Copa do Mundo 2026

Como Copa do Mundo de 2026 se aproximou de média histórica de gols por jogo

Mundial do Canadá, Estados Unidos e México tem melhores índices desde 1970, quando o torneio também foi disputado na América do Norte

A Copa do Mundo 2026 registrará a maior média de gols desde 1970. Com 102 partidas disputadas — restando somente a disputa pelo terceiro lugar e a decisão entre Argentina e Espanha —, o torneio conta com uma média de 2,91 bolas na rede por jogo. Desde o primeiro Mundial no México, o torneio organizado pela Fifa não tinha esse tipo de estatística.

Até a semifinal, foram marcados 297 gols. Somente o Panamá, eliminado ainda na fase de grupos, não conseguiu marcar. Os números, como era de se imaginar com o aumento de equipes na disputa, superaram o recorde de 172 gols na Copa do Mundo de 2022. Cabe ressaltar que a Copa do Mundo de 2026 superou essa marca em menos partidas (60, contra as 64 do Mundial do Catar).

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Os números, por si só, ajudam a dar o tom de uma Copa do Mundo com chuva de gols, mas não dão todo o contexto. Ainda que a competição não quebre a média histórica de gols por jogo (5,38 na Suíça, em 1954), o torneio deste ano supera índices de 1962 e 1966 para se colocar próximo aos números da “Era Jules Rimet”, quando o futebol tinha um foco maior no ataque.

Ainda na primeira rodada da fase de grupos, a Copa do Mundo de 2026 já mostrou para o que viria: 75 gols marcados em 24 jogos, com uma média de 3,12 gol por jogo, que era, até aquele momento, o maior índice desde 1958, na Suécia — foi superado pelo Mundial do México no decorrer dos jogos.

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Maior número de seleções, mais jogos e mais diversidade na Copa do Mundo

O torneio deste ano foi o primeiro em que a Fifa adotou o formato com 48 seleções. Ainda que para 2030 estará em pauta a possibilidade de ampliar este número para 64, a primeira amostra, no Canadá, Estados Unidos e México, mostrou que não foi observada uma redução da qualidade das partidas.

Houve poucas goleadas e passeios no torneio — como visto em Alemanha 7 x 1 Curaçao —, mesmo com seleções de níveis tão diferentes. Pelo contrário, equipes menores, como Cabo Verde, conseguiram equilibrar o confronto com Argentina, Espanha e Uruguai, campeãs mundiais, e avançou até a fase mata-mata.

Seleções que se mostraram, à sua própria maneira, agressivas para incomodar gigantes. Paraguai, mesmo com apenas três gols marcados na competição, conseguiu eliminar a Alemanha nos 16 avos de final. E no geral, com exceção dos sul-americanos, sem precisar ser exclusivamente defensiva.

Messi em duelo da Argentina com a Inglaterra, pela Copa do Mundo (Foto: IMAGO / ANP)

O Egito, que chegou a abrir 2 a 0 contra a Argentina nas oitavas de final, continuou explorando os contra-ataques mesmo depois que a atual campeã mundial havia chegado ao empate por 2 a 2. Quando se centraram somente na defesa, em muitos casos as equipes foram derrotados. Não à toa, Espanha e Argentina, que chegaram à final, lideram as estatísticas de gols esperados (xG) por partida.

Favoreceu este aumento na média de gols também o número reduzido de 0 a 0 em relação a outras edições. Até as finais, foram oito jogos sem gols em 102 disputados — 8% das partidas. Em comparação, as Copas de 2006, 2010 e 2014 tiveram 11% das partidas sem nenhum gol marcado.

EdiçãoMédia de empates sem gols
20268%
20226%
20182%
201411%
201011%
200611%
20022%

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Brilho de protagonistas marca Copa do Mundo de 2026

Favoreceu esta média de gols o desempenho dos astros na Copa do Mundo. Kylian Mbappé e Lionel Messi, artilheiros do Mundial antes das decisões, somam 25 participações para gol, somando também assistências — 8,5% de todas as bolas na rede nesta edição.

Outros nomes, como Harry Kane, Jude Bellingham e Erling Haaland, também se destacaram e ajudaram a ampliar esta marca no Canadá, Estados Unidos e México. Mas os camisas 10 da Argentina e França ficam à frente — inclusive na disputa pela chuteira de ouro da competição.

EdiçãoGolsPartidasMédia de gols
20262971022,91
2022172642,69
2018169642,64
2014171642,67
2010145642,27
2006147642,30
2002161642,52
1998171642,67
1994141522,71
1990115522,21
1986132522,54
1982146522,81
1978102382,68
197497382,55
197095322,97
196689322,78
196289322,78
1958126353,60
1954140265,38
195088224,00
193884184,67
193470174,12
193070183,89

Pausa para a hidratação deu mais descanso para os atletas durante as partidas da Copa do Mundo

Além da qualidade das partidas, a pausa para hidratação — adotada inicialmente pela Fifa para reduzir o efeito do verão na América do Norte — criou dois “intervalos” adicionais entre os dois tempos. Em casos como Inglaterra 2 x 1 República Democrática do Congo, este descanso favoreceu equipes que buscavam o resultado na reta final da partida ou antes do final do primeiro tempo.

Na semifinal, depois de os ingleses irem às redes com Anthony Gordon, a Argentina chegou à virada no final do segundo tempo, cerca de dez minutos após a pausa para a hidratação, com gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez. Antes das semifinais, Lionel Scaloni, técnico da Argentina chegou a criticar a decisão da Fifa.

— O calor e o fato de o jogo ser constantemente interrompido fazem isso ajudar o time teoricamente mais fraco. Acho que, no fim, foi feito para ter mais tempo e acaba sendo um pouco picotado. Esse negócio de quatro tempos parece irreal — afirmou o treinador.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, chegou a defender este novo formato de partidas. “O treinador pode reavaliar certas situações, corrigir erros. Os jogadores descansam um pouco e voltam com força total. Isso é necessariamente ruim? Talvez seja bom”, afirmou, durante a Copa do Mundo.

O calor do verão americano foi um dos fatores no Mundial de Clubes, em 2025. Por isso, a Fifa decidiu adotar a paralisação nas 104 partidas do torneio, independentemente do estádio ser climatizado ou aberto. SoFi Stadium, AT&T Stadium e Mercedes-Benz Stadium, que lideram o ranking de mais jogos sediados, são climatizados — que minimiza os efeitos do clima durante o torneio.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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