Copa do Mundo

Gabriel Jesus quer ser o 9 que Diniz tanto procura na Seleção e acirra disputa com Richarlison

Richarlison não tem agradado na Seleção e aumenta busca de Diniz por um camisa 9; Gabriel Jesus, em ótima fase no Arsenal, quer pedir passagem

Gabriel Jesus fez questão de mostrar que está disposto a tudo para brigar por uma vaga no sistema ofensivo da Seleção, e isso inclui abrir mão de ser camisa 9 com Fernando Diniz se necessário. Mas é justamente na função de centroavante que ele pode aparecer na equipe titular que enfrenta o Uruguai nesta terça-feira (17), às 21h (horário de Brasília), no Estádio Centenário, em Montevidéu, pela quarta rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

A entrada do atacante do Arsenal no lugar de Richarlison na referência do ataque pode ser um dos efeitos colaterais do empate em 1 a 1 com a Venezuela, na última quinta-feira (12), na Arena Pantanal. Após a partida, Diniz se mostrou mais preocupado com o gol sofrido, mas ele transpareceu também que o tropeço passou pela falta de efetividade de seus atacantes.

Jesus e Richarlison disputam única vaga aberta no ataque

A referência do ataque hoje é a única função aberta do meio para frente. Rodrygo, Neymar e Vini Jr são intocáveis no esquema de Diniz. O mesmo, porém, não se pode dizer de Richarlison. O treinador saiu em defesa de seu camisa 9 e o bancou no time no empate com a Venezuela, na última quinta-feira (12). Mas a disputa pela vaga está mais acirrada do que nunca.

Até porque uma estatística evidencia a necessidade de a Seleção encontrar uma camisa 9 o quanto antes. Sete jogadores atuaram como centroavante pelo Brasil em 2023. Nenhum deles marcou um gol sequer vestindo verde e amarelo.

A Trivela apurou que o técnico pretendia usar Gabriel Jesus desde a sua primeira convocação pela Seleção. Mas os planos foram frustrados pela recuperação de uma cirurgia no joelho direito. O problema tirou o atacante do Arsenal da lista, mas ele foi chamado de última hora, devido ao corte de Antony. Mesmo assim, o Pombo foi o titular nos dois jogos, que se provaram traumáticos.

Richarlison perdeu chances e chorou no banco de reservas na goleada por 5 a 1 sobre a Bolívia, no Mangueirão. Depois, até marcou na vitória por 1 a 0 do Brasil sobre o Peru, mas o gol foi anulado por impedimento assinalado pelo VAR. Após a partida, o camisa 9 expôs problemas pessoais e disse que buscaria ajuda psicológica. O retorno à Seleção para esta Data Fifa foi em novo momento, de renascimento no Tottenham e de esperança para encerrar o jejum. Tanto, que Diniz o bancou no time.

– Ela é uma escolha técnica. Se o Richarlison tivesse feito um gol em cada partida, que ele teve chances para fazer, a gente ia estar falando que ele jogou super bem. Ele não fez gol, mas jogou bem os dois jogos. Emocionalmente é importante, mas é uma escolha técnica – afirmou Diniz.

 

Mobilidade é trunfo para Jesus

A escolha técnica se provou infrutífera. Richarlison pouco participou do jogo, e quando a bola chegou, ele não conseguiu dar sequência às jogadas. Jesus entrou no segundo tempo e não fez lá muita coisa, é verdade. Mas o atacante tem a mobilidade como trunfo para ganhar a vaga no time. O jogador do Arsenal, aliás, ouviu do próprio Diniz as orientações do que precisa fazer para ter espaço entre os titulares.

O treinador quer ver o “Gabriel do Palmeiras” na Seleção. O técnico pediu a Jesus para que ele jogue “solto” quando atuar centralizado. Diniz entende que o atacante pode render mais na função se usar sua velocidade com movimentações de infiltração para abrir espaço nas defesas adversárias. Pelo Arsenal, o jogador foi o nove em sua primeira temporada. Mas em 2023/24, ele tem atuado em outras funções, inclusive mais como ponta diante dos desfalques recentes.

– Eu no Palmeiras eu fazia bastante isso, quando comecei a jogar mais centralizado. Jogava muito solto, fazendo muito facão. O Diniz, a primeira coisa que me falou na outra convocação foi que queria ver o Gabriel do Palmeiras, do City. Quando joguei com o Agüero, eu que fazia mais. No Arsenal, estou solto também, trocando com o Martinelli (na esquerda). Mas lá é um jogo mais controlado, outra parada. Mas a gente acompanha o trabalho do Diniz e não é à toa que está na final da Libertadores – revelou Jesus.

Seleção é vice-líder e se prepara para clássico

A Seleção perdeu a liderança das Eliminatórias para a Argentina com o empate contra a Venezuela. A Albiceleste é única equipe com 100% de aproveitamento até agora. O Brasil é vice-líder, com sete pontos. O clássico contra o Uruguai será nesta terça-feira (17), às 21h (horário de Brasília), no Estádio Centenário, em Montevidéu, pela quarta rodada.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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