Grupo I da Copa do Mundo: O que você precisa saber sobre França, Senegal, Iraque e Noruega
Grupo da morte tem uma das principais favoritas ao título e duas fortes candidatas a ir longe no torneio
Se a Copa do Mundo de 2026 tem um grupo da morte, ele é o Grupo I. A atual vice-campeã França chega como favorita, mas terá que encarar logo de cara Senegal e Noruega — duas das surpresas mais apontadas para o torneio –, além de um Iraque que “vai jogar sem medo”.
Os dois jogos iniciais do grupo acontecem no dia 16 de junho. França e Senegal inauguram a chave às 16h (horário de Brasília), em Nova York. Iraque e Noruega entram em campo às 19h (horário de Brasília), em Boston.
Conheça melhor as seleções do Grupo I da Copa do Mundo.
FRANÇA
- Técnico: Didier Deschamps
- Capitão: Kylian Mbappé
- Como se classificou: Líder do grupo D das Eliminatórias Europeias
- Participações em Copa: 17
- Melhor participação: Campeã (1998 e 2018)
- Desempenho na última participação: Vice-campeã (2022)
O que você precisa saber sobre a França
Por sua geração muito talentosa, com o melhor grupo de atacantes do mundo, a França não viu seu status de favorita mudar entre a final da Copa do Mundo perdida em 2022 e a preparação para 2026. Na verdade, até reforçou isso com a ascensão de mais nomes: Michael Olise virou um dos melhores do mundo depois de sua ida ao Bayern de Munique, Rayan Cherki chegou à Premier League, Desiré Doué foi um dos pilares do PSG campeão europeu e Ousmane Dembélé até conquistou a Bola de Ouro.
Kylian Mbappé, agora como capitão, chega com parceiros melhores do que nos dois Mundiais anteriores – em 2018, veio o título em cima da Croácia. O craque francês seguiu como principal destaque dos Bleus, com 20 gols desde 2023, mas apenas um no maior teste do período: a Eurocopa de 2024. A França decepcionou em desempenho em quase toda a campanha, só tendo uma boa partida contra a Espanha na eliminação na semifinal. Inclusive, o mesmo adversário, na mesma fase, foi onde parou na Nations League de 2025.
A França ainda é um time muito conservador com Didier Deschamps, algo que não surpreende, pois é o mesmo que o técnico faz desde 2012. Apesar de tanto talento à disposição, a organização defensiva é o pilar do time, nem sempre dominando a bola. Na Data Fifa de março, porém, se provou com mais repertório ofensivo com vitórias impressionantes sobre Brasil e Colômbia.
É a maior favorita para o título da Copa, superando, pelo contexto de lesões, a campeã europeia Espanha. Chega para o último Mundial sob o comando de Deschamps, que cederá espaço para Zinedine Zidane após julho. A maior geração francesa da história chega para fazer história novamente e reforçar o melhor momento de seu futebol.
O que esperar da França
O título para a seleção francesa é o caminho ideal e, nas prévias, o mais possível em comparação com as outras concorrentes. É a seleção com maior talento, menos lesões que a Espanha e está em melhor momento que Argentina, Brasil e Inglaterra.
Uma queda precoce, antes da semifinal, seria frustrante para os franceses e até surpreendente. Caso França e Espanha avancem em primeiro em seus grupos, eles poderiam se encontrar na semifinal, o que seria uma eliminatória aberta e equilibrada – como provam as disputas na Euro e na Nations.
Provável escalação da França (4-2-3-1): Mike Maignan, Jules Koundé, Dayot Upamecano, Ibrahima Konaté e Theo Hernández; Aurélien Tchouaméni e Adrien Rabiot; Michael Olise, Ousmané Dembélé e Désiré Doué; Kylian Mbappé
Destaque
Entre a última Copa e a que inicia nos próximos dias, Kylian Mbappé deixou o PSG e fechou com o Real Madrid. A fase por clubes segue incrível: somou 86 gols em 103 partidas na Espanha, onde, porém, ainda não conseguiu conquistas coletivas.
Na França, seu status e responsabilidade ficaram ainda maiores com a braçadeira de capitão — o que gerou polêmica na época —, mas, como o craque que é, não sente mais pressão. É um jogador absolutamente decisivo, autor de hat-trick na última final da Copa, e que pode mudar jogos só com um lance. Contra o Brasil em março, precisou de uma bola para abrir o placar em uma bela cavadinha.
