Argentina se acostumou com ritmo diferente de adversários e sofreu para bater Cabo Verde
Depois de uma campanha sem grandes sustos, a equipe de Scaloni precisou superar pressão, desgaste e um Cabo Verde que vendeu caro a derrota
A seleção da Argentina venceu Cabo Verde por 3 a 2 nesta sexta (3) em um jogo de Copa do Mundo movido pelo sufoco. A atual campeã do mundo entrou como favorita, mas acabou surpreendida pela atuação da equipe africana, que vendeu caro a derrota e levou a decisão para a prorrogação.
A Albiceleste sofreu durante praticamente toda a partida. A equipe comandada por Lionel Scaloni encontrou dificuldades para infiltrar na área adversária e não conseguiu exercer a pressão que costuma impor aos rivais. O primeiro gol saiu dos pés de Lionel Messi ainda no primeiro tempo, após um momento de desatenção da seleção cabo-verdiana.
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No entanto, Cabo Verde seguiu em busca de fazer história e não facilitou a vida da Argentina. Deroy Duarte empatou a partida na segunda etapa, e a seleção africana passou a se defender com organização, dificultando as investidas da equipe de Scaloni e levando o confronto para a prorrogação.
No tempo extra, Lisandro Martínez voltou a colocar a Argentina em vantagem, mas Sidny Lopes respondeu pouco depois com um golaço, deixando tudo igual novamente. Pela primeira vez em muito tempo, a Albiceleste encontrou um adversário que não se intimidou diante de seu favoritismo e sustentou o equilíbrio da partida até os minutos finais. Por fim, Diney, contra, fez com que os sul-americanos se classificassem.
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Resistência cabo-verdiana não é novidade
A resistência cabo-verdiana, aliás, não foi uma novidade nesta Copa do Mundo. Contra Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, a equipe do goleiro Vozinha já havia conquistado empates históricos e demonstrado capacidade de reação mesmo quando saía atrás do placar, como no empate por 2 a 2 diante da Celeste.
Contra a Argentina, repetiu a postura competitiva e conseguiu manter o empate nos 90 minutos regulamentares, obrigando a atual campeã do mundo a disputar uma prorrogação.
Do outro lado, a Argentina chegava ao mata-mata sem ter sido realmente colocada à prova. Nos amistosos preparatórios, enfrentou seleções de menor expressão, como Islândia, Honduras, Porto Rico, Angola e Mauritânia. Já na fase de grupos da Copa do Mundo, superou Jordânia, Argélia e Áustria sem grandes dificuldades.
O confronto contra Cabo Verde representou um salto no nível de exigência e expôs uma equipe que, até então, não havia precisado lidar com um adversário capaz de sustentar intensidade, organização e competitividade durante toda a partida.
Na entrevista coletiva antes da partida, Lionel Scaloni alertou para os perigos do mata-mata e afirmou que a Argentina não poderia baixar a guarda, já que qualquer erro poderia significar a eliminação. O discurso, no entanto, não se refletiu integralmente em campo. Em diversos momentos, a Albiceleste encontrou dificuldades para controlar a partida e viu Cabo Verde jogar com confiança, sem se intimidar diante da atual campeã do mundo.
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Físico também é colocado à prova
O confronto também exigiu muito fisicamente da Argentina. Ainda antes do fim do tempo regulamentar, alguns jogadores já demonstravam sinais claros de desgaste, com cãibras, fadiga e dificuldade para manter a intensidade. Facundo Medina foi um dos primeiros a deixar o gramado por questões físicas.
Com a partida se estendendo para a prorrogação, o desgaste ficou ainda mais evidente. Alexis Mac Allister, por exemplo, passou a cometer erros incomuns, consequência do cansaço acumulado. Mesmo longe de sua melhor atuação, a Argentina encontrou forças para suportar a pressão e assegurar a classificação.
Apesar do susto, a qualidade técnica argentina acabou prevalecendo nos instantes finais da prorrogação. A vaga nas oitavas de final mantém viva a caminhada da atual campeã do mundo, mas a atuação diante de Cabo Verde deixa importantes lições para Lionel Scaloni.
Além de evidenciar que o nível de exigência aumentou no mata-mata, a partida mostrou que a equipe precisará administrar melhor o desgaste físico e evitar oscilações caso queira seguir sonhando com o bicampeonato mundial.