Copa do Mundo

O que a convocação da Seleção para a Copa de 2026 indica sobre o ciclo de 2030

Brasil deve passar por reformulação na defesa, mas meio-campo e ataque possuem nomes para muitos anos

A Copa do Mundo de 2026 nem começou, mas dá para projetar, com base nos 26 jogadores convocados pela seleção brasileira, anunciados nesta segunda-feira (18), quem deve seguir ou finalizar suas passagens com a Amarelinha até a próxima edição, em 2030. Carlo Ancelotti renovou seu contrato na última semana e seguirá no cargo até lá.

A convocação final do técnico italiano veio com muitos jogadores experientes. 11 jogadores têm 30 anos ou mais — mais dois possuem 29. Dá para cravar que alguns deles não estarão mais no próximo Mundial, outros só se manterem um físico invejável e, para muitos dos jovens que ficaram de fora, a expectativa de voltar no futuro.

A Trivela lista a situação de cada setor, projetando como será no Mundial daqui a quatro anos.

O que esperar da seleção brasileira em 2030 com base em 2026

Goleiros

Em média de idade, a posição mais velha da Seleção para a Copa de 2026: Alisson, 33, Ederson, 32, e Weverton, 38. Todos, se quiserem estar em mais um Mundial na carreira, precisarão de uma dedicação enorme nos próximos quatro anos.

Para goleiros, não é impossível, mas, especialmente a Weverton, é improvável. Alisson continua em alto nível no Liverpool e seu futuro é especulado em outro gigante europeu, a Juventus. Se continuar no futebol europeu como protagonista, pode manter seu status aos 37 anos. Manuel Neuer, por exemplo, disputará outra Copa com a Alemanha aos 40.

Ederson, em queda de desempenho no Fenerbahçe, já fora das grandes ligas europeias, tende a perder espaço.

Devem ganhar mais minutos os dois jogadores que mais se aproximaram de uma das vagas: Bento, de 26 anos, e Hugo Souza, de 27. A dupla tem mercado na Europa pela idade e pode dar o salto nas próximas temporadas. Ancelotti citou que os dois “podem estar no projeto da próxima Copa” após lamentar as ausências.

Lucas Perri, Carlos Miguel, Gabriel Brazão e Luiz Júnior são outros que podem ser testados e não estarão tão veteranos até 2030. Pedro Morisco, do Coritiba, e Kauã Santos, do Eintracht Frankfurt, seriam apostas para o futuro. Mycael, do Athletico-PR, precisa de mais tempo em campo para entrar nesse grupo.

A grande questão é que nenhum deles aponta, pelo menos no recorte atual, ter um nível tão alto e uma carreira tão grande como a de Alisson, ídolo absoluto do Liverpool, onde conquistou tudo possível.

Alisson em jogo da seleção brasileira
Alisson em jogo da seleção brasileira (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Zagueiros

Na zaga, há muitas dúvidas sobre o que será da próxima Copa. A tendência para Bremer, com dificuldades físicas aos 29 anos, Léo Pereira, 30, e Danilo, 34, é de não conseguirem manter seus status nas quatro temporadas seguintes.

Marquinhos, com 32, precisa se inspirar no ex-colega Thiago Silva, na ativa aos 41, para se manter no alto nível e continuar sendo um dos principais defensores da Seleção. Gabriel Magalhães, que terá em 2030 a idade que Marquinhos tem agora, tem sido um dos melhores do mundo em sua posição e pode continuar em bom desempenho, apesar de algumas lesões.

Éder Militão (28) ainda tem futebol para jogar mais uma Copa, mas é preciso acompanhar se seu físico permitirá isso, pois está fora da edição de 2026 pela sequência de lesões. Roger Ibañez, seu substituto, precisa se manter competitivo após três anos na Arábia Saudita.

No grupo de jovens, há vários a se consolidarem. Lucas Beraldo, Murillo, Vitor Reis, Natan, Jair Cunha e Morato entram nesse quesito, todos com continuidade na Europa. Luis Benedetti, promessa do Palmeiras; Arthur Dias, do Athletico-PR; e Jonathan Jesus, do Cruzeiro, são nomes que também podem se firmar no futuro.

