‘É difícil de digerir’: A revolta de países classificados a Copa com as políticas de Trump
Mundial conheceu todos os seus 48 participantes, mas nem todos eles estarão representados nas arquibancadas
Com a repescagem finalizada, a Copa do Mundo já conhece todos os 48 participantes da sua atual edição, que ocorrerá nos Estados Unidos, México e Canadá entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026. No entanto, alguns torcedores não poderão comparecer ao evento devido às restrições ou proibições de viagens impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Os países integralmente afetados são Irã e Haiti. Os cidadãos de ambos os países estão completamente proibidos de entrarem em território norte-americano. A seleção iranaia disputará seus jogos nas cidades de Seattle e Los Angeles. Já os haitianos, que estão no grupo do Brasil, entrarão em campo em Nova York, Filadélfia e Miami.
No caso do Irã, a guerra, que ocorre atualmente no país e que envolve diretamente os Estados Unidos, complica ainda mais a situação. A Federação Iraniana de Futebol, por exemplo, afirmou ser improvável que a seleção consiga participar, enquanto a Fifa confirma a participação iraniana no torneio. O país solicitou a transferência de seus jogos para o México, pedido que não deve ser atendido por questões logísticas.
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Federação Haitiana se pronuncia sobre proibições
Jeanty Thecieux, porta-voz da Federação Haitiana de Futebol, afirmou em entrevista à rádio espanhola “Cadena SER” que é complicado ver seu país colocado em uma lista de proibições. Para ele, o futebol é praticamente uma religião, principalmente em um país que não se classifica para o Mundial desde 1974.
— É difícil de digerir ver seu país em uma lista assim (…) Haitianos que residem legalmente nos Estados Unidos poderão sentar e torcer pelos nossos jogadores, mas, infelizmente, aqueles que estão no Haiti não podem nem solicitar vistos para comemorar com nossos jogadores. Ficaremos em desvantagem contra nossos adversários — lamentou o porta-voz.
Além de Irã e Haiti, países como Senegal e Costa do Marfim também terão dificuldades para que seus torcedores acompanhem o Mundial. Ambos os países possuem restrições parciais, sendo improvável que consigam obter vistos de turismo para visitar o país.
— O primeiro problema que torcedores e jornalistas senegaleses enfrentarão é a obtenção de vistos, porque o governo Trump está dificultando muito as coisas — explicou o jornalista senegalês Saikou Seydi à “Cadena SER”.
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Políticas de Trump afastam torcedores da Copa
Iraque e República Democrática do Congo, classificados via repescagem do Mundial, também enfrentam proibições. Cidadãos de ambos os países não têm restrições de entrada, mas não podem receber vistos de imigrantes residentes, que permitem estudar ou trabalhar nos Estados Unidos. Cidadãos da Bósnia, Gana, Marrocos, Tunísia, Egito, Brasil, Colômbia, Uruguai, Jordânia e Uzbequistão também estão nessas condições. Apesar disso, vistos para turistas não são afetados.
Ao todo, 39 países serão afetados pelas restrições totais ou parciais impostas por Trump. Para o presidente norte-americano, esses países representam um risco para a segurança nacional do país.