Fique de olho
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Rayan Cherki não deve ser titular na Copa, mas é um dos jogadores mais inventivos do elenco bleu. O craque do Manchester City, meia que pode tirar da cartola um passe decisivo na mesma medida que embaixadinhas apenas para divertir quem está assistindo, busca trazer o “futebol arte” dos anos 2000 de volta com seu estilo de jogo.
É um cara para parar e acompanhar quando estiver em campo. Saindo do banco de reservas, promete ser uma arma importante da França, pegando defesas cansadas e podendo exibir sua qualidade técnica.
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SENEGAL
Técnico: Pape Thiaw
Capitão: Kalidou Koulibaly
Como se classificou: Líder do Grupo B das Eliminatórias Africanas
Participações em Copa: 4
Melhor participação: Quartas de final (2002)
Desempenho na última participação: Oitavas de final (2022)
O que você precisa saber sobre Senegal
Senegal briga pelo título de melhor seleção africana nesta Copa do Mundo, em pé de igualdade com Marrocos, semifinalista em 2002. Sob o comando de Pape Thiaw, a equipe conquistou a vaga para a Copa do Mundo de forma invicta. Esta será a terceira participação consecutiva da equipe no principal torneio do mundo.
No início deste ano, o duelo entre Marrocos e Senegal, pela final da Copa Africana de Nações, ainda deixa marcas na seleção. Revoltados com a arbitragem, com uma penalidade assinalada a favor dos donos da casa no último minuto da partida, os senegaleses chegaram a deixar o gramado, mas voltaram atrás e venceram a partida por 1 a 0 na prorrogação. Nos tribunais, o título foi dado para Marrocos, mas o caso não está encerrado.
Thiaw sucedeu Aliou Cissé no comando da seleção senegalesa em 2024, depois de pressão do governo para a saída do treinador. Sob sua liderança, Senegal chegou a derrotar a Inglaterra em amistoso disputado no último ano e busca superar ou igualar a fase de quartas de final alcançada em 2002, em sua primeira Copa do Mundo.
O que esperar de Senegal
Senegal, apesar de impulsionado pelos bons resultados recentes, chega pressionado no grupo da morte da Copa do Mundo, ao lado de França, Noruega e Iraque. Se avançar, pode ter uma revanche com a Inglaterra já na fase de 16-avos de final. A aposta é que Senegal, pelo caminho do mata-mata, não vá além das oitavas.
Escalação provável de Senegal (4-3-3): Edouard Mendy; Krépin Diatta, Moussa Niakhaté, Kalidou Koulibaly e Ismail Jakobs; Idrissa Gueye, Lamine Camara e Pape Gueye; Ismaïla Sarr, Sadio Mané e Nicolas Jackson.
Destaque
Sadio Mané é o principal nome de Senegal — e talvez até o maior nome da história do país. Vencedor de duas Bolas de Ouro africanas, o atacante ex-Liverpool, e atualmente no Al-Nassr, disputará seu segundo Mundial (foi cortado em 2022 por lesão) e chega impulsionado para igualar os feitos daqueles que vieram antes no futebol senegalês.
Nesta temporada, conquistou seu primeiro título pelo Al-Nassr, ao lado de Cristiano Ronaldo, com o Campeonato Saudita. Além disso, na decisão da Copa Africana de Nações, foi um dos responsáveis por recolocar o elenco senegalês em campo contra Marrocos — e agora busca manter o título nos tribunais.
Fique de olho
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Diante das dúvidas na posição de centroavante do Senegal, Ismaila Sarr chega como mais uma opção de destaque no ataque da seleção. O atacante de 28 anos viveu mais uma temporada dos sonhos com o Crystal Palace, campeão da Conference League, foi eleito o melhor jogador da equipe inglesa e da competição europeia. Foram 21 gols marcados em 45 jogos.
