Copa do Mundo 2026

Orgulho, choro e futuro: Scaloni evita promessa de permanência e emociona ao falar da Argentina

Técnico argentino exalta campanha, evita decisão imediata sobre sequência no cargo e admite necessidade de reflexão após vice para Espanha

A derrota por 1 a 0 para a Espanha, na final da Copa do Mundo 2026, encerrou um ciclo? Lionel Scaloni preferiu não responder de forma definitiva. Ainda abalado pelo vice-campeonato em Nova Jersey, o treinador argentino concedeu uma entrevista coletiva marcada por emoção, longas pausas e reflexões sobre o futuro.

Em determinado momento, não conseguiu conter as lágrimas e foi aplaudido pelos jornalistas presentes, em uma demonstração de reconhecimento pela trajetória construída à frente da Albiceleste.

O resultado foi doloroso. A Argentina pouco produziu ofensivamente, passou os 90 minutos regulamentares sem sequer finalizar e acabou castigada na prorrogação pelo gol de Ferran Torres. Ainda assim, Scaloni fez questão de separar a frustração da decisão do legado construído por um grupo que, segundo ele, dificilmente voltará a existir nos mesmos moldes.

Desde que assumiu a seleção principal, em 2018, o jovem técnico transformou uma equipe que vivia um período de incertezas em uma das grandes potências do futebol mundial. Sob seu comando, a Argentina voltou a conquistar a Copa América após quase três décadas de jejum, ergueu a Copa do Mundo de 2022 e voltou a faturar a Copa América em 2024.

Independentemente do desfecho em 2026, seu nome já ocupa lugar entre os técnicos mais importantes da história da seleção. Mas o próprio Scaloni deixou claro que esse histórico não basta para responder imediatamente sobre os próximos passos.

Entre lágrimas, Scaloni admite desgaste e evita falar em continuidade

Scaloni cabisbaixo após vice argentino
Scaloni cabisbaixo após vice argentino (Foto: Allstar Picture Library / IMAGO)

Questionado sobre o futuro, o treinador revelou que precisa de tempo antes de tomar qualquer decisão. Seu contrato com a Federação Argentina é válido até dezembro deste ano, e as conversas para uma renovação já vinham acontecendo nos últimos meses. Apesar da boa relação com Claudio Tapia, presidente da entidade, o técnico indicou que o momento exige reflexão antes de qualquer definição.

— Tenho que agradecer pelo lugar que estou, sonhado por todos. Tentamos dar o máximo até o último momento. É justo que possa tomar esse tempo e pensar. Este lugar é maravilhoso. Um lugar sonhado.

Após interromper a resposta por causa da emoção, Scaloni retomou o raciocínio e demonstrou preocupação com o tamanho do desafio que teria pela frente caso permanecesse no cargo.

— Na minha vida, nunca imaginei — assim como todos nós da comissão técnica — estar nesta situação. Portanto, para seguir em frente, são necessárias muitas coisas, sobretudo recomeçar do zero, formar novamente um grupo como este, que dificilmente se repetirá, e isso me dói na alma.

As palavras carregam um peso que vai além do resultado da final. A atual geração argentina foi construída ao longo dos últimos anos, consolidando uma identidade competitiva e um ambiente interno frequentemente elogiado pelos próprios jogadores. A possibilidade de iniciar um novo ciclo, com mudanças inevitáveis no elenco, aparece como um dos principais fatores que alimentam as dúvidas do treinador.

Scaloni também foi perguntado sobre Lionel Messi. Havia expectativa em torno de uma eventual despedida do camisa 10 da seleção após o Mundial, mas o comandante afirmou que sequer conversou com o capitão sobre esse assunto.

— Não, não me disse (aposentadoria de Messi). A verdade é que não falei com Leo. Vou falar com o presidente. Sei do que quero fazer. Vou cumprir o contrato. Sinto a necessidade também de pensar, porque não sei se vou poder fazer algo tão grande como isso e melhor. Tenho que falar. Tenho que agradecer ao presidente por estar nesse lugar.

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Reconhecimento pela campanha e defesa de um grupo histórico

Scaloni está à frente da seleção argentina desde 2018
Scaloni está à frente da seleção argentina desde 2018 (Foto: Moritz Müller / IMAGO)

Mesmo decepcionado com a atuação da final, Scaloni evitou reduzir a campanha argentina aos 120 minutos disputados contra a Espanha. O treinador preferiu destacar a capacidade de reação demonstrada pela equipe ao longo do mata-mata, quando a Albiceleste precisou superar uma sequência de confrontos extremamente exigentes para alcançar a decisão.

Scaloni pediu que o torcedor não enxergasse apenas o resultado da decisão, mas todo o percurso realizado por um elenco que, em sua visão, continuará sendo lembrado pelo espírito competitivo.

— Creio que é difícil fazer as pessoas entenderem que devem aproveitar um vice-campeonato. Mas saibamos que é um triunfo também. É difícil que eles entendam. Espero que as pessoas sejam conscientes de como conseguimos as coisas. Já chorei tudo que tive que chorar no vestiário. Só tenho que agradecer. Enfrentamos uma grande equipe. E cada jogador da Espanha nos disse que os surpreendemos com a forma como competíamos. E que as futuras gerações saibam disso e que continuem vendo.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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