Copa do Mundo 2026

Cristiano Ronaldo se despede da Copa do Mundo sem uma campanha à sua altura

Maior craque da história do futebol português fez seu último jogo em Mundiais em eliminação para a Espanha

Não deu para Portugal. Nesta segunda-feira (6), a Espanha venceu os portugueses de forma merecida, 1 a 0, e avançou às quartas de final da Copa do Mundo de 2026. Após a eliminação, Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, confirmou que este é seu último Mundial.

Ele deixa o Mundial como o recordista de mais edições disputadas, seis, junto de Lionel Messi, e maior artilheiro de seu país, com 11 gols, superando Eusebio na trajetória recém-finalizada.

CR7 foi titular nos cinco jogos da caminhada do selecionado português e teve um dos seus grandes momentos em suas participações no torneio na vitória sobre o Uzbequistão, com dois gols, apenas a segunda vez que balançou as redes mais de uma vez em uma partida pelo torneio.

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Cristiano voltou a marcar, de pênalti, nos 16 avos, sendo decisivo para empatar a partida com a Croácia antes que Gonçalo Ramos virasse o herói da classificação. Esse foi o primeiro e único gol dele em mata-mata de Copa.

Em outro estágio da carreira, o veterano não teve muita culpa em um time impactado por um trabalho coletivo pobre do técnico Roberto Martínez. Sem o físico de antes, sofreu para dar continuidade às jogadas, não desequilibrou no mano a mano e nem recebeu os lançamentos e cruzamentos necessários para brilhar.

Mais uma edição de Mundial que não faz jus ao que é Cristiano Ronaldo, o segundo maior craque desta geração.

Saio com a consciência tranquila. Às vezes ganhamos, às vezes perdemos. A verdade é que foi meu último mundial — cravou após a eliminação.

Cristiano Ronaldo após eliminação de Portugal na Copa do Mundo
Cristiano Ronaldo após eliminação de Portugal na Copa do Mundo (Foto: IMAGO / DeFodi Images)

Cristiano Ronaldo não teve uma Copa para chamar de sua

Presente em todas as Copas desde 2006, Cristiano Ronaldo nunca teve uma edição em que brilhou e foi o maior craque. Foram motivos variados para que isso ocorresse. Seja por ser ainda muito jovem (2006), ter elencos muito fracos (2010, 2014 e 2018) ou trabalhos coletivos abaixo (2022 e 2026). Mas o camisa 7 também tem responsabilidade.

Para um craque de seu calibre, cinco vezes melhor do mundo, mesmo número de vezes que ganhou a Champions League, competição em que é o maior artilheiro e assistente, deveria ter entregado pelo menos uma edição colocando a bola debaixo do braço e conduzindo seu país a um resultado marcante. Nunca aconteceu.

O melhor desempenho coletivo português veio em 2006, quando, comandada por Felipão, uma boa geração com Deco, Luis Figo (já veterano), Ricardo Carvalho e outros, caiu para a França na semifinal e ficou com o quarto lugar, melhor desempenho desde a terceira colocação em 1966. O jovem Cristiano, de 21 anos, só marcou um gol, de pênalti – como seu último tento em Copas – contra o Irã, na fase de grupos.

Esse desempenho jamais foi repetido. O mais próximo disso veio com Cristiano como reserva. Em 2022, com um grupo melhor que o de 2006, com nomes como Bruno Fernandes, Rúben Neves, Bernardo Silva e Rúben Dias, a equipe caiu só nas quartas de final, para Marrocos. 

Portugal, então comandado por Fernando Santos, havia quase nada em trabalho da comissão técnica em relação a potencializar seus melhores nomes. Foi o mesmo técnico da campanha de oitavas de final de 2018, eliminada pelo Uruguai, desempenho igual de 2010, outra queda para a Espanha. Na Copa do Brasil de 2014, a eliminação veio ainda na fase de grupos, a pior da era Cristiano.

Cristiano Ronaldo na Copa do Mundo de 2014
Cristiano Ronaldo na Copa do Mundo de 2014 (Foto: IMAGO / AFLOSPORT)

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Seleção portuguesa só viu o prime de seu melhor craque uma vez na Copa

A atuação de Cristiano contra Uzbequistão em 2026 foi marcante porque não ocorreu tanto na história das Copas. Ele já tinha marcado oito vezes antes do Mundial atual, contra Espanha, Gana (em dois jogos diferentes), Marrocos e Coreia do Norte, além do Irã.

As grandes atuações, vistas mais no futebol de clubes, não ocorreram com a frequência que se esperava. Frente aos norte-coreanos, talvez a segunda melhor, com gol e assistência, em 2010. Mas era um adversário muito fraco. O CR7 “prime” só foi visto por Portugal em Copas do Mundo uma vez.

Na segunda rodada da fase de grupos de 2018, apareceu o verdadeiro “Robozão” que assombrou a Europa por Real Madrid, Juventus, Manchester United e a própria seleção portuguesa fora de Mundiais. 

Contra a Espanha, fez uma atuação perfeita com três gols que evitaram o revés português. Pedalou e sofreu pênalti para abrir o placar. Finalizou de fora da área e contou com falha inacreditável de David De Gea para empatar. E, aos 42 minutos do segundo tempo, cobrou falta no ângulo para garantir a igualdade no placar de novo. Foi a Copa com melhor desempenho do atacante, com quatro gols.

Foi a única vez que Cristiano Ronaldo participou de gol contra uma campeã mundial em Copas. Passou em branco em outros dois confrontos com a Fúria, com o Uruguai e com a Alemanha, além de um duelo contra Inglaterra, França e Brasil.

Cristiano Ronaldo comemora gol de Portugal na Copa do Mundo de 2018
Cristiano Ronaldo comemora gol de Portugal na Copa do Mundo de 2018 (Foto: IMAGO / PA Images)

Cristiano, no quesito Mundial, fica atrás de outros grandes da história

Em 2006, CR7 era muito jovem; em 2010, não tinha companheiros à sua altura; em 2014, sofria com uma tendinite após uma temporada desgastante no Real Madrid; em 2018, coletivo fraco; em 2022 e 2026, pela idade, já não era o mesmo jogador de antes. 

Um dos maiores jogadores da história nunca conseguiu ser o mesmo em uma Copa do Mundo. Pelé, Lionel Messi, Diego Armando Maradona, Johan Cruyff e Ronaldo Fenômeno, quinteto na lista dos gigantes do esporte junto de Cristiano Ronaldo, tiveram os maiores capítulos de suas carreiras nas Copas ou pelo menos algum grande momento. Não será o caso do português.

O atacante foi impactado por problemas coletivos, individuais, físicos e, sem tirar a responsabilidade, técnicos do próprio jogador. Há também um certo peso de pouco legado antes dele.

Até a primeira Copa de Cristiano, a seleção lusa tinha disputado apenas três Copas do Mundo e três Eurocopas, sem nenhum título. Depois dele, seis participações em Euros e em Mundiais. CR7 foi o pilar da taça europeia de 2016 e também decisivo nas conquistas da Nations League em 2019 e 2025.

— Ganhei três títulos com Portugal. Antes do Cristiano, Portugal não tinha títulos. O principal título foi em 2016, que, para mim, tem a mesma dimensão que uma Copa — disse o jogador de 41 anos após a eliminação.

Sua história abaixo na maior competição do futebol é um arranhão em sua trajetória por seu país, mas não apaga sua história e o legado como o maior jogador de todos os tempos de Portugal.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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