Messi e Mbappé reescrevem os números da Copa do Mundo, mas a prateleira de Pelé continua intocável
Camisa 10 e tricampeão mundial foi ultrapassado em números, mas continua idolatrado pelos feitos na era Jules Rimet
O que não faltou na Copa do Mundo 2026, além de gols, foi a frase de que determinado jogador superou ou igualou algum feito de Pelé. Depois de 56 anos, o Rei do Futebol passou a ter seu trono “ameaçado”. Dois nomes surgem no horizonte da história dos Mundiais: Lionel Messi e Kylian Mbappé, camisas 10 de Argentina e França, respectivamente.
Em sua última Copa do Mundo, Messi repete quase à risca o roteiro de Pelé: tem o melhor desempenho em um torneio com a camisa de sua seleção — tal qual o Rei, em 1970 — e se isola na liderança do ranking com o maior participações para gol. Em números, termina com oito gols e quatro assistências, melhores índices da carreira.
Como a Espanha confirmou o favoritismo e foi campeã da Copa
Estas exibições de Messi em alto nível ajudam a colocar o camisa 10 na mesma prateleira de Pelé. O único recorde que o argentino não deverá igualar é o de maior número de títulos mundiais (o Rei do Futebol se sagrou tricampeão, em 1958, 1962 e 1970). Isso não diminui, no entanto, seus feitos com a camisa albiceleste — e também servem para respeitar o legado do maior jogador da história do futebol brasileiro.
Não por acaso Messi e Pelé também trilharam caminhos semelhantes na carreira. Depois de deixar o Santos, onde conquistou o mundo, o Rei do Futebol rumou ao Cosmos, de Nova York, na década de 1970; o argentino, pós-Barcelona, foi contratado pelo Inter Miami. Na final, o tricampeão mundial também teve sua carreira relembrada durante o show do intervalo no MetLife Stadium.
Mbappé, idem. Em 2018, o atacante, com 19 anos, igualou Pelé como o segundo jogador mais jovem a anotar em uma final de Mundial. Depois de três torneios, além de ser o único atleta a conquistar a artilharia em duas ocasiões, superou a artilharia histórica do Mundial — à frente de Messi.
Messi poderia se equiparar a Pelé com título em 2026
Messi chegou a 33 participações a gol com seus números na campanha do tetracampeonato da Argentina. Superou os índices de Pelé, que disputou quatro Copas — sendo que em 1962 só pôde jogar a estreia antes de se lesionar, e foi substituído por Amarildo.
A Copa do Mundo de 1970 é o grande feito da carreira de Pelé.
Ao derrotar a Itália, liderando um elenco estrelado com Tostão, Jairzinho, Gérson e Rivellino, o Brasil conseguiu dominar a Jules Rimet para si. A edição que transformou a importância e o impacto da competição. O camisa 10, no Estádio Azteca, abriu o placar na final, de cabeça, e deu a assistência para o gol de Carlos Alberto Torres para fechar a goleada empolgante por 4 a 1 em 21 de junho.
“Taça é do povo. Pelé oferece a grande vitória a 90 milhões de brasileiros”, destacou o “Jornal dos Sports” à época. Quando conquistou a Jules Rimet em definitivo aos 29 anos, o atacante já se colocava nas conversas de melhor jogador da história do esporte. E mesmo com idade para disputar os Mundiais de 1974 e 1978, encerrou seu ciclo no México.
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Foram 12 gols marcados em Copas do Mundo, e nove assistências. Somente Messi conseguiu igualar estas estatísticas do Rei do Futebol, na Copa do Mundo do Catar, depois de 52 anos. Foi preciso um craque geracional como Messi para equiparar as conquistas individuais de Pelé. Em campo, e na idolatria, o camisa 10 da Argentina pode entrar no debate sobre o melhor jogador da história do futebol.
Para as novas gerações, as três Copas como melhor jogador do mundo fazem com que Messi se equipare a Pelé. Além de 2026, o argentino comandou a seleção às finais em 2014 e 2022. Nas suas outras três participações (2006, 2010 e 2018), atuações discretas, e eliminações precoces nos Mundiais.
— Messi jogou tantos anos na Espanha e é o maior jogador da história do futebol, não há mais dúvidas disso — afirmou Lionel Scaloni, técnico da Argentina, antes da final contra a Espanha.
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Números de Messi e Mbappé o colocam na conversa com ídolos da Copa do Mundo
Para a idolatria argentina, Messi ainda se equipara com Diego Armando Maradona, “El Dios”, campeão mundial em 1986. Mas em qualidade técnica, em números e nas marcas alcançadas, o camisa 10 está em uma categoria acima.
Já na Copa de 2022, Messi já havia ultrapassado a marca de Pelé, com 13 gols. Cabe ressaltar que o Rei do Futebol chegou a esses números em menos jogos (12 gols em 14 partidas). O camisa 10 da Argentina disputou seis Copas — contra quatro do brasileiro — para assumir a artilharia histórica da Copa do Mundo.
Foram 21 gols em 33 jogos (média de 0,63 por jogo). A longevidade do atacante do Inter Miami o coloca à frente de Pelé — que só disputou quatro Mundiais, entre 1958 e 1970, ao longo da carreira. Além dessa estatística, só fica atrás na artilharia histórica de Kylian Mbappé, que chegou a 22 gols durante este Mundial.
Artilharia das Copas do Mundo
- Kylian Mbappé (França) – 22 gols
- Lionel Messi (Argentina) – 21 gols
- Miroslav Klose (Alemanha) – 16 gols
- Ronaldo (Brasil) – 15 gols
- Gerd Müller (Alemanha) – 14 gols
- Harry Kane (Inglaterra) – 14 gols
- Just Fontaine (França) – 13 gols
- Pelé (Brasil) – 12 gols
O francês é outro a entrar na conversa pelo protagonismo de Pelé. Aos 27 anos, Mbappé já disputou duas finais de Copa (venceu em 2018 e foi vice em 2022) e reina isolado na artilharia do torneio, tendo disputado o Mundial apenas três vezes. Se chegar à mesma quantidade de torneios de Messi, e continuar com esta média de gol, pode superar a casa dos 30 tentos em Mundiais.
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Ainda assim, Mbappé não esconde a idolatria que tem por Pelé. Quando superou os números do camisa 10 e tricampeão com o Brasil, foi enfático: “Ele é o Rei. É o melhor”, após a vitória sobre Senegal, na estreia.
Morto em dezembro de 2022, Pelé tem este legado na mente das novas gerações. E ainda que não esteja no top 5 de artilharia, os feitos com a seleção brasileira na era Jules Rimet reforçam o ineditismo que o Rei do Futebol conquistou nas Copas.