Laterais-direitos

De longe, o pior setor no quesito opções e projeção. As laterais brasileiras não têm nomes unânimes desde Marcelo, Daniel Alves e Filipe Luís. Para 2026, Ibañez deve disputar posição com Wesley na direita. O jovem ex-Flamengo, atualmente na Roma, é um jogador que deve vestir a camisa da Seleção por alguns anos.

Vanderson, de 24 anos, do Monaco, ficou no radar da Seleção até o fim, mas sofreu com lesões e teve pouca continuidade. Se for regular, tem qualidade para disputar posição no setor, assim como Vitinho (26), do Botafogo. Há algum tempo em destaque na Fiorentina, Dodô (27) nunca foi valorizado pela seleção brasileira, só sendo convocado uma vez e sem entrar em campo.

No quesito futuro, ainda sem oportunidades, entram os perfis de Arthur, do Bayer Leverkusen, Pedro Lima, do Wolverhampton, e Gustavo Mantuan, do Zenit.

Momento em que Wesley é convocado para a Copa do Mundo de 2026
Momento em que Wesley é convocado para a Copa do Mundo de 2026 (Foto: IMAGO / Fotoarena)

Laterais-esquerdos

Douglas Santos, aos 32 anos, não deve ser parte do projeto para 2030, mesmo cenário de Alex Sandro, dois anos mais velho. Sorte que há um nome como Kaiki Bruno emergindo como um dos melhores na posição no Brasil pelo nível no Cruzeiro. O mesmo clube conta com o jovem Kauã Prates como aposta para o futuro.

Ainda há outros nomes interessantes. Aos 19 anos, Souza deixou o Santos rumo ao Tottenham e já conseguiu minutos na maior liga do mundo. Luciano Juba, com 26, ainda pode seguir tendo chances se continuar jogando como tem apresentado desde 2024. E, claro, há os nomes já testados antes que seguirão no radar, como Carlos Augusto (27), Caio Henrique (28) e Renan Lodi (28).

Meio-campistas

Muita gente cravou que, para o ciclo após a Copa do Mundo de 2022, não dava mais para contar com Casemiro. Ele até ficou fora das primeiras convocações após a competição, mas logo voltou por sua liderança, nível técnico e boas exibições no Manchester United.

Dessa vez, porém, devem realmente ser os últimos passos de Casé. Ele está de saída do futebol inglês e deve atuar em um centro menos badalado, como Arábia Saudita e Estados Unidos. Fabinho, seu reserva, já está jogando na liga saudita e, após essa Copa, também tende a não ser mais uma opção.

Entra aí um problema de perfil para a Seleção. Esse volante de mais pegada e imposição física não tem sido tanto formado no futebol brasileiro. Perfis mais próximos, casos de André, dos Wolves, Matheus Martinelli, do Fluminense, e Zé Lucas, do Sport, possuem essa capacidade defensiva, mas o maior foco dos três está na qualidade no passe. Andrey Santos, outro visto por Ancelotti como parte do projeto da próxima Copa, é mais um.

A função de segundo volante, que também pode ser exercida pelos nomes citados antes, tem mais opções. O próprio Bruno Guimarães, aos 28 anos agora, pode ser titular em outra Copa. Seu reserva, Danilo (25), também. Lucas Paquetá, outro convocado (e que também pode ser camisa 10), precisa de regularidade no Flamengo para continuar monitorado pela comissão técnica.

Ainda há Éderson (26), João Gomes (25) e Gabriel Sara (26). Pensando mais para frente, Breno Bidon (21) e André Luiz (19) são os jovens que devem ganhar minutos no próximo ciclo.

Breno Bidon comemora gol do Corinthians
Breno Bidon comemora gol do Corinthians (Foto: IMAGO / Fotoarena)

Meias

Como sempre foi na história do Brasil, o setor ofensivo é o mais recheado e com diversas opções para o presente e o futuro. A lista atual, com exceção de Neymar, tem nomes que podem estar na próxima Copa.

