Como Argentina pretende usar força mental e ‘instinto de sobrevivência’ para superar a Espanha
Atual campeã mundial flertou com eliminação ao longo da competição, mas saiu do fundo do poço para estar na decisão
Existem diversos fatores que podem explicar a chegada da Argentina à sua segunda final consecutiva de Copa do Mundo, que será disputada no próximo domingo (19), diante da Espanha. Mas, para além das qualidades em campo, certamente o efeito da força mental do grupo comandado por Lionel Scaloni deve ser enfatizado.
Na edição de 2026, a Albiceleste viu os seus adversários “azarões” ameaçarem sua permanência no Mundial. Para sobreviver, entre outros feitos, a equipe precisou buscar os resultados com a ajuda da resiliência.
Em todos os confrontos de mata-mata houve vitória por vantagem mínima, além de duas viradas. No confronto de 16 avos, vitória contra Cabo Verde por 3 a 2 precisando da prorrogação pela primeira vez no torneio. Nas oitavas de final, virada história nos acréscimos diante do Egito de Mohamed Salah também por 3 a 2.
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Mas se parecia emoção suficiente, os argentinos conseguiram se superar. Nas quartas de final, também precisaram da prorrogação para garantir a vitória por 3 a 1 contra a Suíça. Por fim, o resultado com a possível maior carga emocional da equipe de Lionel Scaloni até o atual momento no torneio foi a vitória contra o rival histórico, a Inglaterra por 2 a 1, na semifinal.
O que todos os resultados podem dizer do atual elenco é que, acima de tudo, o grupo conta com uma incrível capacidade de suportar momentos de pressão sem perder a confiança dentro de campo.
Argentina tem Messi como líder, mas também conta com reservas de luxo
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Para Scaloni, a característica faz parte de uma equipe que pode contar não apenas com os titulares, mas também com os jogadores reservas que podem ser decisivos quando o momento pede por uma solução rápida.
Foi assim com Lautaro Martínez na partida contra os suíços, para marcar o terceiro gol e também no duelo diante dos ingleses, no qual o ídolo da Internazionale anotou o segundo e decisivo tento.
— Sabíamos que iríamos sofrer, isso faz parte do nosso sangue, faz parte do nosso DNA. E isso nos dá tranquilidade. Também temos jogadores no banco capazes de mudar uma partida. Isso é muito importante. No fim, sempre encontramos uma solução –, afirmou o técnico em coletiva após a partida contra a Suíça.
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De fato a trajetória da Argentina na competição foi um exercício de sobrevivência, que passou pela superação de cenários de pura pressão. Liderados por um Messi que já viveu (e conquistou) de tudo no futebol, o plantel de Lionel Scaloni surpreendeu até mesmo o camisa 10.
— Esse elenco compete e nunca deixa de insistir, de querer mais. Não é normal o que faz esse grupo: ser campeão do mundo, ganhar duas vezes a Copa América e voltar a estar em uma semifinal de Mundial –, destacou o craque argentino após a classificação para a semifinal.
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Experiência com título no Catar moldou personalidade da equipe
O “DNA argentino”, no entanto, não se forjou em 2026. Segundo o próprio Scaloni, foi a experiência vitoriosa na Copa do Catar, em 2022, que ensinou os argentinos a entender sobre pressão no jogo.
— No Catar, nós ainda não tínhamos essa experiência, eu inclusive. Situações como essas eram muito difíceis. Hoje sabemos como é ser pressionado, sofrer um empate e continuar mantendo a calma. Nunca vamos desistir — explicou o treinador.
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De fato, o tricampeonato da Albiceleste passou pelo susto da derrota na estreia para a Arábia Saudita e também contou com uma final definida em uma partida eletrizante contra a França. Um empate eletrizante por 3 a 3, decidida apenas na decisão por pênaltis.
Nos 120 minutos da decisão do Catar, o 3 a 3 contou com tensão e reviravolta. Se em 2026 foi a Argentina quem buscou reverter placares, na edição anterior a trajetória foi diferente. Com gols de Messi e Di María, a Albiceleste chegou a abrir 2 a 0 na grande final, mas viu a França empatar com dois gols de Mbappé.
Na prorrogação, o camisa 10 marcou novamente para os argentinos e Mbappé empatou mais uma vez, levando a decisão para as penalidades. Na marca da cal, a Argentina venceu por 4 a 2 e encerrou um jejum que durava 36 anos.
De lá para cá, parece que a Albiceleste apenas fortaleceu seu aspecto psicológico e o transformou em um dos principais trunfos da equipe comandada por Scaloni. Agora, os atuais campeões esperam ser guiados por esse ‘instinto de sobrevivência” na final contra a Espanha neste domingo (19).