Suíça deixou recados para Argentina ajeitar antes de semifinal contra Inglaterra
Lionel Scaloni, técnico da seleção argentina, precisa de ajustes para sonhar com final da Copa do Mundo
A trajetória da Argentina no mata-mata da Copa do Mundo tem sido de sofrimento. Precisou de 120 minutos para bater Cabo Verde por 3 a 2, teve dois gols de desvantagem contra o Egito antes de virar nos últimos minutos e, novamente na prorrogação, suou para vencer a Suíça. Três adversários que estavam longe de serem sequer candidatos a surpresa, mas tornaram a vida da campeã mundial muito difícil.
A semifinal da Copa com a Inglaterra, nesta quarta-feira (15), é o primeiro desafio contra uma equipe que já conquistou o Mundial e que era apontada entre uma das candidatas ao título antes do torneio iniciar.
Em campo, o English Team tem apresentado um futebol intenso e competitivo que potencializa Jude Bellingham e Harry Kane, dois dos melhores jogadores da competição até aqui. A seleção argentina, vindo de desempenhos negativos, precisa de ajustes para que consiga lutar por uma vaga na decisão da Copa do Mundo.
Meio-campo da Argentina precisa de fôlego novo
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Após a dura vitória por 3 a 2 sobre a Suíça, o técnico argentino Lionel Scaloni assumiu que sua equipe precisa melhorar e destacou que os problemas no jogo vieram pelo fator físico dos suíços. “Tivemos dificuldade para trocar passes e vencer os duelos”, afirmou.
Uma das razões para essa dificuldade é a situação física de seus pilares no meio-campo. Após uma temporada desgastante na Premier League, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister — mesmo com ambos marcando gols nos dois últimos jogos — mostram cansaço e dificuldade em continuar concentrados ao longo dos jogos.
Rodrigo de Paul, atuando no futebol dos Estados Unidos desde o começo do ano, encontra-se em situação parecida. Só Leandro Paredes, o primeiro volante à frente do trio, tem estado em boa fase. Ele não começou a competição como titular, ganhando a vaga de Thiago Almada a partir das oitavas. Foi um ajuste que Scaloni fez, mas faltam mais.
Exequiel Palacios, quando titular junto a outros reservas contra a Jordânia, na última rodada da fase de grupos, foi uma peça importante na saída de bola, com uma função muito parecida à de De Paul. É uma possível alternativa para o meio ganhar mais fôlego.
O jovem Valentín Barco, 21 anos, é alternativa possível tanto para Mac Allister como para Enzo. O meia do Strasbourg vem de boa temporada, justamente como um segundo volante de associação e passes curtos, podendo atuar à esquerda ou à direita por dentro. Outro reserva da Argentina, Giovani Lo Celso, aos 30, com histórico de lesões, talvez não faça o time retomar o ritmo físico.
Nico Paz é mais um que poderia ser candidato a entrar. O meia canhoto, muito técnico, porém, parece muito mais um substituto de Lionel Messi do que de algum nome no quarteto de meio.
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Amplitude dos dois lados pode ajudar a ocupar o campo de ataque
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Frente ao físico e intenso time inglês, com meio-campo de fôlego formado por Declan Rice, Elliot Anderson e Bellingham, a Argentina precisa de alternativas além do jogo de troca de passes por dentro para reter a bola. Uma forma de ter mais opções de passes é abrir dois jogadores mais claramente pelos lados do campo.
A amplitude pela direita quase sempre fica por conta do lateral-direito, atualmente Nahuel Molina. Na esquerda, com o outro ala, Nicolás Tagliafico. Mas esses jogadores são mais de receber em ultrapassagem do que se dar bem ao enfrentar um defensor no mano a mano.
Por isso, a entrada de Nico González ou de Giuliano Simeone pelo corredor canhoto, na vaga de um dos quatro do meio, pode ser uma alternativa para dar ao time uma simetria no campo e garantir uma opção de passe certo nas duas pontas, com a chance de jogadas rápidas e de drible. Ao mesmo tempo, precisaria de ajuste e do retorno do zagueiro Facundo Medina para a lateral esquerda, dando equilíbrio defensivo e evitando ficar exposto para as transições.
Scaloni, por outro lado, parece conservador na Copa do Mundo
Essas mudanças não se mostraram necessárias só depois da dificuldade contra a Suíça. Os mesmos problemas físicos e de concentração tinham aparecido frente a Cabo Verde e Egito. Mas Scaloni não viu problema nas duas vitórias sobre os africanos. “Tirando a partida com os suíços, estou satisfeito com o desempenho da equipe.”
O técnico da Albiceleste se mostra cada vez mais conservador, diferente do que foi em 2022, quando não teve receio de colocar Julián Álvarez e Enzo Fernández como titulares, mesmo muito jovens e com pouca rodagem pela seleção argentina.
— Não é porque são jovens que eles não jogam. Sempre que eu entender que estão prontos para atuar, vão ganhar espaço — justificou, após a classificação à semifinal, quando questionado sobre os poucos minutos a Paz e Simeone, que nem entraram na partida.
— Não dá para todo mundo jogar. Eles não ficam felizes, assim como outros jogadores também não, mas engolem a frustração e seguem em frente. Treinam no máximo, nos colocam em dificuldade na hora de escolher e, quando entram, mostram que estão preparados — disse, em outra resposta, sobre os reservas do time.
🤔 Time de Messi teve 'sorte' contra Suíça?
— Trivela na Copa! 🏆🇧🇷 (@trivela) July 12, 2026
Por que discurso de Scaloni após nova vitória sofrida da Argentina mostra contradição
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A ver se os treinos indicarão alguma troca na atual campeã mundial em uma semifinal que promete ser física e brigada. O lado argentino tem um incentivo a mais pelo contexto histórico, com uma rivalidade que vai além do campo com os ingleses por conta da Guerra das Malvinas (1982), que deixou mais de 600 argentinos mortos.
O ponto é que a Argentina, se apresentar o mesmo que contra Cabo Verde, Egito e Suíça, deve ficar pelo caminho para a Inglaterra, que mostrou gana e competitividade e tem alternativas para chegar na primeira final de Copa do Mundo desde 1966.