Copa do Mundo 2026

Banco da Argentina gritou por mudanças, mas é velha guarda quem garantiu final

Lionel Scaloni manteve quase toda a estrutura e, no fim, contestados garantiram contra a Inglaterra a ida à decisão da Copa do Mundo

O mata-mata da Argentina até a semifinal contra a Inglaterra era ruim. As classificações sobre Cabo Verde, Egito e Suíça vieram muito mais na mística de um time vencedor e pela técnica de Lionel Messi do que por um desempenho coletivo consistente. A emoção também ocorreu frente aos ingleses, mas dessa vez o nível apresentado foi o melhor na Copa do Mundo.

Antes da partida com os ingleses, a situação física de Enzo Fernández e Alexis Mac Allister parecia delicada. O banco de reservas clamava por mudanças. Seria o momento para os jovens Nico Paz e Valentín Barco, como foram com Enzo Fernández e Julián Álvarez no título de 2022? Não. Lionel Scaloni até efetuou mudanças na semifinal, mas, no fim, quem salvou foi a velha guarda.

— Não é arrogância, somos únicos — disse o técnico após a histórica classificação.

Scaloni mudou Argentina, mas precisou de pilares para vencer

Lionel Scaloni celebra classificação da Argentina na Copa do Mundo
Lionel Scaloni celebra classificação da Argentina na Copa do Mundo (Foto: IMAGO / Bildbyran)

Giuliano Simeone no lugar de Rodrigo de Paul foi a única mudança na Argentina em comparação ao jogo anterior. O ponta entrou para ficar bem aberto no lado direito; na esquerda, essa função ficava com Nicolas Tagliafico. Até que o jovem de 23 anos teve participações importantes, acionado em velocidade em alguns momentos.

Só que o poder decisivo ficou para outros nomes, os que Scaloni preferiu manter. Enzo foi um deles. O meia do Chelsea, depois de tantos jogos sofridos para a Argentina, mostrava desgaste. Mas isso não apareceu em Atlanta, nos Estados Unidos.

Fernández, à direita do meio-campo, foi essencial para apoiar a saída de bola argentina, principalmente quando recuava entre os zagueiros enquanto Leandro Paredes puxava a marcação de Harry Kane. Ele tentou três chutes perigosos de fora da área até que, no quarto, acertou um golaço para empatar a partida. Ainda terminou a partida como o líder em ações com bola (104), em passes certos (84) e lançamentos certos entre jogadores de linha (3).

O outro membro do meio-campo contestado era Mac Allister. Com menos participação na construção, o jogador do Liverpool serviu para atacar a área. Acertou a trave em duas oportunidades. Uma delas, segundos antes de Lionel Messi cruzar e Lautaro Martínez confirmar a virada.

Até De Paul, que retomou sua vaga no lugar de Simeone, aos 26 minutos, teve um papel importante em ser mais uma opção para ocupar o centro do campo em momento em que a Inglaterra se retrancava para segurar o resultado.

Scaloni, como na partida com a Suíça, empilhou homens na área para buscar o resultado. Nicolas Otamendi, pilar em 2022, entrou como centroavante. Nico González virou lateral-esquerdo quando o atacante Lautaro, o herói do jogo, substituiu Tagliafico.

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E para a final da Copa do Mundo com a Espanha?

O campo mostrou que ainda há mais fôlego nos pilares da Argentina. Scaloni deve repetir toda a estrutura do time, mas com a dúvida na direita. De Paul ajuda na retenção da posse de bola e na ocupação do centro do campo para potencializar o jogo de passes curtos argentino.

Na final da Copa contra a Espanha, que também adora ter a bola, pode ser uma estratégia para tentar tirá-los da zona de conforto.

Se o treinador argentino optar por Simeone, a ideia é ter alguém incansável para recompor o lado do campo onde Marc Cucurella tem ido muito bem e também ser uma única arma em velocidade para ser acionada em contra-ataques. A decisão está marcada para este domingo (19), às 16h (horário de Brasília).

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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