Copa do Mundo 2026

‘Dever de proteger os contribuintes’: Casa Branca justifica intervenção no caso Balogun

Diretor-executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo falou sobre anulação de suspensão de artilheiro estado-unidense

Em clima de final de Copa do Mundo entre Espanha x Argentina, o governo dos Estados Unidos voltou a defender sua intervenção no caso Folarin Balogun. O diretor-executivo da força-tarefa da Casa Branca para o torneio, Andrew Giuliani, justificou seu papel na anulação da suspensão do cartão vermelho do atacante da seleção como um “dever”.

Ao jornal “Gazzetta dello Sport”, Giuliani citou um suposto histórico de manipulação de resultados envolvendo o árbitro Raphael Claus no Brasil. É importante ressaltar que nenhuma dessas alegações sustentadas pelo representante estado-unidense foram confirmadas ou apresentaram evidência de sua existência.

— Primeiro, o árbitro já havia sido alvo de uma investigação no Brasil relacionada a cartões vermelhos. Depois, acreditamos que o VAR foi utilizado de forma irregular naquele lance — declarou Andrew Giuliani.

Andrew Giuliani (Foto: Imago/Pacific Press Agency)
Andrew Giuliani, diretor-executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo (Foto: Imago/Pacific Press Agency)

O jornal “New York Post” revelou no início de julho que parte do histórico de Claus usado pela Casa Branca remonta à CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas de 2024. À época, o árbitro foi ouvido como testemunha durante as investigações sobre suspeitas de manipulação em partidas do Brasileirão.

As apurações não constataram qualquer participação de Raphael Claus em um esquema, tanto que ele não foi denunciado ou punido. Desde então, o juiz seguiu normalmente no quadro da Fifa e tem apitado competições nacionais e internacionais, cujo desempenho convenceu o órgão responsável por credenciá-lo a arbitrar na Copa.

Governo dos EUA alega que buscou ‘justiça’ por Balogun

Aos 16 minutos da etapa final do duelo de 16-avos-de-final contra a Bósnia-Herzegovina, Balogun disputava posição com Tarik Muharemovic após lançamento de Antonee Robinson. O artilheiro então caiu com o pé sobre a tornozelo do zagueiro, porém, Claus não assinalou falta na jogada.

Os assistentes de vídeo chamaram o árbitro de campo para reavaliar o lance no monitor, e o brasileiro mostrou o cartão vermelho para Folarin Balogun por “falta grave”. O camisa 20 dos EUA seria desfalque contra a Bélgica nas oitavas do Mundial, mas pôde entrar em campo graças a revogação da suspensão automática concedida pela Fifa.

Falorin Balogun pisa no tornozelo de Tarik Muharemovic durante Estados Unidos x Bósnia-Herzegovina (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)
Falorin Balogun pisa no tornozelo de Tarik Muharemovic durante Estados Unidos x Bósnia-Herzegovina (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)

O Comitê Disciplinar da entidade usou o artigo 27 de seu código, que prevê que o “órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar”. A decisão gerou revolta global de dirigentes, torcedores e analistas, levantando a suspeita de intervenção política para beneficiar o país anfitrião.

Na sequência, Donald Trump confirmou que telefonou para Gianni Infantino, presidente da Fifa com quem tem relação próxima, para “pedir uma revisão” da expulsão do atacante da seleção estado-unidense. Em declarações à imprensa no Salão Oval, o chefe do governo também argumentou que “não foi falta”, cuja opinião foi replicada por Balogun nos últimos dias.

O representante da força-tarefa da Copa do Mundo reforçou esse discurso ao citar o zelo pela integridade da competição e a busca por justiça pelo camisa 20 de Mauricio Pochettino. O “The Athletic” noticiou que Giuliani teve papel central ao trabalhar com a equipe jurídica e buscar atualizações constantes tanto da Fifa quanto da Federação de Futebol dos Estados Unidos.

— Era nosso dever proteger os contribuintes americanos, que investiram bilhões de dólares nesta competição, e garantir uma Copa do Mundo justa. Precisávamos agir diante desses elementos e de acordo com a nossa filosofia, baseada na justiça dentro e fora de campo — concluiu.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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