Copa do Mundo 2026

Uruguai 2×2 Cabo Verde: Muslera dá uma mão para manter conto de fadas africano vivo

Cabo-verdianos ficam no 2 a 2 com bicampeão mundial e podem sonhar com classificação na Copa do Mundo

Cabo Verde novamente deu uma das grandes histórias desta Copa do Mundo neste domingo (21). Depois de segurar e empatar com a favorita ao título Espanha na estreia, a seleção caribenha buscou o 2 a 2 com o bicampeão mundial Uruguai na segunda rodada no Hard Rock Stadium, em Miami.

Foi outra atuação de resistência cabo-verdiana, mas com mais qualidade ofensiva. Kevin Pina, em falta do meio da rua, abriu o placar e fez o primeiro gol do selecionado na história dos mundiais. Depois da virada uruguaia com Maxi Araújo e Agustín Canobbio, Hélio Varela aproveitou falha dupla da defesa sul-americana para marcar.

Nos minutos finais, segurando o empate com os ataques do adversário, quase conquistou uma vitória que seria histórica. O resultado acabou tendo o papel decisivo do goleiro adversário Fernando Muslera.

Uruguai x Cabo Verde: como foi o jogo

Foi uma primeira parte que foi ganhando ritmo. Ficou um bom tempo devagar, tendo nos pés de Fede Valverde, em chute torto sozinho na área, a melhor chance dos dois lados até o gol de Kevin Pina, aos 20. Só voltou a pegar ritmo na reta final, com a virada uruguaia antes de Muslera ter salvo o 2 a 0 caboverdiano em cruzamento para a segunda trave que chegaria em Gilson Benchimol se não fosse um tapinha do gol.

Na etapa final, o goleiro uruguaio e Mathías Olivera colocaram de volta o Cabo Verde no jogo com mais uma falha e quase viram a virada. No entanto, boa parte do tempo foi buscando segurar o placar contra os ataques uruguaios. Tarefa concluída com sucesso e merecida pela aplicação do time.

Jogadores de Cabo Verde comemoram gol sobre Uruguai
Jogadores de Cabo Verde comemoram gol sobre Uruguai (Foto: IMAGO / Gribaudi/ImagePhoto)

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Uruguai x Cabo Verde: cruzamentos exagerados expõem falta de repertório

Os times do técnico Marcelo Bielsa normalmente são conhecidos por sua agressividade e futebol ofensivo, com muitos jogadores atacando de forma veloz. Seu Uruguai até tem a intensidade sem a bola, mas, com a posse, o repertório é quase nulo e usa-se o recurso mais simples: os cruzamentos.

Na estreia contra a Arábia Saudita, a Celeste suou sangue para conseguir o gol do empate, só confirmado a 10 minutos do fim a partir de um cruzamento, basicamente a única arma ofensiva sul-americana no jogo. Foram 47 tentativas de levantamentos na área, segundo dados do “SofaScore”.

Essa arma foi a mesma contra Cabo Verde. Com 42 minutos de jogo, em um cruzamento, Rodrigo Bentacur dividiu com a zaga, a bola bateu na trave e sobrou para Araújo marcar. Nos acréscimos do primeiro tempo, de novo a bola veio pelo alto para desvio do autor do primeiro gol e Agustín Canobbio completar às redes.

Dessa vez, o número de levantamentos na área foi menor, de apenas 16, mas acabou sendo decisivo como antes. Com exceção desse caminho, o Uruguai não encontrou muitas formas de atacar e se perigoso.

Na última rodada, frente à Espanha, terá um contexto muito diferente, tendo menos a bola e mais campo para contra-atacar. A diferença é que é uma das favoritas ao título, que precisará vencer para confirmar a liderança sem depender de outros resultados.

Muslera dá uma mão para história cabo-verdiana

Cabo Verde tem uma grande história, um time que, por sua luta, merece o que tem conseguido na Copa do Mundo. Contra o Uruguai, porém, ninguém foi mais decisivo que o goleiro adversário.

No primeiro gol, Fernando Muslera montou uma barreira com apenas dois jogadores — que se abriu — e aceitou um belo chute rasteiro de Kevin Pina do meio da rua que abriu o placar. Dá para dizer que não foi uma falha daquelas. Mas, no tento do empate cabo-verdiano, não tem desculpas.

Mathías Olivera errou feio uma inversão e Hélio Varela sairia na frente do gol. Mas o goleiro uruguaio decidiu tentar antecipar, o que tornou o lance ainda mais bizarro, e o atacante, com um toque, o limpou antes de empurrar para a meta sul-americana vazia.

Muslera já havia dado um rebote inexplicável em um cabeceio no meio do gol no empate com a Arábia Saudita. Enfrentando a Espanha, seleção com um enorme poder de fogo e somando 49 finalizações nos dois jogos anteriores, tem tudo para tentar testar o instável arqueiro.

Já Cabo Verde, duelando com os sauditas na última rodada, sonha com uma classificação em sua primeira Copa do Mundo, o que parecia possível pelo que as duas seleções apresentaram.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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