Brasil 1×1 Marrocos: Em cada tempo, Ancelotti mostra o que quer da Seleção
Seleção saiu atrás no placar com falha coletiva, mas buscou empate na individualidade de Vini Jr
A seleção brasileira deixou o MetLife Stadium com sentimentos mistos em sua estreia na Copa do Mundo neste sábado (13). O empate em 1 a 1 com o Marrocos, pela 1ª rodada do grupo C, teve momentos de sustos, em especial no primeiro tempo, e mais controle no segundo.
O lado marroquino, muito melhor na parte inicial, conseguiu abrir o placar em lindo passe de Brahim Díaz no meio da defesa brasileira, muito alta, e batida de cavadinha de Ismael Saibari. Vinicius Júnior, com um golaço, igualou o marcador pouco depois. Na etapa final, com poucas emoções, a igualdade no placar continuou.
A atuação com cada tempo de um jeito serviu para mostrar os dois objetivos que Carlo Ancelotti pensa sobre seu trabalho: potencializar as individualidades ao mesmo tempo em que tenha uma defesa forte.
Brasil x Marrocos: Como foi o jogo
Foi uma etapa inicial impressionante dos africanos. Domínio quase que absoluto nas duas fases do jogo, seja atacando ou defendendo. Na única falha de recomposição, com assinatura de Achraf Hakimi, o Brasil conseguiu o golaço de Vinicius Júnior, que empatou o placar.
Marrocos começou dominando a bola, muito pela presença e movimentação de Brahim Díaz da direita para dentro e pela flutuação de Saibari como falso nove para se juntarem a Ayyoub Bouaddi, Azzedine Ounahi e Neil El Aynaoui. Faltou mais calma para ter o passe final e criar outra grande chance além do gol de Saibari.
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O cenário mudou muito no segundo tempo, com a Seleção dominando mais a bola e não dando nenhum espaço para os marroquinos terem as mesmas progressões que tiveram na primeira parte. A equipe africana só voltou a finalizar nos minutos finais dos acréscimos.
O Brasil, porém, pouco criou de claro. A melhor chance foi ainda aos seis minutos, quando Igor Thiago, na cara do gol, chutou em cima do goleiro. Pela forma que equilibrou no segundo tempo, dá para dizer que o empate foi justo.
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Brasil x Marrocos: Vinicius Júnior foi o ponto de brilho individual
Ancelotti tem batido na tecla de que o Brasil precisa “ter talento e defender bem”, potencializando as individualidades a partir de um sistema defensivo forte.
No primeiro tempo, a parte do talento apareceu com perfeição, mesmo que o time estivesse sendo dominado coletivamente. O jogo brasileiro, muito voltado para o lado esquerdo por saber que o lateral-direito Hakimi subiria muito, conseguiu acionar Vinícius em alguns mano a mano e assim que ele marcou.
Recuperando a bola a partir de lançamento do Marrocos, o atacante foi acionado rápido por Lucas Paquetá, devolveu para Bruno Guimarães e, recebendo de volta na área, cortou para dentro para mandar uma bomba.
Ao mesmo tempo, o Brasil não conseguiu ser o mínimo seguro defensivamente nos primeiros 45 minutos. Pressionou mal no campo de ataque, como no gol marroquino, após erro no perde e pressiona, e até em bloco baixo, quando os Leões do Atlas tinham vários jogadores por dentro, sofria.
— Os últimos dois Mundiais que o Brasil ganhou por uma fantástica conexão pelo talento e defesa. […] Estou convencido de que ganha quem sofrer menos gols e não quem faz mais — disse o técnico italiano em entrevista coletiva em março passado.
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Para a etapa final, o cenário se inverteu. Com as entradas de Danilo e Fabinho, a Seleção passou a dominar a posse e se defender de forma muito mais segura ao fixar os dois laterais e ter os volantes bem alinhados à frente da defesa, mesmo se a bola estivesse avançada no campo.
Faltou, porém, atacar com qualidade e mais frequência. Uma escapada rápida de Vinicius Júnior, a partir de lançamento de Matheus Cunha, que terminou com chute de Raphinha no meio do gol, se fosse efetiva, seria o contexto ideal para Ancelotti: sem sofrer defensivamente, sendo veloz e incisivo para atacar.
Brasil x Marrocos: Ancelotti precisa do equilíbrio entre os tempos
A competitividade da seleção brasileira contra as grandes seleções na Copa do Mundo dependerá do equilíbrio entre os dois fatores: tirar o máximo das individuais, como Vinicius, um dos melhores do mundo, e ter uma defesa sólida, que consiga subir pressão de forma sincronizada e também ser capaz de defender sua área quando estiver em bloco baixo.
Como o Mundial começou, os treinos ficaram mais escassos e o tempo mais curto para consolidar isso no trabalho. Os duelos contra Haiti, na próxima rodada, e Escócia, servirão para buscar a execução ideal do que pensa Ancelotti.