Além das pontas e da posição de atacante central, aqui também entra a posição de camisa 10, que tem sido normalmente ocupada por atacantes. Com Ancelotti, Matheus Cunha, aos 26, atua assim e pode continuar sendo esse nome. Raphinha, com 29 agora, precisa de boa preparação para continuar sendo uma opção para essa função — além de ser um cara para as duas pontas.

A dupla Estêvão e Rodrygo, fora da Copa por lesões e ambos com histórico na ponta direita, também tem essa capacidade. O jovem de 19 foi na base esse meia centralizado, e o projeto do Chelsea prevê que ele possa ser movido para a posição com o passar do tempo. O Rayo, com 25 e há muito tempo especulado fora do Real Madrid, pode ter movimentações na carreira nos próximos anos.

Pontas-direitas

Na ponta direita, Rayan, que também pode ser centroavante, parece ser o cara para muitos anos e terá sua primeira Copa para ganhar experiência. Mesmo que seja mais atacante centralizado, Endrick exerceu essa função de lado de campo no Lyon e pode seguir assim no Real, afinal, Kylian Mbappé deve seguir lá por muitas temporadas.

Luiz Henrique (25) talvez precise de um futuro longe do Zenit para se manter como convocável, ainda mais porque há Antony (26) brilhando no Betis há mais de um ano, além de jovens no retrovisor, casos de William Gomes, do Porto, Allan, do Palmeiras, e até Ângelo, se deixar o Al Nassr ou brilhar tanto na Arábia Saudita a ponto de chamar atenção de Ancelotti.

Rayan em amistoso entre Brasil e Croácia
Rayan em amistoso entre Brasil e Croácia (Foto: IMAGO / @odysseyimg)

Pontas-esquerdas

Vinicius Júnior, com apenas 25 anos atualmente, tem tudo para se manter até 2030 como é hoje: o maior craque brasileiro no futebol europeu. Gabriel Martinelli (24), admirado pelo técnico da seleção brasileira, tem tido dificuldades nas últimas temporadas no Arsenal, mas já mostrou futebol que pode dar a volta por cima.

Savinho, mesmo com apenas 22 anos, já soma 13 partidas pela Seleção, mas sua queda no Manchester City lhe tirou as oportunidades. Com tempo para se estabilizar no futebol inglês ou em outro país, deve ser um nome presente no próximo ciclo.

Igor Paixão (25) talvez não tenha tanta margem para chances, até hoje nunca convocado. Kevin (23), do Fulham, precisa de mais consistência na Inglaterra, enquanto Alisson Santos (23) tem mostrado isso nos primeiros meses no Napoli.

Wesley, ex-Corinthians e hoje no Al-Nassr, e Ruan Pablo, do Bahia, seriam as promessas do setor.

Centroavantes

O camisa 9 é o setor com mais diferentes perfis. Convocado para 2026, Igor Thiago tem só 24 anos e, como vice-artilheiro da Premier League, pode dar o salto para um time ainda maior que o leve a ser mais valorizado na Seleção. Endrick, promessa de ser um dos maiores do Brasil nos próximos anos, é outro que pode ser o centroavante.

De quem ficou de fora, há ainda mais nomes capazes de estarem em 2026. De características de velocidade e ataque ao espaço, são vários: Vitor Roque (21), Kaio Jorge (24), Yuri Alberto (25), Igor Jesus (25) e mais alguns.

João Pedro (24), ausência surpresa no Mundial de 2026 e com tendência de futuro na Amarelinha, é mais associativo e móvel. Evanilson (26) e Marcos Leonardo (23), de boa leitura de posicionamento dentro da área.

O que é certo é que o futebol brasileiro seguirá revelando muitos talentos por sua cultura ligada ao esporte, e dezenas de novas promessas nem citadas neste artigo devem surgir e se consolidar até 2030.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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