Copa do Mundo 2026

Por que Messi voltou aos tempos de ponta na Argentina e faz Copa melhor do que 2022

Craque argentino surpreende ao voltar para o lado do campo, como ocorria no Barcelona há mais de 15 anos, e decidir para sua seleção

Parecia pouco provável que Lionel Messi, aos 39 anos, mostrasse sua versão mais decisiva em uma Copa do Mundo. Mas o maior craque deste século nunca foi de seguir prognósticos. A Argentina, que disputa mais uma final neste domingo (19), só chegou a esse posto graças a seu camisa 10, que está exibindo em alguns momentos uma versão parecida com seus tempos áureos de Barcelona.

Ao longo da trajetória da seleção albiceleste na competição, o “ET” atingiu o maior número de gols (oito), assistências (quatro) e participações (12) em uma só edição. Em todas essas estatísticas, é o líder da história do Mundial.

Os números só contam uma parte do que é assisti-lo. Antes do torneio, havia dúvidas se o jogador conseguiria competir fisicamente contra os melhores do mundo. Afinal, ele está no futebol dos Estados Unidos, menos competitivo que outros centros, desde 2023, além do fator idade. Seu maior rival da carreira, Cristiano Ronaldo, sentiu esse aspecto. Messi, não.

Claro que o craque não vai sair driblando três, quatro ou até cinco adversários antes de um gol, como era antes. Precisa de menos toques para ser participativo como nunca antes em uma Copa. A maior parte do tempo, anda em campo. Vê o jogo meio que de seu próprio universo, buscando espaços. E, muitas vezes, para fugir de setores congestionados, vira basicamente um ponta direita, o que fez em boa parte da carreira.

Messi em Argentina x Egito pela Copa do Mundo
Messi em Argentina x Egito pela Copa do Mundo (Foto: IMAGO / VCG)

Quando falta espaço, Messi vira o ponta da Argentina

Não tem sido uma Copa do Mundo fácil para a seleção argentina. A fase de grupos tranquila, com 100% de aproveitamento e shows seguidos de Messi (hat-trick contra a Argélia, dois frente à Áustria e um de falta em partida com a Jordânia), parece ter feito o time baixar a guarda para o mata-mata.

Até a semifinal contra a Inglaterra, a Albiceleste suou sangue: Cabo Verde forçou prorrogação e buscou dois empates, Egito abriu 2 a 0 e o sustentou até os 79 minutos, e a Suíça jogou melhor por mais de uma hora e também levou ao tempo extra.

A partida com o English Team foi a melhor da Argentina na Copa, mas não a menos dramática: foram dois gols após 40 minutos do segundo tempo que garantiram a vaga sul-americana na decisão do torneio.

Chamou atenção como Messi, decisivo em praticamente todas as classificações, passou a ir cada vez mais para o lado do campo quando esses jogos afunilavam. Ficou mais evidente contra o Egito e se repetiu com suíços e ingleses.

Parecia um retorno de duas décadas no tempo. Daquele garoto que começou encantando como um ponta no Barcelona. Essa situação só ocorreu com frequência nos últimos 20, 15 minutos das partidas, momento em que o técnico Lionel Scaloni já tinha colocado muitos atacantes para ocupar a área e serem municiados em cruzamentos, enquanto as defesas dos adversários estavam muito baixas.

Mapa de calor de Messi na Copa do Mundo 2026
Mapa de calor de Messi na Copa do Mundo 2026 (Foto: SofaScore)

Messi, para fugir da marcação do centro, local onde normalmente ocupa em outros momentos do jogo, passou a ser esse ponta direita que raramente vai à linha de fundo, mas sempre está tocando na bola e consegue superar adversários no drible porque normalmente só tem um ou, no máximo, dois marcadores pela frente. Ele ser o líder em dribles (25) e duelos ganhos no chão (51) na Copa do Mundo — dados do “SofaScore — também é explicado por isso.

Para livrá-lo de mais defensores, muitas vezes o lateral-direito Nahuel Molina (ou Gonzalo Montiel) faz ultrapassagens no setor.

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Velha posição garantiu ida à final da Copa do Mundo

A virada nas oitavas de final com três gols sobre o Egito, entre os 38 minutos do segundo tempo e o segundo minuto de acréscimo, passou diretamente pela função de ponta do experiente jogador, que vinha jogando mal e tinha perdido um pênaliti até mudar os rumos da eliminatória.

Nos dois primeiros gols, o camisa 10 recebeu bem aberto no campo, levou para a canhota e cruzou. Na primeira, Cristian Romero diminuiu. Na segunda, depois de bate-rebate, o próprio atacante surgiu para empatar a partida. Entre o primeiro e o segundo tento, fez uma jogada à la 2010: recebeu em velocidade, driblou dois e cruzou para a defesa afastar.

Messi como ponta direita antes do primeiro gol da Argentina sobre o Egito
Messi como ponta direita antes do primeiro gol da Argentina sobre o Egito (Foto: Reprodução/CazeTV)

O mesmo roteiro ocorreu na reta final contra a Suíça. Lionel continuou perigoso, exigindo defesas do goleiro e criando chances ao cortar para dentro. Mesmo menos brilhante do que na partida anterior, deu o chute, partindo da direita para a meia-lua levando três na marcação, antes de Flaco López pegar o rebote e dar para Julián Álvarez marcar o gol que tirou o empate do placar.

Messi como ponta direita antes do segundo gol da Argentina sobre a Suíça
Messi como ponta direita antes do segundo gol da Argentina sobre a Suíça (Foto: Reprodução/CazeTV)

Na semifinal, novamente, o Messi ponta direita decidiu. Como a pressão argentina começou cedo pelo recuo absurdo dos ingleses, já com menos de 25 minutos o craque aparecia bem aberto. Começou com um cruzamento quase idêntico ao dos jogos contra o Egito, que fez Nico González exigir defesaça de Jordan Pickford.

Messi como ponta direita antes de criar grande chance em Argentina x Inglaterra
Messi como ponta direita antes de criar grande chance em Argentina x Inglaterra (Foto: Reprodução/CazeTV)

Depois, novamente a cara decisiva. Em escanteio curto, pelo mesmo corredor destro, atraiu a marcação de dois para deixar Enzo Fernández livre para um golaço de fora da área. Nos acréscimos, em sobra de finalização, Messi fez o que quase não aconteceu nos jogos anteriores: levou para a linha de fundo, mesmo sendo para a perna direita, e cruzou na cabeça de Lautaro Martínez.

Não é uma função para acontecer até por volta dos 75 minutos de jogo. Messi inicia como um meia central ou falso nove que flutua entre os setores, recua e apoia o meio-campo, também surgindo na área para finalizar. Só vira ponta se as coisas desandarem, como aconteceu em todo o mata-mata.

Caso na final do Mundial, contra a Espanha, a Argentina saia atrás do placar e o cenário dure até os instantes finais, o camisa 10 deve pintar novamente como um ponta para tentar salvar sua seleção.

Com ele marcando sete gols, sendo dois na final, a Albiceleste foi campeã em 2022. Em 2026, Lionel já faz a maior Copa de sua carreira e pode coroar sua possível última dança na competição com o bicampeonato neste domingo (19), a partir das 16h (horário de Brasília).

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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