Iraque
- Técnico: Graham Arnold
- Capitão: Aymen Hussein
- Como se classificou: Repescagem internacional (venceu a Bolívia)
- Participações em Copa: 2
- Melhor participação: Fase de grupos (1986)
- Desempenho na última participação: Fase de grupos (1986)
O que você precisa saber
Muita coisa mudou no Iraque desde a última participação em Mundial. Em 2003, o país foi invadido pelos Estados Unidos sob a premissa falsa de possuir armas de destruição em massa e laços com o terrorismo, derrubando o regime de Saddam Hussein. Dali em diante, a nação passou a conviver com o terror constante dos conflitos e da instabilidade política, além das ações violentas dos grupos extremistas Al-Qaeda e ISIS (Estado Islâmico).
O cenário caótico afeta diretamente o futebol, que, apesar de todas as dificuldades, viu a seleção iraquiana conquistar a inédita Copa da Ásia em 2007. Contudo, no cenário das Eliminatórias Asiáticas para a Copa, a vaga sempre ficava pelo caminho. Parecia que o roteiro iria se repetir após um início inconstante no qualificatório com Jesús Casas, que chegou às oitavas de final do torneio continental em 2023. Graham Arnold assumiu no início do ano passado e conseguiu a vaga na repescagem internacional priorizando a disciplina tática e mudança de mentalidade.
Devido à diáspora causada pela guerra, diversos jogadores do atual elenco nasceram em território estrangeiro, mas escolheram representar suas raízes iraquianas, fortalecendo o time. A seleção também voltou a mandar seus jogos em casa após anos atuando em outros países por questões de segurança. Contudo, devido à guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, o Oriente Médio teve seu espaço aéreo fechado às vésperas da decisão contra a Bolívia, o que impactou diretamente na preparação do treinador australiano.
A seleção iraquiana enfrentou uma viagem de 12 horas de carro de Bagdá a Amã, na Jordânia, e depois mais 17 horas de voo rumo ao México para jogar os playoffs da Copa do Mundo e vencer a Bolívia por 2 a 1. Como definido pelo próprio comandante, “cada um desses jogos foi uma luta pela sobrevivência ou uma batalha desesperada”. E, por mais improvável que a classificação parecesse, a equipe continuou se superando dia após dia no ciclo até garantir o carimbo no passaporte rumo aos EUA, México e Canadá.
O que esperar do Iraque
O Iraque não teve muita sorte no sorteio da Copa, caindo em uma das chaves mais difíceis. No Grupo I, ao lado de França, Senegal e Noruega, a classificação à próxima fase seria considerada um milagre, já que está em um nível bem abaixo dos rivais no quesito competitividade. Mesmo assim, a seleção vai tentar aprontar para cima das favoritas, dificultando as partidas o máximo possível. Pelo menos, essa é a previsão de Arnold, que deixou claro que “vai jogar sem medo”, pois a obrigação de vencer está do outro lado.
Não custa lembrar que, em sua primeira e única participação no torneio em 1986, a equipe perdeu por apenas um gol de diferença para Paraguai, México e Bélgica. A mera presença no Mundial já é uma conquista para a seleção iraquiana, que vai fazer de tudo para honrar seu povo na América do Norte — nem que seja com apenas um gol marcado ou ponto conquistado. O australiano acredita que seu time “não tem nada a perder”, o que pode servir como combustível para protagonizar uma história que será lembrada pela eternidade.
Escalação provável do Iraque (4-4-2): Jalal Hassan; Hussein Ali, Zaid Tahseen, Akam Hashim, Merchas Doski; Aimar Sher, Amir Al-Ammari, Youssef Amyn, Ali Jasim; Ali Al-Hamadi e Aymen Hussein
Destaque
O grande herói do Iraque é Aymen Hussein, quinto maior artilheiro da história de sua seleção. Foi dos pés do centroavante o gol que garantiu a vitória sobre a Bolívia na repescagem internacional. Com 1,89m de altura, se destaca pela imposição física e forte cabeceio, como um típico camisa 9. Além da ameaça no jogo aéreo, também costuma pressionar a defesa adversária para atrapalhar a saída de bola.
Como qualquer outro civil, Hussein também é vítima dos horrores do início do século. Em 2008, seu pai, que era um oficial do exército iraquiano, foi assassinado pelos extremistas. Já em 2014, viu seu irmão mais velho, que também serviu às forças armadas, ser sequestrado pelos radicais. Seu paradeiro é desconhecido até hoje. O futebol serviu como refúgio para o jogador de 30 anos, que se tornou um ídolo local e liderança da seleção.
