Copa do Mundo 2026

Ferran Torres vai de críticas e prece ao heroísmo em título da Espanha na Copa do Mundo

Atacante do Barcelona chega a seu primeiro gol no Mundial no momento mais importante de sua carreira, após sofrer com questionamentos durante a campanha do bicampeonato

Ferran Torres não viveu a Copa do Mundo que queria. Na estreia contra Cabo Verde, perdeu um gol de cara com Vozinha, no travessão; contra a Arábia Saudita, “implorou” aos céus para que sua bola na rede não fosse anulada por impedimento. Tudo isso ficou para trás com seu gol diante da Argentina, que levou a Espanha à segunda glória na história do torneio.

Titular na estreia, Ferran perdeu espaço para Lamine Yamal. Mesmo que o astro da seleção espanhola não tenha se destacado durante a campanha do título nos Estados Unidos, não deixou de estar entre os 11 iniciais de Luis de la Fuente. O outro atacante do Barcelona, questionado e criticado, precisou de 13 finalizações até que, no segundo tempo da prorrogação contra a Argentina, conseguisse ir às redes pela primeira vez.

Depois de desvio de cabeça de Nico Williams, Torres se viu diante do gol de Dibu Martínez, em lance semelhante àquele que o frustrou contra Cabo Verde. Desta vez, em vez de levar a bola ao travessão, acertou finalização de primeira para selar a vitória de uma Espanha dominante, com um jogador a mais, e que não permitiu quaisquer finalizações da Argentina até marcar o único gol do jogo.

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Explosão de Ferran Torres na comemoração explica pressão de atacante na Copa do Mundo

A pressão que Ferran viveu no ataque da Espanha o incomodou durante a Copa do Mundo. Além de não conseguir auxiliar nos momentos em que esteve em campo — com exceção da final —, mostrou evidente incômodo com o jejum de gols.

Na segunda partida da Espanha no Mundial, contra a Arábia Saudita, Torres sentiu a dor de ter que aguardar para ter seu gol validado. “Por favor, que seja gol”, chegou a dizer o atacante, que esperava a revisão do impedimento pelo árbitro de vídeo. Esse gol demorou 28 dias para ser confirmado, no momento mais importante de sua carreira.

Ferran Torres e Lamine Yamal comemoram gol da Espanha na final da Copa (Foto: Paul Terry / Sportimage via IconSport)
Ferran Torres e Lamine Yamal comemoram gol da Espanha na final da Copa (Foto: Paul Terry / Sportimage via IconSport)

Ferran finalizou com força contra a meta de Dibu Martínez. Na comemoração, quebrou a bandeira de escanteio, pouco antes de ser abraçado por todos os seus companheiros em campo. Ainda teve outra oportunidade para ampliar o marcador, mas teve o gol anulado por impedimento no segundo tempo da prorrogação — mas que pouco importou para o resultado final.

— Um gol para 47 milhões de torcedores. Acho que hoje o destino estava escrito. Estava feito para ganharmos — afirmou Ferran Torres, logo após a final.

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Ferran Torres se iguala a Iniesta na história da Espanha em Copas do Mundo

A Espanha foi melhor do que a Argentina durante os 120 minutos no MetLife Stadium. Mas, assim como em 2010, quando conquistou seu primeiro título mundial, não conseguiu incomodar seu adversário até a prorrogação.

Na África do Sul, foi a vez de Andrés Iniesta dar a primeira glória espanhola em Copas do Mundo; nos Estados Unidos, essa responsabilidade coube a Ferran Torres, que, diferentemente do ex-Barcelona, não foi unanimidade da Espanha. Em 2010, o meio-campista chegou a ser cotado para receber a Bola de Ouro da Fifa e da France Football.

Ferran Torres não terá esse gostinho. Mas entra em um rol de heróis improváveis das Copas: Mario Götze, da Alemanha, em 2014; Marco Materazzi, da Itália, em 2006; e até Amarildo, do Brasil, em 1962. Repete também a campanha da Eurocopa, em que só marcou um único gol para auxiliar a Espanha ao título na Alemanha.

Ferran se sobressaiu em uma final que estava destinada a Lionel Messi e Yamal. E agora, após celebrar a conquista na América do Norte, deverá seguir seu caminho distante dos 47 milhões que comemoraram na Espanha, com o interesse do Paris Saint-Germain.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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