‘África não pode ter seu povo’: Capitão de Senegal critica restrições estabelecidas pelos EUA
Após perder por 3 a 1 para a França na estreia do Grupo I da Copa do Mundo na terça-feira (16), Kalidou Koulibaly lamentou que torcedores de Senegal foram impedidos de entrar nos Estados Unidos. O capitão da seleção questionou a proibição de entrada de cidadãos de seu país devido imposições do governo de Donald Trump.
Em entrevista ao portal “The Athletic” na zona mista do MetLife Stadium, em Nova Jersey, Koulibaly se mostrou crítico às restrições parciais dos EUA à entrada de cidadãos senegaleses para o torneio da Fifa. Em dezembro de 2025, o presidente estado-unidense assinou uma proclamação de veto total ou suspensão fracionada de viagem para quatro nações participantes do Mundial.
Além de Senegal, Costa do Marfim, Irã e Haiti também enfrentam dificuldade para emissão de vistos. Assim como em outras ordens executivas anteriores, Trump incluiu isenções de proibições de viagens para atletas, equipes de apoio e familiares diretos daqueles envolvidos na competição. Contudo, não incluiu os fãs nessa autorização especial.
A França enfrenta Senegal nesta terça-feira. E haverá franceses dos dois lados do campo.
— Trivela na Copa! 🏆🇧🇷 (@trivela) June 16, 2026
Mas, afinal, quando um jogador pode escolher uma seleção? O que define quem é imigrante, naturalizado ou cidadão? E por que a seleção francesa ainda é alvo desse debate?
🧵 Entenda a…
— A federação (senegalesa de futebol) fez o possível para que nossos pais ou familiares próximos pudessem estar conosco, mas é verdade que alguns torcedores não puderam viajar para os Estados Unidos — começou o camisa 3 da seleção senegalesa.
— Acho que todas as seleções podem ter seus representantes, então eu não entendo porque a África não pode ter seu povo (nos Estados Unidos).
Kalidou Koulibaly reforçou que não queria “falar sobre política”, apenas de futebol. O capitão dos Leões da Teranga também apontou que o esporte é “para todos curtirem” e que, para ele,“o mais importante é jogar pelo seu povo”. Senegal enfrenta a Noruega na segunda-feira (22), às 21h (horário de Brasília), e o Iraque, no próximo dia 26, às 16h.
As restrições dos EUA para Senegal e outras seleções da Copa do Mundo
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O veto de viagem dos EUA começou em julho do ano passado e, nos meses seguintes, a Casa Branca ampliou a lista de proibições e restrições. A medida defendida por Donald Trump usa como um dos argumentos a imigração ilegal de visitantes que entram no país com vistos B1/B2 (negócios/turismo, respectivamente, sendo esse último necessário para acompanhar a Copa in loco).
Países com veto de viagem dos EUA
- Afeganistão;
- Mianmar;
- Chade;
- República do Congo;
- Guiné Equatorial;
- Eritreia;
- Haiti;
- Irã;
- Líbia;
- Somália;
- Sudão;
- Iêmen;
- Burkina Faso;
- Mali;
- Níger;
- Sudão do Sul;
- Síria;
- Serra Leoa;
- Laos.
Países com restrições para emissão de vistos estado-unidenses
- Angola;
- Antígua e Barbuda;
- Benin;
- Costa do Marfim;
- Dominica;
- Gabão;
- Gâmbia;
- Maláui;
- Mauritânia;
- Nigéria;
- Senegal;
- Tanzânia;
- Tonga;
- Zâmbia;
- Zimbábue.
Com as restrições de entrada nos Estados Unidos para imigrantes e não imigrantes, a seleção contou com o apoio de membros da diáspora senegalesa nas arquibancadas contra os Bleus. O Harlem, no centro de Nova York, possui uma comunidade particularmente forte de pessoas com laços com o país dos Leões da Teranga.
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Vozinha, de Cabo Verde, expõe outro problema
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Estreante em Copa do Mundo, Cabo Verde conseguiu um empate histórico por 0 a 0 com a Espanha na segunda-feira (15). Um dos grandes responsáveis pelo feito foi o goleiro Vozinha, que fez sete defesas e foi eleito o melhor jogador da partida. Contudo, o goleiro se mostrou chateado que sua mãe não pôde testemunhar o jogo pessoalmente nos EUA por problemas na emissão do visto.
Devido ao “Programa Piloto de Caução de Visto”, implementado pela gestão Trump, cidadãos de 50 países, incluindo os cabo-verdianos, são obrigados a depositar um caução de 5.000, 10.000 ou 15.000 dólares (cerca de R$ 25 mil, R$ 50 mil e R$ 76 mil, respectivamente) para obter um visto de turista para entrar nos Estados Unidos.
— Chorei depois do jogo porque cresci com meus avós quando era criança, e eles não puderam estar lá. Eles faleceram há alguns anos. Minha mãe também não pôde vir por causa de um problema com o visto e o dinheiro que tínhamos para pagar por ele. Não conseguimos resolver isso a tempo — disse Vozinha.
Com a repercussão da fala do arqueiro dos Tubarões Azuis, o Departamento de Estado dos EUA disse ao “The Athletic” que “não havia registro” de que a mãe de Vozinha tenha solicitado a entrada no país, porém, “estavam trabalhando” para garantir o visto dela. Nesta quarta-feira, Hakeem Jeffries, congressista estaduinidense, confirmou que a familiar do arqueiro está liberada no país.
“Estrela de Cabo Verde, Vozinha e sua mãe estarão juntos em Miami em tempo para a partida do domingo. Obrigado ao Secretário Rubio, funcionários do Departamento de Estado, governo de Cabo Verde e Fifa pelo trabalho em conjunto para fazer isso acontecer”, escreveu o político.