Escócia mostra que pode minar principal arma do Brasil de Ancelotti mesmo em derrota para o Japão
Amistoso disputado em Glasgow mostrou estratégia que escoceses devem repetir na fase de grupos da Copa do Mundo
A derrota da Escócia para Japão neste sábado (28), por 1 a 0, pouco deve alterar a preparação das seleções para a Copa do Mundo. Mas apesar de uma partida pouco movimentada no Hampden Park, em Glasgow, a seleção brasileira pode tirar lições do confronto. Em especial, de como os escoceses podem oferecer riscos na fase de grupos em junho.
Contra o Japão, mesmo atuando sem a bola na maior parte do confronto, a Escócia adotou uma estratégia semelhante àquela que o Brasil de Carlo Ancelotti tem sofrido desde o último ano: marcação com linhas altas e um meio-campo “congestionado”, capaz de anular o ataque brasileiro, principal arma e aposta do italiano para a Copa do Mundo. Só foi vazada na reta final do segundo tempo, pelos pés de Junya Ito.
Steve Clarke escalou uma equipe, em casa, com cinco homens no meio-campo, em um 4-2-3-1. A estratégia funcionou ao inibir as criações do Japão durante partida, mesmo que a seleção estivesse com desfalques. As linhas compactas da Escócia serviram para inibir que a posse do rival fosse transformadas em chances claras durante a maior parte dos 90 minutos do amistoso.

Nas poucas vezes em que levou perigo, o Japão precisou se valer de finalizações de fora da área e bolas aéreas para criar oportunidades claras. No segundo tempo, depois das entradas de Kaoru Mitoma e Ayase Ueda, conseguiu chegar à área adversária com mais frequência, mas não reverteu as oportunidades em gol.
Do lado escocês, Scott McTominay, estrela do Napoli, que deixou o campo no segundo tempo, foi um dos poucos a levar perigo contra a meta defendida por Zion Suzuki.
Como Escócia pode atrapalhar o Brasil na Copa do Mundo
A tendência é que o confronto entre Escócia e Brasil em junho, que fecha o Grupo C da Copa do Mundo, é que o cenário se repita. Clarke não deve abandonar seus ideais defensivos, principalmente contra um rival que, no papel, tem no ataque as suas principais valências.
Mas apesar do baixo volume de chances criadas com a bola, essa estratégia pode incomodar o Brasil, como foi observado nos últimos compromissos. Contra a França nesta semana, o Brasil reforçou seu ideal ofensivo: quatro homens no ataque, e um meio-campo com apenas dois homens — Andrey e Casemiro, na ocasião.
A ideia é que os quatro atacante possam se movimentar entre as linhas, para criar oportunidades de ligação direta, passes entre as linhas. Como consequência, o setor de meio-campo fica mais “exposto”. Em alguns momentos do duelo com os franceses, o Brasil teve dificuldades para ligar a defesa ao ataque; em outras, em especial no primeiro tempo, as movimentações permitiram que Raphinha e Vinicius Júnior aparecessem livres em frente ao gol.

Se a Escócia não é o adversário mais forte no papel do Grupo C, o desempenho contra o Japão mostra que a equipe encontrou um caminho para tentar anular a seleção brasileira. Com as linhas altas, ela forçou erros dos japoneses, e o mesmo pode ocorrer diante de uma linha defensiva do Brasil que fique exposta diante de um meio-campo rival congestionado.
E como o Brasil pode passar pela Escócia? Assim como o Japão, a velocidade do ataque brasileiro será chave no duelo da Copa do Mundo. Foi assim que Ito, já no final do segundo tempo, conseguiu superar a marcação rival em Glasgow.
Peça por peça, o Brasil é superior. Mas ao longo deste ciclo, a seleção mostrou dificuldades contra adversários, que no papel, eram inferiores. Foram os casos dos compromissos com a Tunísia e Senegal, em novembro, nos quais a seleção encontrou dificuldades ao longo dos 90 minutos.
Brasil e Escócia se enfrentam em 24 de junho, no Hard Rock Stadium, em Miami, na Flórida. Será a primeira participação dos escoceses em Copa do Mundo desde 1998, quando também enfrentou a seleção brasileira na primeira rodada da fase de grupos.
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Japão adotou estratégia semelhante contra o Brasil
No último ano, na vitória do Japão sobre o Brasil, por 3 a 2, em outubro, a estratégia adotada pelos japoneses foi semelhante: oferecer a posse de bola à seleção brasileira e se fechar em um 5-4-1, forçando a equipe de Ancelotti a construir jogadas por meio de ligação direta ou passes para quebrar a linha.
Naquela partida, disputada na casa do país asiático, o Brasil chegou a ter 70% de posse de bola, e estar dois gols à frente do placar. A vitória japonesa foi construída por meio de contra-ataques rápidos, e contou com as falhas do zagueiro Fabrício Bruno na ocasião, que não voltou a ser convocado desde então.

A diferença para o Japão e a Escócia é a velocidade de transição entre as equipes. Os europeus são, principalmente, defensivos, apostando em jogadas de bola aérea e em erros do rival no último terço; os japoneses, por sua vez, constroem suas chances por meio de transições rápidas — este que se mostrou um fator em que o Brasil teve dificuldade para combater.



