Copa do Mundo

Debate interminável sobre Neymar na Seleção pode ser ainda mais irritante para o Brasil no pós-Copa

Defensores e críticos da convocação do camisa 10 à parte, análises baseadas em cenários hipotéticos tendem a crescer em breve

Há meses, o principal assunto que orbitava a convocação da seleção brasileira é: Neymar deveria ou não ir para a Copa do Mundo? Sem vestir a amarelinha desde a grave lesão no joelho em outubro de 2023, o meia-atacante vinha atuando no Santos com a missão de convencer Carlo Ancelotti, fato que se deu e quebrou uma escrita de quase três décadas no país.

Sob essa premissa, o Brasil foi tomado pelo debate interminável sobre Neymar. Seja na imprensa, na roda de amigos e até mesmo na política, o assunto tem divido a torcida pela Seleção. Há quem diga que um Mundial sem o craque não teria o mesmo apelo, enquanto outros consideram uma afronta a presença do astro na América do Norte.

Contudo, se tem algo que une os dois lados mais extremos na discussão sobre Neymar é o quanto o tema está saturado. Embora o técnico italiano tivesse dúvidas sobre quem chamar para o gol, ou quais seriam os laterais titulares, tudo relacionado à seleção brasileira foi “sequestrado” pela figura midiática do meia-atacante de 34 anos.

Neymar pela seleção brasileira
Neymar pela seleção brasileira (Foto: Imago/APL)

E caso sua esperança seja que a pauta fique no passado depois de Ancelotti ter lido os 26 nomes que jogarão o torneio, você pode estar cometendo um engano. Com ou sem Neymar, a polêmica envolvendo a Seleção pode ser ainda mais irritante para o Brasil no pós-Copa.

Neymar fora da Copa do Mundo e Brasil sem hexa

Se o treinador não chamasse o craque do Peixe, a ala dos defensores teria um prato cheio caso a seleção brasileira não conquistasse o hexa nos Estados Unidos, México e Canadá. Não importariam as circunstâncias de uma eliminação ou vice no Mundial, a cartada do “Neymar Hipotético” seria lançada.

“O time de Ancelotti não está conseguindo criar chances claras de gol? Com Neymar, seria mais fácil, pois ele poderia tirar uma jogada mágica da cartola, puxar marcadores e deixar os companheiros em ótima posição para finalizar — ou até mesmo balançar as redes sozinho”.

“O Brasil foi eliminado de novo antes de chegar perto da final? Também, ninguém dessa geração chega perto do poder de decisão de Neymar. Falta personalidade, liderança técnica, ousadia e alegria. Com ele em campo, a gente poderia ter passado da (o) (insira o país aqui)”.

Vinicius Júnior é o herdeiro da camisa 10 seleção brasileira na ausência de Neymar (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)
Vinicius Júnior é o herdeiro da camisa 10 seleção brasileira na ausência de Neymar (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)

“Um jogo difícil em que o banco de reservas pode ser a solução? Essa era a hora do Neymar. O rival vai olhar o (insira o jogador aqui) aquecendo e não vai se intimidar. Agora, se fosse o camisa 10, que já esteve entre os melhores do mundo ao lado de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, qualquer seleção ia tremer”.

Os cenários imaginários são infinitos. Mas o ponto é: a seleção brasileira não ganhar a Copa do Mundo naquela que deveria ser a “última dança” de Neymar antes de se aposentar tinha o potencial de ser uma história trágica, que nunca seria esquecida muito pelo peso do “e se…”.

Por décadas, o Mundial de 2026 seria lembrado como a grande injustiça ao melhor talento que o Brasil revelou e que foi impedido de mostrar sua genialidade, terminando a carreira sem atingir o ápice da alegria com a Seleção.

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Neymar convocado, mas Seleção não vence

Agora que a convocação de Neymar é uma realidade, os problemas estão longe de terminar. Antes mesmo da estreia, dá para prever como serão as mesas redondas: todos os tópicos passarão pelo astro, sejam eles questões táticas ou atitudes extracampo.

A reação do público do Museu do Amanhã à confirmação de sua presença na lista, com longos aplausos e gritaria foi um aperitivo. A coletiva de Ancelotti foi tomada por perguntas sobre Neymar. E não é para menos, até porque falar do craque é sinônimo de audiência.

A tendência é que as próximas semanas reservem longas conversas sobre “Neymar vai ser titular?”; “Neymar está bem fisicamente?”; “Neymar vai aceitar ser reserva?”. A preparação do Brasil deve ser tomada pelo furacão que envolve o meia-atacante, e tantos holofotes costumam aumentar a pressão, o que pode atrapalhar a Seleção, constantemente cobrada por não vencer uma Copa desde 2002.

Imagine a mídia internacional cobrindo a presença de Neymar no banco em um jogo de mata-mata no Mundial. O caso de Cristiano Ronaldo no Catar pode ser um vislumbre do que é ter um ícone como reserva no principal torneio de seleções. Basta olhar a imagem abaixo para entender como seria.

Presença de Cristiano Ronaldo no banco português foi prato cheio para imprensa internacional (Foto: Imago/PA Images)
Presença de Cristiano Ronaldo no banco português foi prato cheio para imprensa internacional (Foto: Imago/PA Images)

Com Neymar na lista definitiva, se o Brasil não for campeão, os defensores poderão dizer: “o resto do time não ajudou”; “Ancelotti deveria ter colocado ele como titular mais vezes/no jogo da eliminação”; “se estivesse 100% fisicamente, a história seria outra”; entre outros.

Os críticos vão contra-atacar: “Neymar não é mais o mesmo”; “ele mais atrapalhou do que ajudou segurando tanto a bola”; “tinha gente pedindo passagem mas que não teve espaço porque o treinador insistiu nele”; e por aí vai.

O sucesso do único país pentacampeão mundial está sempre ligado a mais títulos e, todo roteiro que foge do final feliz, é tido como fracasso. O debate sobre Neymar ganhará novos contornos, mas com sentimentos mistos: raiva por ele não fazer a diferença (ou ter sido impedido de ter o impacto que poderia), e a frustração de ver um ídolo não corresponder às expectativas de liderar a seleção brasileira a uma conquista de Copa do Mundo.

Para ter paz, seleção brasileira precisa ser campeã mundial

Portanto, a única perspectiva positiva para encerrar de vez o assunto Neymar passa por ser campeão mundial. Com seu nome confirmado na lista definitiva, pouco importará se jogar mal e até passar vergonha. Se o Brasil vencer, ele marcará seu nome na história da Seleção, se equiparando a outros ídolos.

Taça da Copa do Mundo (Foto: IMAGO / Ulrich Hufnagel)
Taça da Copa do Mundo (Foto: Imago/Ulrich Hufnagel)

Caso Neymar carregue o time do italiano nas costas, “haters” e “fan boys” se abraçarão em êxtase para comemorar a coroação de um dos maiores jogadores da seleção brasileira, cuja jornada do herói foi cumprida desde o início meteórico, passando pelas provações ao longo da turbulenta carreira até a merecida vitória em meio à crise.

Agora é muito provável que se o Neymar não tivesse sido chamado e o Brasil ganhasse a Copa, a comemoração não seria menos especial para a grande parte dos torcedores. É claro que alguns lamentarariam a ausência do meia-atacante no pôster da Seleção campeã, mas o título não teria um sabor amargo, como tentaram vender nas redes sociais.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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