Copa do Mundo: Como verba de R$ 3,2 bilhões resolve problema urgente nos EUA
Congelamento de recursos ao longo do último ano atrasou repasse de subsídios, e ameaçou a viabilidade das partidas
Diante de todos os problemas que a Copa do Mundo tem lidado ao longo dos últimos meses — como preços dos ingressos e questões relacionadas ao Irã —, o governo dos Estados Unidos conseguiu chegar a uma solução que ameaçava a realização das partidas nas 11 cidades-sede do país. A partir desta quarta-feira (19), US$ 625 milhões (R$ 3,2 bilhões) serão destinados, ao todo, às administrações dos jogos.
A Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA, na sigla em inglês) é responsável pela administração do montante, segundo o Programa de Subsídios da Copa do Mundo da Fifa, aprovado em julho de 2025 pelo governo de Donald Trump, após a assinatura da legislação fiscal “One Big Beatiful Bill Act”. Cada cidade-sede receberá uma parcela dos R$ 3,2 bilhões, com Miami e Atlanta sendo as mais “beneficiadas” no acordo.
Os recursos poderão ser alocados pelas autoridades estaduais para a infraestrutura e operações locais nas cidades-sede — em especial nas cidades-sede. De acordo com a FEMA, esses subsídios podem financiar o efetivo policial e os serviços de emergência nas instalações da Fifa, hotéis e no entorno dos estádios durante as partidas da Copa do Mundo.
As 11 cidades-sede que receberão este financiamento são: Los Angeles, São Francisco, Miami, Atlanta, Boston, Kansas City, Nova York/Nova Jersey, Filadélfia, Dallas, Houston e Seattle.

Cidades-sede da Copa do Mundo lidaram com congelamento dos recursos
Essa demora entre a aprovação das contas fiscais e a liberação dos recursos pela FEMA se deve à interrupção do financiamento pelo governo Trump ao longo do último ano. Além de finalizar os detalhes do programa — que foram anunciados em novembro — e a análise das candidaturas, a agência teve de trabalhar com recursos limitados no período.
Simultaneamente, essa falta de recursos colocou em xeque a realização das partidas nas cidades-sede. Em Boston, Massachusetts, o estádio do New England Patriots chegou a ser dúvida para a Copa do Mundo diante da guerra fiscal entre Robert Kraft, dono da franquia, e o comitê organizador local.
Sob a liderança do Grupo Kraft, foi exigido o repasse de US$ 8 milhões (R$ 42 milhões) junto ao Estado para os custos com segurança, mesmo antes da liberação dos subsídios pela FEMA.
Esse conflito fez com que, até a última semana, o Gilette Stadium, em Foxborough, ainda não tivesse a licença da Fifa para as partidas da Copa do Mundo.

As partes chegaram a um acordo nos últimos dias para que esse montante fosse viabilizado. Inicialmente, o Grupo Kraft se mostrou intransigente quanto a arcar com as despesas por conta própria. O acordo foi selado antes mesmo dos repasses serem aprovados nesta quarta-feira.
Além de Boston, que viveu a situação mais “dramática”, durante este período, o congelamento de recursos pelo Congresso Americano afetou a segurança em outras cidades-sede. Em março, o vice-chefe de polícia de Kansas City, Joseph Mabin, comunicou que o seu departamento não tinha pessoal suficiente para atender às necessidades de segurança da cidade.
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Efeitos poderiam ser catastróficos para a Copa do Mundo
Mesmo que a sede da Copa do Mundo seja dividida com México e Canadá, os Estados Unidos receberão a maioria das partidas, incluindo a totalidade dos confrontos de mata-mata a partir das quartas de final. Por conta disso, como revelou a “BBC”, em fevereiro, essa ausência de recursos poderia causar impactos “catastróficos” na organização.
O diretor de operações do Comitê Organizador da Copa do Mundo de Miami, Ray Martinez, informou ao jornal inglês que os eventos adjacentes aos jogos poderiam ser cancelados, se uma parte da verba congelada não fosse repassada até o final de março. As já conhecidas “Fan Fest” são alguns dos eventos que poderiam ser afetados pela situação.

— Precisamos começar a tomar decisões realmente difíceis, e isso começa com o nosso evento para os fãs. Sem receber esse dinheiro, as consequências para nosso planejamento e coordenação podem ser catastróficas – declarou Martinez.
O duelo de abertura da Copa do Mundo será entre México e África do Sul, no dia 11 de junho, no Estádio Azteca, em partida válida pelo grupo A. A seleção brasileira de Carlo Ancelotti só entra em campo no dia 13 de junho para enfrentar o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.



