Copa do Mundo 2026

Inglaterra abriu o placar, recuou e perdeu — o mesmo erro de 2018 aconteceu em 2026

Sete eliminações seguidas para seleções do top 10, 12% de posse após abrir o placar e os mesmos erros de Southgate

A derrota por 2 a 1 para a Argentina nesta quarta-feira (15) foi a sétima vez consecutiva que a Inglaterra é eliminada de uma Copa do Mundo por uma nação ranqueada entre as dez primeiras do ranking da Fifa.

Os Three Lions tiveram a oportunidade de fazer história e chegar à sua segunda final de Copa do Mundo, mas caíram diante da velha rival Argentina. A equipe de Thomas Tuchel começou bem e foi melhor durante longos períodos do jogo, mas os argentinos dominaram após o gol de Anthony Gordon aos 55 minutos, acabando por vencer por dois a um.

A Argentina foi o primeiro adversário da Inglaterra no torneio que figurava entre o top 10 do ranking Fifa — os adversários das quartas, a Noruega, estavam em 31º lugar. Desde 1998, a Inglaterra foi eliminada todas as vezes que enfrentou uma nação do top 10 no mata-mata de uma Copa do Mundo, um retrospecto preocupante para uma potência do futebol mundial.

Eliminações da Inglaterra em Copas do Mundo desde 1998

  • 1998, oitavas: Argentina 2 x 2 Inglaterra (Argentina vence nos pênaltis, 4 a 3)
  • 2002, quartas: Inglaterra 1 x 2 Brasil
  • 2006, quartas: Inglaterra 0 x 0 Portugal (Portugal vence nos pênaltis, 3 a 1)
  • 2010, oitavas: Alemanha 4 x 1 Inglaterra
  • 2014, fase de grupos: um ponto em três jogos
  • 2018, semifinal: Croácia 2 x 1 Inglaterra (prorrogação)
  • 2022, quartas: Inglaterra 1 x 2 França
  • 2026, semifinal: Inglaterra 1 x 2 Argentina

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O desastre tático de Tuchel: o que deu errado para a Inglaterra?

Desde a virada do século, houve apenas duas ocasiões em que uma seleção que abriu o placar numa semifinal de Copa do Mundo não conseguiu avançar: a Inglaterra contra a Croácia em 2018 e a mesma Inglaterra contra a Argentina em 2026.

Apesar dos oito anos que separam os dois torneios, os problemas foram semelhantes: a seleção entregou a posse assim que abriu o placar.

Entre o 55º e o 92º minuto contra a Argentina, a equipe de Tuchel ficou apenas com 12% da posse de bola. O técnico limitou suas opções ofensivas para defender a vantagem mínima, retirando jogadores como Reece James e mudando para um bloco de cinco na defesa.

O técnico ainda colocou o atacante Ivan Toney e o versátil Marcus Rashford no lugar de John Stones e Djed Spence nos minutos finais dos acréscimos, mas foi tarde demais.

O que torna a decisão de “fechar o time” ainda mais questionável é o fato de que a Inglaterra era competitiva antes de abrir o placar, mesmo sem ter criado nenhuma chance clara fora do gol.

Tuchel levou um grupo defensivo para a América do Norte, deixando em casa talentos como Adam Wharton e Trent Alexander-Arnold, decisões das quais pode se arrepender.

Os mesmos erros de Southgate?

Embora as perguntas sobre Tuchel sejam inevitáveis diante da atuação tática questionável, é importante lembrar que ele chegou à mesma fase do torneio que o antecessor Gareth Southgate em 2018.

No entanto, o técnico de 52 anos foi contratado justamente para ir além do que Southgate havia conseguido, e ver o novo treinador cometer os mesmos erros é alarmante.

A Inglaterra chegou a este Mundial após 60 anos sem um troféu internacional. Sob o comando de Gareth Southgate, os Three Lions chegaram perto de encerrar essa seca em diversas ocasiões, mais notavelmente nas finais da Eurocopa de 2020 e 2024, quando perderam para a Itália e a Espanha, respectivamente. O ex-técnico também chegou às semifinais da Copa de 2018, onde a equipe foi eliminada pela Croácia, finalista naquele torneio.

Para dar esse passo além, a Federação Inglesa optou por Tuchel, que havia construído uma reputação como especialista em competições eliminatórias, em grande parte graças ao título da Champions League com o Chelsea. No entanto, o técnico alemão repetiu as falhas do predecessor: vitórias convincentes contra adversários de menor porte, seguidas de insuficiência diante das grandes seleções.

A dependência excessiva de Jude Bellingham e Harry Kane na Copa

É justo dizer que a campanha inglesa foi construída sobre os ombros de Bellingham e Kane, que marcaram 12 dos 14 gols ingleses no torneio. No entanto, a Argentina conseguiu neutralizar os dois craques na quarta-feira, e nenhum deles registrou um único toque na área adversária em toda a semifinal.

Bellingham, em especial, foi alvo imediato de Leandro Paredes, que pareceu desestabilizá-lo vencendo uma série de duelos físicos no centro do campo. O jogador de 23 anos ganhou apenas seis dos 13 duelos no chão, não venceu nenhuma disputa aérea e fez apenas um desarme — atuação incomum para um jogador reconhecido pela combinação de fisicalidade e qualidade técnica.

Jude Bellingham e Harry Kane, da Inglaterra, trocam palavras durante a partida entre Inglaterra e Croácia pela Copa do Mundo FIFA 2026, no Dallas Stadium, nos EUA, em 17 de junho de 2026.
Jude Bellingham e Harry Kane em Inglaterra x Croácia – Copa do Mundo 2026. (Foto: Mark Pain/IMAGO)

Kane conseguiu recuar para distribuir, principalmente no lance que originou o cruzamento para o gol de Gordon, mas o maior artilheiro da história inglesa finalizou apenas uma vez na partida — a única finalização entre ele e Bellingham na noite inteira.

Ficou evidente que depender de momentos individuais heroicos desses dois jogadores não era uma estratégia sustentável, e sem o brilho das principais estrelas para carregar a equipe até a final, a Inglaterra não teve resposta quando a pressão foi máxima.

Tuchel tem um currículo muito mais vitorioso do que Southgate em termos gerais, mas não poderá se surpreender se parte dos torcedores defender sua substituição.

Foto de Alexis Pereira

Alexis PereiraRedator

Jornalista formado na ESJ Paris, com passagens por várias redações francesas e internacionais. Apaixonado por futebol e todas as suas histórias, pequenas e grandes.

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