Espanha vê setor menos badalado ser o maior destaque de segundo título mundial
Título da Copa do Mundo da seleção espanhola veio com apenas um gol sofrido em oito jogos
O título mundial da Espanha neste domingo (19) justificou o status que a equipe tinha antes da Copa do Mundo começar. Junto da França — derrotada pela Fúria na semifinal –, era apontada como a maior favorita a levantar a taça por seu trabalho coletivo que potencializa o meio-campo badalado, por Rodri, Fabián Ruiz, Pedri e Dani Olmo, e o ataque com Lamine Yamal e Nico Williams, destaques no título da Eurocopa de 2024.
Para ser campeão nos Estados Unidos, porém, teve uma participação ainda maior o setor menos falado do time: a defesa. O goleiro Unai Simón, os laterais Pedro Porro e Marc Cucurella e os zagueiros Aymeric Laporte e Pau Cubarsí fizeram um enorme torneio, com pelo menos metade deles na seleção do torneio, merecidamente.
Em toda a campanha, a seleção espanhola só tomou um gol, da Bélgica, na vitória por 2 a 1 nas quartas de final. É a campeã mundial com menor número de gols sofridos na história das Copas. Um feito do tamanho do nível de seus defensores.
Cubarsí, melhor jovem e melhor zagueiro, e Laporte, o complemento perfeito
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Um garoto de 19 anos ter a personalidade para ser o zagueiro titular de uma campeã mundial é para poucos. Cubarsí, já dono da posição no Barcelona desde os 18, se consolidou em uma posição concorrida na Espanha. Tão qualificada que nomes como Dean Huijsen, Pau Torres e Robin Le Normand nem foram convocados.
O jovem defensor foi um pilar na construção ofensiva de sua seleção ao longo da Copa. Foi um dos líderes em passes certos e ações com bola em todo o torneio. Quando era pouco pressionado pela marcação dos atacantes, poderia conduzir até próximo da entrada da área. Por lá, mandou uma bomba que deu o rebote para o gol da classificação sobre a Bélgica, o que também fez contra a Argentina, exigindo defesa de Dibu Martínez.
Na decisão contra a Argentina, inclusive, reforçou todas suas características ofensivas, mas também mostrou que pode ser um zagueiro mais “raiz” em alguns momentos. Entre todos que entraram em campo, foi o líder em ações defensivas (oito) e em cortes (seis).
Números de Cubarsí na Copa do Mundo de 2026
- 671 passes certos (2º em toda a competição)
- 31 cortes (10º)
- 1610 envolvimentos no jogo (2º)
Fonte: “SofaScore” e Fifa
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O parceiro do jovem na zaga, Laporte, não fica muito atrás. Canhoto, sempre se destacou pelo jogo com a bola no pé — não à toa, atuou por anos no Manchester City de Pep Guardiola.
O francês naturalizado espanhol também serviu para ser um complemento a seu colega na defesa, mais forte e alto (1,91m), sendo o alvo dos embates mais individuais e o cara para tirar os cruzamentos que vieram rumo à área.
Números de Laporte na Copa do Mundo de 2026
- 616 passes certos (3º)
- 15 interceptações (1º)
- 29 cortes (17º)
- 14 duelos aéreos ganhos (15º)
- 18 duelos aéreos ganhos (3º)
- 1445 envolvimentos no jogo (3º)
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Cucurella e Pedro Porro, pilares do ataque e da defesa da Espanha
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Com funções diferentes, os laterais espanhóis foram destaques absolutos. Marc Cucurella brilhou na área que faz a diferença na sua carreira: a luta e entrega. Se doa e corre o tempo inteiro, sempre batalhando pela bola. Taticamente, era decisivo para subir e ocupar o corredor como um ponta esquerda no momento ofensivo, dando liberdade para Alex Baena ser mais um por dentro.
Contra a Áustria, o ala do corredor canhoto viveu o auge na campanha, com duas assistências em passes para trás. José Mourinho o aguarda com grandes expectativas no Real Madrid para a próxima temporada.
Números de Cucurella na Copa do Mundo de 2026
- 2 assistências (13º)
- 382 passes certos (20º)
- 1032 envolvimentos com o jogo (8º)
Já Pedro Porro tinha função diferente. Como Yamal ocupava a ponta, o jogador do Tottenham precisava trabalhar por dentro e ser mais um meia. Em muitas oportunidades, subiu apenas para ser um apoio ao ponta, como no cruzamento que teve o desvio de Nico Williams antes do gol do título de Ferran Torres. Em outros, para surpreender, dando superioridade numérica.
Uma tabela espetacular com Dani Olmo fez Porro marcar um golaço que confirmou a vitória sobre a França. Antes, quase como um atacante, marcou de cabeça na área contra a Áustria. O lateral, inclusive, foi se consolidando na função durante a Copa. Na estreia e no último jogo da fase de grupos, foi reserva para Marcos Llorente.
Números de Porro na Copa do Mundo de 2026
- 25 duelos pelo chão ganhos (30º)
- 14 desarmes (20º)
- 8 interceptações (15º)
- 1009 envolvimentos com o jogo (9º)
Unai Simón, questionado e bancado por Luis de la Fuente
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O nome de menos destaque da defesa espanhola foi seu goleiro. O sistema defensivo do técnico Luis de la Fuente, sufocando os adversários com uma forte pressão e uma linha defensiva muito alta, protegeu Simón.
Em oito jogos, ele fez apenas dez defesas (26º em toda a competição) — Dibu Martínez, só na final, teve 11 intervenções. Passou sete partidas sem sofrer gol. No acumulado, evitou apenas 0,68 gol, 15º na estatística. Até por isso, o prêmio de melhor goleiro é questionável.
Ao mesmo tempo, foi importante na construção ofensiva. É um goleiro que não tem problema nenhum em ter a bola no pé. Contra a França, Simón quebrou a pressão adversária com seus lançamentos e bons passes. Por ficar muito adiantado, evitou que Lionel Messi, na final, ficasse sozinho de frente para o gol ao antecipar o atacante ainda com o placar zerado. Em toda a Copa, somou 84 ações com bola longe da área.
Unai ainda superou a desconfiança do público. Pelo Athletic Bilbao, o arqueiro não tem vivido um momento tão regular. Isso tendo como reserva David Raya, melhor goleiro da Inglaterra, e Joan García, melhor do futebol espanhol. A pressão na imprensa local era grande para uma mudança.
De la Fuente bancou o goleiro e colheu frutos para o título mundial que tem a assinatura do técnico no sistema defensivo implementado e nas escolhas dos defensores.
Números de Unai Simón na Copa do Mundo de 2026
- 10 defesas (26º)
- 12 saídas do gol (1º)
- 108 ações dentro da área (9º)
- 84 ações fora da área (13º)