Como caso de Cristiano Ronaldo na reserva serve de alerta para Brasil com Neymar
Debate para levar camisa 10 à Copa do Mundo como suplente incendeia preparação de Carlo Ancelotti
Desde que assumiu a seleção brasileira em junho de 2025, Carlo Ancelotti já montou cinco convocações com 56 jogadores diferentes. Neymar não esteve presente em nenhuma dessas listas, apesar de ser o maior artilheiro da história do Brasil e ter voltado a jogar com alguma (pouca) regularidade no Santos.
O camisa 10 tem enfrentado dificuldades para emplacar uma sequência de jogos desde que sofreu a grave lesão no joelho esquerdo, em outubro de 2023. Mesmo recuperado, Neymar ainda luta para manter o condicionamento físico ideal, o que ajuda a explicar sua ausência na Seleção.
Mesmo assim, a presença do craque na Copa do Mundo é o grande assunto que promete render até a divulgação do chamado final do treinador italiano, em maio. Entre aqueles que desejam ter Neymar na América do Norte, cresce o discurso de que ele pode ser útil para o Brasil caso fique no banco de reservas.

Em situações de necessidade, o meia-atacante poderia entrar em campo e, com minutos reduzidos, tentar fazer a diferença graças a sua genialidade. Um dos argumentos utilizados é que, mesmo que não esteja 100%, Neymar ainda pode causar impacto como substituto até pela imponência de sua figura para os rivais.
Na teoria, essa ideia parece perfeita, porém, na prática, não é tão simples assim. E o exemplo de Cristiano Ronaldo no último Mundial com Portugal, quando virou reserva com Fernando Santos no meio do torneio no Catar, pode servir de alerta para a seleção brasileira.
Como Cristiano Ronaldo chegou à Copa do Mundo?
Antes de explicar como o craque português foi parar no banco da seleção lusa, é importante dar algum contexto sobre o período que antecedeu a Copa. À época, Cristiano Ronaldo estava em sua segunda temporada no Manchester United após passagem pela Juventus.
Apesar de não ter sido brilhante, o astro terminou 2021/22 como artilheiro dos Red Devils com 24 gols em 39 partidas. A temporada repleta de oscilações fez com que o Manchester United falhasse em seu objetivo na Premier League de se classificar à próxima edição da Champions League.

Fora de campo, Cristiano Ronaldo viveu um drama familiar. Em abril de 2022, um dos filhos do atacante morreu durante o parto. Sua mulher, Georgina Rodríguez, estava grávida de um casal de gêmeos, mas apenas a garota sobreviveu.
Já em julho, o português de 37 anos não participou de boa parte da pré-temporada por questões familiares. A ausência do veterano não foi bem digerida por Erik ten Hag, que acabara de ser contratado pelos Red Devils. Dali em diante, a relação entre jogador e treinador só piorou.
Cristiano Ronaldo começou 2022/23 como reserva com ten Hag, inclusive no clássico contra o Manchester City. Depois, o craque português chegou a abandonar o banco durante partida contra o Tottenham, cuja “debandada” irritou o holandês, que só passou a utilizá-lo como titular em jogos da Liga Europa.
A gota d’água foi em meados de novembro, às vésperas do início da Copa do Mundo. Cristiano Ronaldo concedeu uma entrevista polêmica a Piers Morgan e detonou a diretoria do Manchester United, assim como Erik ten Hag. O atacante disse se sentir “traído”.
Uma semana depois, e a dois dias da estreia dos portugueses contra Gana, os Red Devils divulgaram a rescisão de contrato com seu ídolo em “comum acordo”.
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Ícone de Portugal decepciona

No primeiro jogo no Mundial, Cristiano Ronaldo foi titular de sua seleção, assim como nos últimos quatro duelos que antecederam o torneio. Mesmo tendo marcado um gol de pênalti durante a vitória por 3 a 2 e se tornado o único atleta a balançar as redes em cinco edições de Copa do Mundo, o camisa 7 não foi tão bem.
As chances perdidas, assim como a tímida participação no jogo coletivo serviram de argumento para opiniões mais críticas. Contudo, o técnico Fernando Santos transmitiu seu voto de confiança a Cristiano Ronaldo e o colocou desde o início no triunfo de Portugal por 2 a 0 sobre o Uruguai.
Dessa vez sem pênalti, o capitão luso passou em branco e repetiu os mesmos erros da rodada anterior, aumentando ainda mais a desconfiança. O treinador da seleção minimizou a repercussão negativa e manteve Cristiano Ronaldo entre os 11 iniciais para a partida final da fase de grupos contra a Coreia do Sul.
Só que o atacante português falhou em mostrar qualquer tipo de reação. O excesso de impedimentos, as constantes perdas de posse de bola e a falta de finalizações perigosas esgotaram a paciência de Fernando, que decidiu tirar Cristiano Ronaldo do gramado aos 20 minutos do 2º tempo, então com o placar empatado em 1 a 1.
Durante a substituição, o astro pareceu chateado e ainda discutiu com um jogador sul-coreano, que exigiu mais velocidade para dar lugar a André Silva. Nos acréscimos finais, os lusos ainda sofreram a virada e foram derrotados.
CR7 no banco e o caos midiático

Antes do início do mata-mata, uma pesquisa do jornal “A Bola” apontou que 70% dos torcedores gostariam que Cristiano Ronaldo fosse para o banco. E na partida contra a Suíça, o técnico atendeu aos pedidos da maioria e deixou o capitão na reserva para apostar em Gonçalo Ramos.
Dali em diante, um caos midiático acompanhou o restante da campanha da seleção portuguesa. Cristiano Ronaldo apareceu no gramado antes de seus companheiros subirem para o aquecimento e foi acompanhado de perto pelos fotógrafos. Até mesmo durante os hinos as atenções estavam voltadas para o atacante.
Quando a bola rolou, o campo respondeu. Seu substituto marcou um hat-trick na goleada por 6 a 1 sobre os suíços. Cristiano Ronaldo foi acionado aos 28 minutos da etapa final, porém, não fez nada de memorável.
Nas redes sociais, as irmãs do craque português responderam aos comentários negativos. Elas chamaram os torcedores lusos de “ingratos” e até mesmo sugeriram a Cristiano Ronaldo que “abandonasse a seleção e voltasse para casa” em meio ao Mundial, alegando era uma “humilhação” o tratamento recebido.

Indignado, o capitão de Portugal se recusou a treinar com os reservas antes das quartas de final contra Marrocos e ficou na academia com os titulares, como informou o jornal “Marca” à época. Como não tinha nenhum tipo de problema físico, o ato foi descrito como uma “rebeldia”.
De acordo com o jornal “Record”, Cristiano Ronaldo, no “calor do momento”, chegou a ameaçar Fernando Santos que iria embora do Catar quando descobriu que ficaria no banco de reservas, em uma conversa “tensa”. Tanto o astro, quanto o treinador desmentiram a informação posteriormente.
Fernando explicou que a escolha por Gonçalo Ramos era baseada no desejo de um sistema ofensivo mais móvel. O veterano continuou como suplente do mais jovem, mas os marroquinos venceram por 1 a 0 e eliminaram os portugueses. Cristiano Ronaldo jogou a partir dos 16 minutos do 2º tempo, mas não mudou o destino de sua seleção.

O atacante chorou copiosamente com o fracasso dos lusos e correu para os vestiários. Nas redes sociais, Georgina lamentou que não pode curtir “90 minutos” de Cristiano Ronaldo nas quartas de final do Mundial. Ela também escreveu que a torcida “não parava de gritar” seu nome nas arquibancadas.
O técnico foi demitido após seis anos no cargo e, já em novembro de 2023, admitiu ao “A Bola” que o atacante “interpretou mal” sua decisão, que foi puramente “estratégica”. Fernando Santos argumentou que os seis meses que antecederam a Copa do Mundo foram “terríveis” para Cristiano Ronaldo, o que “mexeu muito com ele” e atrapalhou seu “ritmo de jogo”.



