Copa do Mundo

‘Tratado como um terrorista’: Estrela do Iraque passa 7 horas em interrogatório nos EUA

Aymen Hussein, que marcou gol da classificação na repescagem contra Bolívia, passou por longo processo de investigação

De volta à Copa do Mundo após 40 anos de ausência, o Iraque desembarcou nos Estados Unidos para dar sequência a sua preparação. Entretanto, na chegada da seleção ao aeroporto, Aymen Hussein passou sete horas sendo interrogado, cujo episódio causou indignação.

Segundo a agência de notícias “Shafaq News”, o atacante foi detido pelas autoridades de imigração em Chicago, cidade onde a seleção iraquiana irá treinar durante a fase de grupos do torneio. O longo processo de investigação foi alvo de críticas, pois Hussein teria sido “tratado como um terrorista”, conforme divulgado pela imprensa local.

A delegação do Iraque “tentou por todos os meios conseguir a liberação” do jogador de 30 anos, mas os esforços não surtiram efeito. O restante do grupo se dirigiu ao local do alojamento sem Aymen Hussein, que só foi liberado após ser submetido a longos processos de investigação e verificação.

Os agentes de imigração do aeroporto de Chicago alegaram uma suposta “confusão de nomes” entre o centroavante e outro cidadão iraquiano. Autoridades do país mantiveram contato constante com os estadunidenses até que Hussein fosse liberado do interrogatório.

Aymen Hussein é o herói do retorno do Iraque à Copa do Mundo

Quinto maior artilheiro da história da seleção iraquiana, o atacante foi um dos grandes responsáveis pelo retorno ao Mundial. Nas Eliminatórias Asiáticas, Aymen Hussein fez oito gols em 15 jogos, cujo aproveitamento ajudou a garantir a vaga na repescagem internacional.

Aymen Hussain comemora com o técnico Graham Arnold classificação do Iraque à Copa do Mundo (Foto: Imago/Middle East Images)
Aymen Hussain comemora com o técnico Graham Arnold classificação do Iraque à Copa do Mundo (Foto: Imago/Middle East Images)

No jogo decisivo contra a Bolívia, em abril, o capitão do Iraque marcou o gol da vitória por 2 a 1 que selou a classificação à competição na América do Norte. Aymen Hussein tem sido tratado como uma espécie de herói nacional devido ao seu papel de liderança na seleção.

O centroavante também é uma vítima dos horrores causados pela invasão dos EUA, em 2003. Sob a premissa falsa de armas de destruição em massa e laços com terrorismo, os militares derrubaram o regime de Saddam Hussein, mergulhando a nação iraquiana em uma insurgência violenta.

O pai de Aymen Hussein, oficial do exército do Iraque, recebeu diversas ameaças da Al-Qaeda para abandonar seu posto. Como não atendeu as exigências do grupo terrorista, ele acabou assassinado em 2008. Na ausência do patriarca, o irmão mais velho assumiu o posto de provedor da família.

Ele também ingressou nas forças armadas iraquianas e, já em 2014, foi sequestrado pelo Estado Islâmico (ISIS). Seu paradeiro é desconhecido até hoje. Minutos depois do desaparecimento do irmão, a casa de Hussein foi bombardeada e destruída pelos extremistas.

O atacante encontrou refúgio no futebol, subindo na hierarquia nacional até virar titular na seleção e um dos grandes ídolos de sua geração. Agora, Aymen Hussein espera fazer a diferença para o Iraque no Grupo I da Copa, ao lado de França, Senegal e Noruega.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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