Com nó tático, maior atuação da Bélgica desde 2018 vai além de motivação por Balogun
Seleção europeia elimina Estados Unidos e vai às quartas de final da Copa do Mundo
É natural associar a gigante vitória da Bélgica sobre os Estados Unidos, 4 a 1 nesta segunda-feira (6), a uma empolgação pela polêmica envolvendo Folarin Balogun. O atacante do anfitrião, expulso na fase de 16 avos, teve seu cartão retirado graças à atuação nos bastidores da Federação Americana e até do governo Donald Trump. No fim, o jogador teve participação nula na derrota de seu país.
A exibição dos Red Devils, a melhor em Mundiais desde a histórica campanha de terceiro lugar em 2018, claro que teve um fator de união em um grupo que teve brigas e polêmicas no ciclo. Mas foi muito além disso.
O técnico Rudi García, com um histórico recente de trabalhos ruins na carreira, teve ótimas sacadas e foi decisivo para o resultado, anulando um dos melhores times do Mundial até aqui.
Simulador da Copa do Mundo: Veja possível chaveamento
Meio-campo da Bélgica foi o ponto alto da atuação
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Surpreendentemente sem Kevin De Bruyne de titular, maior craque do time, mas já veterano, a Bélgica entrou com um trio intenso formado por Amadou Onana, Nicolas Raskin e Youri Tielemans – Hans Vanaken também perdeu sua vaga inicialmente.
Essa mudança foi na esteira do que foi visto na emocionante classificação sobre o Senegal, quando o camisa 7 da seleção belga saiu em momento em que seu país perdia. Jérémy Doku também foi substituído no jogo anterior e ficou no banco para Dodi Lukebakio, que teve papel defensivo importante ao acompanhar os avanços de Antonee Robinson.
A nova formatação do meio, contra um adversário que, além de três meias, vê Cristian Pulisic flutuar por aquele setor, garantiu muita competitividade por dentro e capacidade de vencer os duelos e segundas bolas para acionar os atacantes dos lados do campo, Leandro Trossard e Lukebakio.
Assim que Raskin, após sobra de cruzamento, ficou com a bola e cedeu o cruzamento rasteiro para Charles De Ketelaere abrir o placar.
Outros lances, como finalização de Timothy Castagne para defesaça do goleiro Matthew Freese, ilustraram essa força dos europeus para vencer os duelos no meio. A força belga no alto também foi decisiva para lançamentos quebrarem a forte pressão do selecionado dos EUA, uma das maiores armas desse time.
Tyler Adams e Weston McKennie, destaques americanos, foram anulados pelo perfil físico do adversário.
Depois da lesão de Onana, que parece ser grave, Tielemans recuou para ser volante e Vanaken, de 1,94m, mantendo o perfil alto – o substituído tem 1,95m –, passou a ser o meia mais próximo do falso nove De Ketelaere.
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Rudi Garcia não cedeu a apelo por Lukaku
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Mesmo longe da forma ideal, Romelu Lukaku se mostrou com o faro de gol intacto. Saindo do banco, garantiu o empate com o Egito ao forçar um gol contra do adversário, marcou um e deu uma assistência na goleada sobre a Nova Zelândia, e ainda fez mais outro contra Senegal, decisivo na emocionante virada.
Era natural imaginar que Rudi Garcia tiraria De Ketelaere, falso nove titular nas quatro partidas até então, para colocar o maior artilheiro da história da Bélgica. Mas o técnico manteve sua ideia de um atacante móvel por dentro, capaz de completar gols na pequena área, mas também flutuar para ajudar o meio-campo em outros momentos.
O jogador da Atalanta fez um jogaço. Além dos dois gols, foi peça decisiva na pressão no campo de ataque, forçando erro para o gol de Vanaken, o terceiro do dia.
Seleção belga se defendeu muito bem para avançar na Copa do Mundo
A defesa dos europeus anular um ataque autor de dez gols até ali foi um grande mérito. Além da pegada no meio, a equipe tinha uma característica de pressionar apenas em momentos pontuais, deixando seus jogadores em uma faixa mais média no campo.
Quando os EUA tentavam acionar Balogun na profundidade, Nathan Ngoy, outra novidade do time nesta segunda, brilhou com grandes coberturas. O anfitrião só foi finalizar pela primeira vez após meia hora de jogo, com gol de falta de Malik Tillman que teve fator de sorte pelo desvio. Balogun só acertou o gol de Thibaut Courtois com mais de 80 minutos no relógio.
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A Bélgica, entre um controle mais com a posse de bola no primeiro tempo e mais de transição no segundo, teve fôlego para subir pressão nos minutos finais e forçar outro erro para Lukaku marcar terceiro gol na Copa, oito no total de sua carreira.
Foi uma atuação surpresa. O selecionado europeu não apresentou nada parecido por toda a campanha. Era tratado como um time “sem sal”, mesmo com a classificação nos últimos minutos frente aos senegaleses. Na adversidade e sem dar esperanças, a seleção belga ressurgiu.
Para as quartas de final, contra uma das favoritas, a Espanha, eles precisarão novamente de um meio-campo forte para anular Pedri, Rodri e Dani Olmo, e velocidade e fôlego para pressionar e ainda ter a válvula de escape no contra-ataque com Lukebakio e De Ketelaere. Garcia já tem o caminho do que fazer.