Copa do Mundo 2026

Seis destaques da Copa do Mundo ideais para reforçar gigantes europeus na próxima temporada

Mundial teve surpresas e joias que ganharam grande projeção com boas atuações

A Copa do Mundo 2026 está repleta de estrelas consolidadas, mas também de ótimos jogadores que se mostram aptos a dar o salto para gigantes europeus. Em um mercado que busca características muito específicas e encaixes perfeitos, o Mundial é uma grande “feira” de oportunidades.

Entre jovens promessas e jogadores que vêm de temporadas sólidas antes de se consolidarem na Copa do Mundo, a Trivela listou seis destaques ideais para reforçar alguns gigantes europeus na próxima temporada.

Na lista, escolhemos clubes que têm preferências claras no mercado e jogadores que se encaixam nesses pedidos de forma realista. Por isso, a tarefa de listar todos os grandes europeus e supor quais posições eles priorizam mais, por exemplo, também não seria viável — então nos limitamos a seis bons negócios que fariam sentido.

Mercado da bola

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Manu Koné (França) – Manchester City

O Manchester City já acertou a contratação de Elliott Anderson, histórica por conta do alto valor de 116 milhões de libras, mas ainda é um clube com rumores envolvendo uma reformulação no meio-campo. Manu Koné, destaque da seleção francesa na Copa do Mundo, poderia ser uma opção que encaixa no perfil do clube.

Koné não começou o Mundial como titular no time de Didier Deschamps, mas ganhou a posição de Aurélien Tchouaméni depois de uma lesão do volante. Chegou a fazer dupla tanto com o jogador do Real Madrid quanto com Adrien Rabiot no 4-2-3-1 francês.

Manu Koné pela Roma (Foto: Imago/Insidefoto)
Manu Koné pela Roma (Foto: Imago/Insidefoto)

Aos 25 anos, Koné é versátil o suficiente para fazer diferentes papéis no meio-campo. Na Roma de Gian Piero Gasperini, em um 3-4-2-1, é geralmente um dos volantes que ajuda na construção, chega à frente para atuar entre as linhas e é muito combativo.

O Manchester City tem sofrido desde a lesão de Rodri, há duas temporadas, com inconstâncias no meio-campo. Com Enzo Maresca, além do espanhol, ainda há Nico González, que não conseguiu se firmar como seu substituto e deve perder espaço para Anderson, e nomes mais criativos e menos físicos, como Tijjani Reijnders, Phil Foden, Rayan Cherki e Mateo Kovacic, que deve deixar o clube.

Em um momento de transição no elenco e com um futebol que caminha para um estilo cada vez mais intenso e físico, Koné pode unir a habilidade e criatividade com a bola com grande capacidade de interceptações, percorrer grandes distâncias e inteligência para defender em blocos baixos e pressionar.

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Rayan (Brasil) – Liverpool

Uma surpresa na Copa do Mundo da seleção brasileira, Rayan ganhou a vaga do lesionado Raphinha na segunda rodada, contra o Haiti. Por mais que não tenha sido grande destaque no torneio, o fato de não ter saído do time titular desde então reforça a maturidade e confiança de Carlo Ancelotti no jogador.

Rayan chegou de forma avassaladora à Europa. Depois de trocar o Vasco pelo Bournemouth em janeiro de 2026, os Cherries não perderam mais. Teve grande envolvimento no sucesso da equipe principalmente por conta de sua capacidade de conduzir e driblar em velocidade por grandes distâncias, o que casava com o estilo de Andoni Iraola.

Rayan durante Brasil e Escócia (Foto: DeFodi Images / Icon Sport)
Rayan durante Brasil e Escócia (Foto: DeFodi Images / Icon Sport)

O treinador trocou o Bournemouth pelo Liverpool e já pediu mais reforços. O setor mais preocupante é justamente a ponta-direita: depois da saída de Mohamed Salah, não há um substituto claro — e Rayan poderia ser uma aposta de grande potencial.

O brasileiro já conhece o treinador, que não tirou o jovem do time titular em seu antigo trabalho. Em um estilo intenso e que pede pontas fortes fisicamente para duelos individuais, Rayan é uma ótima pedida. Além de, claro, tapar uma lacuna evidente no time.

A negociação seria o grande ponto de dificuldade. Em janeiro de 2027, quando completar um ano de clube, Rayan terá uma multa de 130 milhões de libras, um valor muito difícil de ser pago vindo de um grande clube por um jovem de 19 anos. E mesmo antes, os Cherries devem fazer jogo duro.

Felix Nmecha (Alemanha) – Manchester United

Se existe um setor que ainda busca equilíbrio no Manchester United, é o meio-campo. A equipe melhorou sua capacidade de controlar jogos com as chegadas de Andrey Santos e Youri Tielemans, mas ainda carece de um jogador capaz de unir força física, condução e chegada à área sem perder intensidade defensiva — tanto que reforçar o meio segue sendo uma prioridade do time.

É justamente aí que Felix Nmecha aparece como uma opção extremamente interessante. Na Copa do Mundo, o meio-campista alemão confirmou características que já apresentava no Borussia Dortmund: capacidade de romper linhas conduzindo a bola, facilidade para atacar espaços e inteligência para pressionar imediatamente após a perda da posse. Também apareceu como elemento-surpresa dentro da área, algo que marcou sua evolução nos últimos anos. 

Nmecha comemora gol da Alemanha
Nmecha comemora gol da Alemanha (Foto: Imago/Kirchner-Media)

Seu perfil complementaria bem um meio formado por jogadores mais criativos. Enquanto Bruno Fernandes tende a assumir a responsabilidade da criação e Andrey pode ser esse controlador, Nmecha poderia oferecer volume, agressividade sem bola e infiltrações constantes, aproximando-se muito do papel que diversos campeões recentes da Premier League utilizam com seus interiores.

Mais do que um camisa 8 tradicional, o alemão pode ser o tipo de jogador capaz de elevar o teto físico do Manchester United sem sacrificar qualidade técnica. Aos 25 anos, renovou contrato em março deste ano até 2030, o que deve aumentar seu preço para além do bom Mundial.

Antonio Nusa (Noruega) – Arsenal

Poucos jogadores desta Copa foram tão elétricos no um contra um quanto Antonio Nusa. O norueguês confirmou no torneio aquilo que já vinha mostrando no futebol europeu: aceleração devastadora, facilidade para eliminar marcadores e coragem para atacar constantemente o fundo do campo.

Mesmo em uma seleção construída ao redor de Martin Odegaard e Erling Haaland, Nusa conseguiu ser um dos principais responsáveis por dar profundidade aos ataques. É justamente essa característica que faz sentido no Arsenal.

Antonio Nusa, da Noruega (Foto: IMAGO / Bildbyran)
Antonio Nusa, da Noruega (Foto: IMAGO / Bildbyran)

O time de Mikel Arteta controla jogos como poucos, mas em vários momentos da última temporada sofreu diante de adversários fechados por depender excessivamente das mesmas construções posicionais. Nusa acrescentaria um componente diferente: improviso.

Atuando preferencialmente pela esquerda, ele poderia alternar momentos de amplitude máxima com diagonais agressivas, abrindo espaços para movimentações dos meia e criando situações de superioridade. Sua capacidade de acelerar transições também oferece uma arma que o Arsenal nem sempre possui quando recupera a bola.

Mais do que aumentar o nível do elenco, Nusa daria aos londrinos uma forma diferente de atacar. Leandro Trossard deixou o clube e reforçou o Besiktas, enquanto Gabriel Martinelli, que já fez esse trabalho muito bem em anos anteriores, tem perdido espaço com atuações não tão convincentes.

Deniz Undav (Alemanha) – Barcelona

Com a saída de Robert Lewandowski, o Barcelona deve continuar produzindo volume ofensivo, mas passará a procurar um centroavante que combine mobilidade, pressão sem bola e presença constante na área. Deniz Undav chega mais pronto para atuar imediatamente em alto nível.

Durante a Copa, mostrou novamente inteligência para atacar espaços curtos, excelente leitura de movimentação e capacidade de participar da construção antes de aparecer para finalizar. Também foi decisivo em momentos importantes da campanha alemã, que acabou mais cedo do que o esperado.

Deniz Undav, jogador da Alemanha, em ação durante a partida entre Equador e Alemanha pelo Grupo E da Copa do Mundo FIFA 2026, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, em 25 de junho de 2026.
Deniz Undav em Equador x Alemanha – Copa do Mundo 2026. (Foto: Uwe Kraft/IMAGO)

Ainda assim, participou de cinco gols em quatro jogos, todos eles como reserva, e vem de uma temporada de grande envolvimento: marcou 25 gols e deu 14 assistências em 46 jogos pelo Stuttgart.

Undav tem algo que falta ao Barcelona atual: capacidade para atacar cruzamentos, ocupar permanentemente os zagueiros e transformar domínio territorial em presença constante na pequena área, além de ser associativo para os longos momentos de posse do time de Hansi Flick.

Uma renovação de contrato em junho, antes da Copa, pode atrapalhar as negociações pode valorizar o jogador — mas, aos 29 anos, o atacante pode ser uma opção mais barata e que ainda entrega qualidade e números.

Yasin Ayari (Suécia) – Inter

Entre os jogadores que aproveitaram a Copa para elevar sua cotação, poucos cresceram tanto quanto Yasin Ayari. O sueco de 22 anos chamou atenção pela maturidade com que controlou o ritmo das partidas.

É um meio-campista capaz de receber sob pressão, acelerar o jogo com poucos toques e também aparecer próximo da área quando encontra espaço. Na fase de grupos, inclusive, foi um dos destaques da Suécia com atuações de enorme influência ofensiva. Seu perfil conversa diretamente com o que a Inter costuma exigir de seus meio-campistas.

A equipe italiana valoriza jogadores capazes de alternar construção e infiltração durante a mesma jogada, mantendo intensidade para pressionar logo após perder a posse. Ayari reúne exatamente essas características e também jogou na Suécia em um 3-5-2, exatamente como a Inter.

O jogador do Brighton tem mobilidade suficiente para participar da saída de bola, mas também qualidade para romper linhas carregando ou acelerando passes verticais. Além disso, sua inteligência posicional permitiria uma adaptação relativamente natural ao sistema com três meio-campistas utilizado pela Inter, funcionando tanto como organizador quanto como um meia de chegada — o que permitiria pegar as posições dos já envelhecidos Henrikh Mkhitaryan e Hakan Çalhanoglu.

Em uma Copa marcada pelo crescimento dos jogadores de meio-campo completos, Ayari talvez seja um dos exemplos mais claros de atleta pronto para dar o salto definitivo rumo à elite do futebol europeu. Além disso, seu contrato é válido somente até o final da próxima temporada, o que pode simbolizar uma boa oportunidade de mercado.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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