Copa do Mundo

Argentina 3 x 0 Argélia: Messi brilha e faz história, mas força da Scaloneta vai além do gênio

Hat-trick do camisa 10 coroou atuação coletiva de alto nível da Albiceleste na estreia pelo Grupo J

A Argentina começou a defesa do título mundial da mesma forma que seus torcedores esperavam: vencendo e com Lionel Messi decisivo. Nesta terça-feira (16), em Kansas City, a seleção de Lionel Scaloni derrotou a Argélia por 3 a 0 pela primeira rodada do Grupo J da Copa do Mundo. Autor dos três gols da partida, o camisa 10 foi o grande protagonista de uma estreia que reforçou sua condição de principal referência técnica da equipe.

Os números ajudam a dimensionar a noite histórica. Com o hat-trick, Messi ultrapassou Pelé em participações diretas em gols na história dos Mundiais e alcançou Miroslav Klose no topo da artilharia da competição. Aos 38 anos, o argentino segue encontrando maneiras de decidir partidas no mais alto nível e mostrou que chegou ao torneio em ótimas condições físicas.

Mas a vitória não pode ser explicada apenas pelo brilho individual de seu principal astro. A atuação coletiva da equipe de Scaloni também chamou atenção. Organizada, intensa e confortável com a bola nos pés, a Argentina exibiu novamente características que a transformaram em campeã mundial e reforçou a impressão de que segue entre as candidatas mais fortes ao título.

Messi em Copas do Mundo:

  • 27 jogos
  • 16 gols
  • 8 assistências

Argentina x Argélia: como foi o jogo?

Intensidade, emoção e bom jogo de futebol foi o que não faltou em Kansas City. Maior prova disso é que antes dos dez minutos, dois gols já haviam sido anulados: um de Messi para a Argentina e outro de Farès Chaïbi pelo lado da Argélia — ambos no detalhe, por muito pouco.

O camisa 10 albiceleste, porém, queria muito jogo. Foi preciso uma bola para o craque ir às redes de novo. Em lindo passe de Rodrigo De Paul, quebrando totalmente o meio-campo argelino, Messi recebeu livre de marcação, avançou até a meia-lua e acertou chute forte e colocado, no ângulo de Luca Zidane — que falhou.

No segundo tempo, pela necessidade de correr atrás do resultado, a Argélia adiantou suas linhas e gerou algum desconforto à Argentina — que teve bastante espaço para contra-atacar. A dinâmica de toda a etapa complementar foi essa, e os atuais campeões mundiais levaram a melhor de novo.

Aos 14 minutos, Mac Allister arriscou chute de fora da área, Luca Zidane não segurou, e a bola sobrou limpa para Messi só empurrar para o gol de pé direito. E o gênio não parou por aí… Ainda deu tempo de um terceiro: liberdade na entrada da área e chute seco no canto direito. Gol histórico, que o transformou no maior artilheiro da história das Copas, ao lado de Klose.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Argentina x Argélia: Messi segue genial e atual campeã esbanja principal valência

Jogadores argentinos celebram gol de Messi
Jogadores argentinos celebram gol de Messi (Foto: Joel Marklund / Imago)

A noite foi de Messi, mas também serviu para evidenciar uma das maiores virtudes da Argentina de Lionel Scaloni. O craque decidiu, desequilibrou e voltou a escrever seu nome na história das Copas do Mundo, porém encontrou ao seu redor uma estrutura coletiva capaz de potencializar suas qualidades.

A impressão é de que o camisa 10 chegou ao torneio exatamente como planejou. Desde que optou por atuar na MLS, Messi passou a conviver com uma rotina menos desgastante do que a dos principais campeonatos europeus. O calendário oferece mais margem para controle físico e recuperação, algo valioso para um jogador que trata esta Copa como um dos últimos grandes desafios da carreira.

Dentro de campo, os reflexos são evidentes. Messi parece leve, explosivo em espaços curtos e com capacidade para decidir jogos em poucos toques. Contra a Argélia, bastou receber livre entre as linhas para transformar uma jogada comum em gol.

Ao mesmo tempo, a Argentina continua demonstrando um nível de entrosamento raro entre seleções. De Paul, Mac Allister, Enzo Fernández, e os demais jogadores se movimentam constantemente para oferecer linhas de passe, criar tabelas e gerar superioridade numérica nos corredores do campo. A equipe encurta espaços, aproxima setores e consegue quebrar linhas de marcação com naturalidade.

Essa talvez seja a principal força da atual campeã mundial. Mais do que depender de um gênio, a Argentina funciona como um conjunto extremamente sincronizado. E quando um time tão bem treinado ainda conta com um Messi inspirado, torna-se difícil apontar muitos rivais capazes de igualar seu nível.

Argentina tem tudo para buscar campanha perfeita no Grupo J

A vitória sobre a Argélia representava, no papel, o compromisso mais complicado da fase de grupos para os argentinos. A seleção africana chegou ao Mundial respaldada por uma geração competitiva e costuma criar dificuldades para qualquer adversário quando consegue impor intensidade física.

Ao superar esse primeiro obstáculo com autoridade, a Argentina deu um passo importante para encaminhar a classificação na liderança da chave. O próximo compromisso será contra a Áustria, equipe que evoluiu bastante sob o comando de Ralf Rangnick e apresenta ideias modernas de jogo. Ainda assim, os argentinos entram como favoritos.

Na terceira rodada, o adversário será a Jordânia, considerada a seleção mais acessível do grupo. Mantido o nível apresentado na estreia, a perspectiva de uma campanha com nove pontos passa a ser bastante plausível.

Argentina e Argélia: o que vem pela frente?

  • Argentina x Áustria – 22 de junho, às 14h (de Brasília), em Dallas
  • Jordânia x Argélia – 23 de junho, às 00h (de Brasília), em Santa Clara
  • Jordânia x Argentina – 27 de junho, às 23h (de Brasília), em Dallas
  • Argélia x Áustria – 27 de junho, às 23h (de Brasília), em Kansas City

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo