Em amistoso, Bélgica prova porque tese de técnico dos EUA é irreal
Em Atlanta, seleção de Pochettino inicialmente compete, mas cede ao ímpeto e força dos europeus em teste pré-Mundial
Uma das sedes da Copa do Mundo em 2026, a seleção dos Estados Unidos joga com a mesma pressão de 1994 e de fazer o melhor papel possível diante de seu torcedor. Pelo que se observou no amistoso com a Bélgica neste sábado (28), a equipe montada por Maurício Pochettino está mais próxima de seus rivais do que se imaginava antes do ciclo, mas ainda distante de competir pelo título, como ele afirmou desde que assumiu o comando técnico.
Em um duelo com “pitadas” de Copa do Mundo — duas equipes classificadas para o Mundial e no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, uma das sedes nos Estados Unidos —, a Bélgica sofreu no primeiro tempo, mas aumentou o ritmo na etapa final para vencer os Estados Unidos, de virada, por 5 a 2.
O resultado também frustra os torcedores diante da preparação para o Mundial. A arena em Atlanta recebeu milhares de torcedores e um show pirotécnico antes da partida, mas que não foi capaz de impulsionar a seleção americana para a vitória após um bom início no primeiro tempo.
Além disso, Pochettino foi escolhido para comandar a seleção americana sob pressão de Donald Trump pelo título. Em 1994, quando sediou o torneio pela primeira vez, foi eliminada nas oitavas de final pelo Brasil, que vira a conquistar o título. Desta vez, o treinador argentino acredita que os Estados Unidos podem até se sagrar campeões — superando o desempenho de 1930, quando chegou à quarta posição.

IMAGO / Newscom / AdMedia
Antes da lista final para a Copa do Mundo, os Estados Unidos terá um último desafio nesta terça-feira (31), em amistoso contra Portugal — outra seleção favorita ao título mundial neste ano. A seleção americana está no Grupo D, ao lado de Paraguai e Austrália, além de Kosovo ou Turquia, que disputam a última vaga na repescagem.
EUA igualam forças com a Bélgica no primeiro tempo
Seja pelo show pirotécnico ou pelos investimentos feitos no “soccer” ao longo dos últimos anos, os Estados Unidos foram melhores do que a Bélgica na primeira etapa. Não à toa, exigiu Senne Lammens, goleiro do Manchester United, a fazer boas intervenções. Antonee Robinson, Weston McKennie e Christian Pulisic, alguns dos principais nomes da seleção estadunidense, levaram perigo na primeira etapa.
De forma merecida, foi McKennie, estrela da Juventus, quem incendiou o estádio de Atlanta antes do caos que viria a se tornar a segunda etapa. Em um erro de marcação da defesa belga, ele ficou livre na pequena área, depois do escanteio, para empurrar o cruzamento de Robinson para as redes.

O esquema montado por Pochettino, em um 4-2-3-1, mostrou alternativas para a seleção americana durante a Copa do Mundo. Matt Turner, selecionado como titular no gol neste sábado, também foi responsável por segurar o placar favorável para os donos da casa no primeiro tempo.
Não deu, no entanto, para segurar o placar por mais de cinco minutos. Atrás do marcador, a Bélgica, que teve dificuldades para converter chances claras, chegou ao empate com Zeno Debast, de fora da área, depois de chance criada por Jérémy Doku.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Estrelas da Premier League dão o tom à ‘geração belga’ contra os Estados Unidos
A estratégia construída por Pochettino ruiu no segundo tempo. E sem requintes de crueldade. Impulsionado por um elenco estrelado — um dos fatores que ainda pesam contra os Estados Unidos, a seleção belga chegou à virada antes de 15 minutos do segundo tempo.
Também expôs as falhas dos Estados Unidos, que estão relacionadas, principalmente, à defesa. O contra-ataque rápido belga, aos oito minutos da segunda etapa, conduziu a Bélgica à virada. Mesmo com seis defensores americanos na área, Alexis Saelemaekers conseguiu fazer a função de pivô e rolar para Amadou Onana, do Aston Villa, marcar de fora da área.

Não demorou para que Doku, um dos destaques da Bélgica neste amistoso, fosse parado com falta dentro da área, e Charles de Ketelaere convertesse o terceiro gol da geração belga. A partir daí, nada que os Estados Unidos se propuseram a fazer, surtiu efeito.
Foram 45 minutos bons dos americanos, contra uma segunda etapa em que a equipe Pochettino mostrou falhas diante do elenco e da força da Bélgica de Rudi Garcia, que assumiu a seleção apenas em janeiro de 2025.
Remanescente das últimas três Copas do Mundo, Kevin de Bruyne, recuperado de lesão nesta temporada, pouco precisou fazer para impulsionar a vitória — e goleada — no amistoso. Na reta final, a entrada de Dodi Lukebakio resultou nos dois últimos gols no Mercedes-Benz Stadium. O primeiro deles, uma pintura, de fora da área, no canto superior direito de Turner.
No “garbage time” — termo utilizado nos esportes americanos para se referir à reta final de uma partida já decidida —, a entrada das promessas Ricardo Pepi e Patrick Agyemang resultaram no segundo gol dos Estados Unidos, que serve para recolher os cacos antes do confronto com Portugal na próxima semana.
Se Pochettino e a Federação Americana de Futebol querem que o “soccer” se iguale aos outros esportes no país, tiveram uma demonstração do que ainda é preciso percorrer, a dois meses da Copa do Mundo, para defender a tese de seu treinador. E como esta tese ainda se mostra irreal neste estágio da preparação para a Copa do Mundo.



