo de pois do gol. Tanto a Espanha quanto o Brasil passaram a ter menos ímpeto nas jogadas. Os espanhóis tinham mais controle no meio-campo, mas não conseguiam chegar com perigo na área brasileira. Já a seleção brasileira tinha dificuldades em encaixar os ataques quando recuperava a bola. O jogo passou a ser de poucas oportunidades, poucos chutes e quase nenhuma chance.

NA TRAVE!

A Espanha quase virou o jogo em um lance por acaso. Soler tentou o cruzamento, errou e a bola tocou no travessão. Assustou o goleiro Santos. Um lance de muito perigo. Foi o mais perto que os espanhóis chegaram do gol depois de terem empatado a partida.

Brasil aperta no final

Depois dos 35 minutos, o Brasil passou a ficar mais no campo de ataque, tentando uma pressão final pelo gol. Foram alguns bons lances, mas nenhuma grande chance. Os brasileiros rondavam a área, conseguiram escanteios, mas não criaram nenhum perigo.

NA TRAVE DE NOVO!

Mais uma vez a Espanha quase marcou o gol que seria o da vitória. Bryan Gil, já com 42 minutos, arriscou um chute de fora da área e a bola mais uma vez explodiu no travessão. Desta vez, não foi sem querer, foi um belo chute do novo jogador do Tottenham.

Brasil sem mudanças nos 90 minutos

A Espanha tinha feito duas substituições já no intervalo e não fez mais nenhuma ao longo do segundo tempo. O Brasil, por sua vez, não fez uma substituição sequer. Os dois times pareciam ter uma certa cautela nos minutos finais.

Prorrogação

O técnico espanhol, Jose Luis De La Fuente, fez mais duas mudanças antes da prorrogação. Tirou o lateral Óscar Gil e colocou em campo Jesús Vallejo. Também sacou o lateral Marc Cucurella e colocou Juan Miranda, zagueiro.

No brasil, saiu Matheus Cunha, talvez por um problema físico, e colocou Malcom. Com isso, mudou um pouco o posicionamento dos jogadores. Claudinho veio para o meio, deixando Malcom pelo lado esquerdo e Antony pela direita, com Richarlison mais à frente.

Pressão brasileira

Malcom teve uma chance aos cinco minutos. Recebeu de Claudinho, dentro da área, e chutou, mas a bola desviou na defesa e virou escanteio. Foi o próprio Malcom que colocou na área, a bola pipocou e Antony não conseguiu finalizar. No fim, mais um escanteio para o Brasil. Foi um momento de pressão brasileira, ainda que sem uma finalização de fato perigosa. O time brasileiro permanecia no campo de ataque, tentando encontrar um espaço para finalizar.

Os brasileiros permaneciam no campo de ataque, trocando passes. Malcom acionou Arana na esquerda e o lateral cruzou forte, para defesa do goleiro Unai Simón. Apesar de visivelmente cansado, a Seleção dominava as ações deste primeiro tempo da prorrogação, tentando uma pressão maior.

A seleção espanhola mexeu mais uma vez nos minutos finais do primeiro tempo da prorrogação. tirou Oyarzábal e colocou em campo Rafa Mir, o camisa 9 que decidiu contra a Costa do Marfim. Antes de começar o segundo tempo da prorrogação, Jardine mexeu: tirou Claudinho e colocou em campo Reinier, aproveitando também o maior porte físico do jogador nesses 15 minutos finais.

GOL DO BRASIL!

O gol, enfim, saiu em uma jogada típica do time brasileiro. Antony, em contra-ataque, faz um lançamento longo na direção de Malcom, que ganhou a disputa com Jesús Vallejo, saiu na cara do gol e finalizou. Unai Simón ainda conseguiu tocar na bola, mas não foi o bastante para impedir: gol do Brasil e 2 a 1 no Brasil, logo no primeiro minuto.

Foi o primeiro gol do Brasil em uma prorrogação de final olímpica da história dos Jogos Olímpicos. Nas duas finais anteriores que a seleção brasileira disputou que foram para a prorrogação, o time não conseguiu marcar um gol sequer. Desta vez, a decisão veio antes dos pênaltis, com um gol.

Logo depois do gol, Jardine mudou o time. Sacou o extenuado Antony e colocou Gabriel Menino. A Espanha também mudou: colocou em campo Jon Moncayola no lugar de Martín Zubimendi. Jardine rtesolveu gastar mais uma alteração ao colocar em campo Paulinho no lugar de Richarlison, que fez uma partida ruim.

A Seleção teria três jogadores muito rápidos e descansados no ataque para as retomadas de bola e tentar, quem sabe, matar o jogo. Mas não deu tempo de mais nada. A Espanha tentou uma pressão final, mas não houve mais o que ser feito. O ouro era do Brasil, que conquista o bicampeonato olímpico.

Brasil campeão e maior medalhista olímpico

A seleção brasileira consegue um feito que os rivais Argentina (em 2004 e 2008) e o Uruguai (1924 e 1928) conquistaram: dois ouros seguidos no futebol.

O Brasil é o país que mais conquistou medalhas olímpicas no futebol masculino, com sete. São dois ouros (2020, 2016), três pratas (1984, 1988, 2012) e dois bronzes (1996, 2008). Se iguala a grandes seleções que têm dois títulos olímpicos. Além de Argentina (2004, 2008) e Uruguai (1924, 1928), também a União Soviética (1956, 1988). Hungria (1952, 1964, 1968) e Grã-Bretanha (1900, 1908, 1912) são os maiores campeões olímpicos.

Contamos cada uma das edições do torneio de futebol olímpico no nosso especial, A história do futebol nas Olimpíadas. Em breve, atualizadas com a edição 2020 da Olimpíada.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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