Quais recados a estreia da seleção brasileira deixa a Ancelotti para o segundo jogo
Ancelotti conseguiu corrigir alguns pontos ainda durante a partida com o Marrocos que devem continuar para a segunda rodada da Copa do Mundo
O empate da seleção brasileira com o Marrocos deixou um gosto amargo. A estreia da Copa do Mundo sempre reserva muitas expectativas no Brasil, mas o 1 a 1, que poderia ter sido uma derrota por um início dominante dos africanos, acabou com críticas e recados a Carlo Ancelotti.
O técnico italiano assumiu que pode fazer mudanças para a sequência do Mundial, algo decisivo para seleções que terminam campeãs mundiais — e faltou para a Amarelinha com Tite nas duas últimas edições. A Trivela lista cinco recados que Carletto deve ter aprendido com seu primeiro jogo de Copa como comandante.
Alguém precisa ocupar o lado direito e não pode ser o lateral
Uma das dúvidas da prévia, que se confirmou no jogo, foi a ocupação do lado direito no momento ofensivo. Pela lesão e corte de Wesley, parecia que a ideia de Lucas Paquetá como falso ponta no corredor, como foi no amistoso contra o Egito, estaria “morta”, afinal, não tem um lateral ofensivo no elenco.
Ancelotti teve outra visão e manteve o meia do Flamengo na função, colocando o zagueiro Roger Ibañez como lateral-direito, função que já exerceu, mas tendo que subir para ocupar a ponta.
Acabou que o defensor improvisado, nas vezes que subiu, deixou espaços, acumulou falhas e pareceu mais inseguro do que em outras boas atuações anteriores. Em outras oportunidades, ninguém ocupava a ponta, pois Paquetá estava sempre por dentro.
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O técnico mudou essa realidade só após a parada técnica do primeiro tempo, quando Raphinha saiu da função de meia esquerda, entre Vinicius Júnior e Igor Thiago, para cair mais pela direita, só que ainda como meia. Só após o intervalo que realmente o camisa 11 passou a dar amplitude, sempre colado à linha lateral. O Brasil ficou mais equilibrado e ocupou melhor os espaços no ataque, como assumiu o próprio Vini Jr.
— Foi um pouco diferente para nós porque acabamos sem um jogador aberto na direita. O Mister fez bem ao mudar o Raphinha de lado e assim conseguimos jogar muito melhor. Raphinha se sentiu confortável, abriu mais o campo e tivemos mais espaço — disse à “CazeTV”.
Agora, Ancelotti pode optar por repetir, colocando o jogador do Barcelona no setor, o que não o fez ter uma grande atuação, ou escalar Luiz Henrique, um ponta mais tradicional de drible e velocidade, sacando uma das opções ofensivas. O treinador entendeu que alguém precisa estar lá.
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Cunha ou Endrick devem entrar; Igor Thiago é ideal para sair do banco
Outra atuação abaixo de Igor Thiago como titular cria uma pressão sobre ele. O jogador do Brentford acumulou chances perdidas contra Egito e Marrocos, e sua permanência é questionada com justiça.
Ele parece ser um jogador mais para contextos específicos dentro das partidas, saindo do banco de reservas para ser um jogador alvo de cruzamentos na área quando o time estiver em desvantagem, ou para receber lançamentos, sustentando um jogo direto em contextos de vitória parcial. A titularidade parece um passo à frente de Thiago.
A substituição dele, porém, não é simples. Endrick, mesmo com o apelo popular, parece muito atrás na fila e ele ser titular, pelo menos agora, parece improvável. Matheus Cunha, um substituto possível, tem atuado mais como meia do que como atacante central.
🤔 Debate sobre Endrick na Seleção é completamente justo, mas evidencia questões da torcida
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🇧🇷 Jovem atacante ficou no banco de reserva em toda a estreia do Brasil na Copa do Mundo
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Raphinha foi quem atuou como falso nove quando Cunha esteve em campo, no primeiro tempo no amistoso contra o Panamá e na parte final frente aos marroquinos. Para isso se repetir e, ao mesmo tempo, ter a amplitude pela direita com Luiz Henrique, obrigaria tirar um meio-campista, justamente um dos pontos que o Brasil viu como recado no último jogo.
Meio-campo precisa de três nomes
O esquema com apenas Bruno Guimarães e Casemiro no meio-campo deveria ser um assunto passado no Brasil, mas segue em debate. A titularidade Paquetá, pelo menos no primeiro tempo da estreia, não mudou essa realidade, porque o meia se alinhou aos atacantes, primeiro à direita, e, depois da troca de Raphinha, à esquerda. O objetivo era fazer um “quadrado” no meio-campo com ele.
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Foi quando o Brasil foi dominado pelo meio-campo marroquino. Na etapa final, com a entrada de Fabinho, o 4-3-3 com bola ficou claramente definido, com o volante recém-promovido atrás de Bruno Guimarães, que estava alinhado a Paquetá.
Essa ocupação garantiu mais controle do Brasil, também por outra mudança importante.
Brasil encontrou o caminho para ser seguro no 2º tempo
Além de Fabinho, que entrou muito melhor do que Casemiro na distribuição do jogo e nos desarmes, e a nova estrutura com três meias mais fixos, o Brasil também fixou o lateral-direito com a entrada de Danilo na vaga de Ibañez, já que Raphinha e, a partir dos 16 minutos, Luiz Henrique, ocuparam a ponta direita.
Com isso, a Seleção tinha uma estrutura bem definida na saída de bola em 4+1, que não se alterava. A bola rodava com mais naturalidade com o espaço ocupado e os contra-ataques marroquinos não eram eficazes por manter esses cinco jogadores bem fixos. É algo que Ancelotti pode manter para a Seleção controlar mais as partidas e sofrer menos sem bola.
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Douglas Santos deixou recados
A disputa da lateral esquerda parecia aberta na prévia, com Alex Sandro até bem mais cotado antes da Copa. Douglas Santos, porém, fez uma atuação defensiva extremamente segura, apesar de ter Brahim Díaz e Achraf Hakimi atacando por ali o tempo todo, somando cinco desarmes e sete duelos pelo chão ganhos, segundo o “SofaScore”. Também no momento sem bola, liderou o Brasil em pressões diretas em adversários (14), de acordo com dados da Fifa.
O defensor do Zenit ainda foi a principal arma para uma saída de bola brasileira muito prejudicada, se aproveitando de ter sempre Vinicius Júnior aberto pela ponta para dar passes que faziam o Brasil fugir da pressão e progredir. Terminou como o jogador brasileiro que mais tentou e acertou passes que quebram as linhas adversárias (20 e 17, respectivamente).
Merece se firmar como o titular de uma posição carente, enquanto há dúvidas de quem deve estar na lateral direita, com a disputa aberta entre Ibañez e Danilo.
O Brasil precisa se recuperar do desgaste do empate com o Marrocos. O cenário será ideal nesta sexta-feira (19): o adversário mais fraco do grupo C, o Haiti, a partir das 21h30 (horário de Brasília). A equipe caribenha até mostrou mais nível técnico do que imaginado nos amistosos pré-Copa e na derrota mínima para a Escócia na primeira rodada, mas, mesmo assim, não deve fazer frente ao Brasil.