Fique de olho
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Marko Farji, nascido em Grimstad, na Noruega, chamou a atenção de Aston Villa, Liverpool e Manchester City durante sua infância, porém, aos 11 anos, não foi aceito nas categorias de base inglesas porque “não era forte o suficiente”, e precisava evoluir tanto em aspectos físicos, quanto mentais. Abalado pelo feedback negativo, o atacante cumpriu tais requisitos no Stromsgodset, onde fechou 2025 com nove gols e quatro assistências em 30 partidas.
Em janeiro deste ano, Farji foi vendido por 1,3 milhão de euros (cerca de R$ 7,7 milhões na cotação atual) para o Venezia, que conquistou o acesso à Serie A ao término da última temporada. O ponta-esquerdo se destaca pelo controle de bola, capacidade no drible e poder de finalização. A tendência é que cause impacto na seleção iraquiana saindo do banco de reservas.
NORUEGA
- Técnico: Stale Solbakken
- Capitão: Martin Odegaard
- Como se classificou: 1º lugar no Grupo I das Eliminatórias Europeias
- Participações em Copa: 4
- Melhor participação: Oitavas de final (1998)
- Desempenho na última participação: Oitavas de final (1998)
O que você precisa saber
Maior candidata a surpresa entre as seleções abaixo das favoritas, a Noruega chega com a maior geração de sua história sob o comando de Stale Solbakken. Artilheiro de três das últimas quatro edições da Premier League, Erling Haaland é o melhor finalizador do mundo. Martin Odegaard, mesmo em uma temporada abaixo no campeão inglês Arsenal, é um meia muito criativo e capaz de deixar qualquer um na cara do gol. Ainda tem nomes consolidados da elite europeia, como Alexander Sorloth, Oscar Bobb e a promessa Antonio Nusa.
Esse grupo de jogadores, após decepções com as não classificações para a Copa do Mundo de 2022 e a Eurocopa 2024, finalmente tem cumprido a expectativa que depositavam em sua geração. Uma prova foi a campanha nas Eliminatórias: oito vitórias em oito rodadas, deixando a Itália comendo poeira e liderando o grupo I de ponta a ponta – a Azurra perdeu duas vezes, 3 a 0 e 4 a 1.
A fase do futebol norueguês é tão boa que até no contexto de clubes tem feito história. O modesto Bodo/Glimt venceu Manchester City e Atlético de Madrid na primeira fase da última Champions League e eliminou a então vice-campeã Internazionale nos playoffs, só caindo nas oitavas de final. Três jogadores desse time estão na lista da Noruega, que disputa seu primeiro Mundial desde 1998.
O que esperar da Noruega
A geração e o bom nível da Noruega apontam que, mesmo em um grupo difícil e equilibrado, a seleção seja a favorita para avançar na segunda posição, que a colocaria frente a um adversário acessível – o segundo do grupo E, que tem Alemanha, Costa do Marfim, Equador e Curaçao. A questão é que, nas oitavas, pode encontrar o Brasil, o que torna a tarefa dos europeus muito complexa.
Escalação provável da Noruega (4-3-3): Orjan Nyland, Julian Ryerson, Kristoffer Vassbakk Ajer, Torbjorn Heggem e David Moller Wolfe; Sander Berge, Fredrik Aursnes e Martin Odegaard; Alexander Sorloth, Antonio Nusa e Erling Braut Haaland
Destaque
Erling Braut Haaland cravou simplesmente 16 gols dos 37 gols da Noruega em oito partidas nas Eliminatórias, deixando sua marca em todas as rodadas — só a Moldávia tomou cinco dele. É um finalizador nato na área e também muito rápido para atacar em contra-ataques, cenário que pode acontecer em duelos em que a Noruega enfrente uma grande seleção, como a França, na última rodada da fase de grupos.
Fique de olho
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Ele não é chamado de “Neymar norueguês” à toa. Antonio Nusa é atualmente a maior promessa dos Vikings. É um ponta rápido, habilidoso, criativo e que também sabe marcar gols. A Itália sofreu com isso, especialmente na abertura das Eliminatórias: o jovem de 21 anos fez um golaço, deixando dois adversários para trás, e deu uma assistência para Solorth só bater cruzado na área de frente para o goleiro.
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