Copa do Mundo 2026

Portugal tropeça na RD Congo e mostra por que favoritismo na Copa (ainda) não é realidade

Equipe de Cristiano Ronaldo ficou apenas no empate, mas postura dentro de campo não condiz com status de potência

Considerada uma das favoritas ao título da Copa do Mundo, Portugal chegou à América do Norte com argumentos suficientes para sustentar seu forte status. Contudo, o empate por 1 a 1 com a República Democrática do Congo evidenciou que o time de Roberto Martínez ainda não atingiu o nível de França e Argentina na primeira prateleira.

Os lusos possuem um elenco recheado de boas opções em todos os setores, cujo time titular, em nomes individuais, pode bater de frente com as demais postulantes à taça do Mundial. Laterais referência para a posição; um meio-campo recheado de bons passadores e com vitalidade de marcação; além da figura imponente de Cristiano Ronaldo.

O título da última edição da Liga das Nações foi a cereja do bolo para alimentar as previsões otimistas da campanha da seleção portuguesa na Copa. Só que, quando a bola rolou diante dos Leopardos, faltou senso de urgência. Embora tenha aberto o placar cedo, a equipe de Martínez não foi incisiva com a posse.

  
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Diante de um adversário muito bem prostrado lá atrás, que abusou dos contra-ataques em velocidade, Portugal voltou a apresentar os mesmos problemas ao longo do ciclo: pouca agressividade e ausência de repertório criativo para desmontar linhas. Como consequência, foi previsível antes de finalizar.

Isso não significa que os lusos vão decepcionar, até porque o peso psicológico de uma estreia não pode ser ignorado. Contudo, com tamanha expectativa criada, um gol é muito pouco quando Bleus e Albiceleste marcaram três cada contra rivais do mesmo nível/superiores à RD Congo.

Por que Portugal tropeçou contra RD Congo?

A alta intensidade inicial rendeu frutos a Portugal, que abriu o placar logo aos cinco minutos. Com a República Democrática do Congo com linhas bem compactadas e em bloco baixo, Pedro Neto encontrou espaço para cruzar no lado esquerdo em direção à grande área. João Neves, vindo de atrás, apareceu para cabecear para o gol.

Um começo de jogo inspirador para os lusos, porém, as boas impressões rapidamente esvaeceram. Os Leopardos abdicaram da posse de bola e focaram em fechar os espaços à frente de seu gol. E a estratégia funcionou, pois a seleção portuguesa pouco criou até o intervalo.

Yoane Wissa comemora gol da RD Congo (Foto: Imago/Kirchner-Media)
Yoane Wissa comemora gol da RD Congo (Foto: Imago/Kirchner-Media)

A RD Congo merece elogios pela organização e comprometimento defensivos. Isso posto, a equipe de Roberto Martínez assumiu uma postura passiva com bola, cuja falta de aceleração nas combinações, aliada à incapacidade de gerar situações de improviso, minaram qualquer possibilidade de finalizações perigosas.

De certa forma, um problema parecido com a Espanha durante o empate sem gols com Cabo Verde. Entretanto, diferente dos Tubarões Azuis, o time de Sebastien Desabre incomodou a saída de bola de Portugal, forçando o erro da primeira linha quando aplicou uma marcação-pressão.

Aliás, os lusos terminaram o 1º tempo com menos chutes do que a seleção da República Democrática do Congo (6 a 2). Para piorar, um erro na marcação de Tomás Araújo durante cruzamento de Arthur Masuaku deixou Yoane Wissa completamente livre para cabecear para o fundo da rede.

Na etapa final, o roteiro se repetiu, e as substituições da seleção portuguesa não surtiram o efeito desejado. Os Leopardos até conseguiram mandar uma bola na trave, cuja valentia nas transições ofensivas poderia ter sido recompensada.

Somente a partir dos 30 minutos do 2º tempo que Portugal mostrou mais dinamismo perto do gol, cujas aproximações e toques rápidos abriram caminhos para os arremates. Cristiano Ronaldo, até então pouco acionado, não viveu um dia de pontaria certeira, contribuindo para o compartilhamento de um ponto cada no Grupo K.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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