Copa do Mundo

Por que a Fifa nem cogitou pedido do Irã para não jogar Copa do Mundo nos EUA

Seleção asiática solicitou alteração no local de seus jogos no Mundial após anfitrião não dar garantias de segurança

A menos de 90 dias para a Copa do Mundo, a participação do Irã ainda não está garantida. Apesar de ter conquistado a classificação nas Eliminatórias, a seleção asiática cogita desistir do torneio devido o conflito com Israel e Estados Unidos — um dos países sede.

Enquanto lideranças iranianas já se pronunciaram contra a presença no torneio, a Federação de Futebol procurou a Fifa para negociar a mudança dos locais de seus jogos, que estão marcados para Los Angeles e Seattle. Contudo, a entidade máxima do futebol sequer cogitou o pedido.

Segundo o jornal “The Times”, a Fifa não atendeu à solicitação do Irã em disputar suas partidas no México. Mesmo com a preocupação sobre a segurança dos jogadores, comissão técnica e torcedores, a gestão de Gianni Infantino identificou a medida como “inviável”.

A Fifa nem abriu discussões sobre a proposta iraniana por já ter vendido ingressos para os jogos da fase de grupos. Caso as partidas da seleção asiática fossem retiradas dos EUA, também afetaria o planejamento de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, que compõem a chave G.

Trump não garante segurança do Irã nos Estados Unidos durante Copa do Mundo

Em meio à escalada de tensão na guerra entre os países, o presidente da Fifa usou suas redes sociais na última semana para revelar uma conversa que teve com Donald Trump, que garantiu que os iranianos eram “bem-vindos” ao país norte-americano para a Copa do Mundo.

Donald Trump e Gianni Infantino com a taça da Copa do Mundo (Foto: Imago/Cover-Images)
Donald Trump e Gianni Infantino com a taça da Copa do Mundo (Foto: Imago/Cover-Images)

Entretanto, horas depois da declaração de Infantino, Ahmad Donyamali, ministro do Esporte e da Juventude iraniano, voltou a colocar dúvidas sobre a participação da seleção asiática na competição, já que o ataque dos Estados Unidos em parceria dos israelenses matou o aiatolá Ali Khamenei.

— Considerando que este regime corrupto assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo. Eles nos impuseram duas guerras em nove meses, mataram e martirizaram milhares de nosso povo. Portanto, certamente não podemos ter esse tipo de presença — disse Donyamali.

Cabe destacar que, por mais que o ministro do esporte defenda o boicote, quem dá a palavra final sobre a presença ou não do Irã no Mundial é a Federação de Futebol. O representante da Casa da Branca, por sua vez, se posicionou contra o discurso apaziguador propagado pela Fifa.

— A Seleção Iraniana de Futebol é bem-vinda à Copa do Mundo, mas eu realmente não acredito que seja apropriado que eles estejam lá, para a própria segurança deles — escreveu Trump.

Mehdi Taj, presidente da federação iraniana declarou em uma publicação da embaixada do país no México que quando o presidente dos EUA “declarou explicitamente que não pode garantir a segurança” da seleção, “certamente não viajarão” para jogar os confrontos em território estadunidense.

Caso o Irã desista da Copa do Mundo, a entidade máxima do futebol tem o poder de apontar um substituto. Iraque e Emirados Árabes Unidos, que foram eliminados por Arábia Saudita e Catar, respectivamente, são os candidatos mais prováveis.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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