Por que Fifa ‘cancelou’ a suspensão de Balogun na Copa e o que Cristiano Ronaldo tem a ver com isso
Atacante dos Estados Unidos fois suspenso nos 16 avos, mas está liberado para jogar as oitavas de final, contra a Bélgica
Folarin Balogun estará em campo no duelo entre Estados Unidos e Bélgica pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, nesta segunda-feira (6), às 21h, no horário de Brasília, mesmo após ter sido expulso na fase anterior. A decisão da Fifa surpreendeu, já que cartões vermelhos diretos teoricamente resultam em suspensão automática.
O caso, porém, foi resolvido graças a um dispositivo pouco conhecido do Código Disciplinar da entidade, que permite suspender a aplicação da punição em determinadas circunstâncias. A medida também já beneficiou nomes como Cristiano Ronaldo, Moisés Caicedo e Nicolás Otamendi em situações diferentes antes da Copa do Mundo.
A decisão representa um enorme alívio para o técnico Mauricio Pochettino, que poderá contar com seu principal centroavante no mata-mata diante da Bélgica.
Quem o Brasil pode enfrentar no mata-mata?
Como Balogun ficou liberado para enfrentar a Bélgica
Balogun recebeu cartão vermelho direto na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, na fase 16 avos de final, após atingir o tornozelo do defensor Tarik Muharemovic durante uma disputa de bola.
Pelas regras da Copa do Mundo, a expulsão gera automaticamente uma suspensão de um jogo. Inicialmente, dirigentes da Fifa informaram que a punição não poderia ser contestada por recurso. Poucos dias depois, porém, a entidade mudou o cenário.
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Em comunicado oficial, a Fifa confirmou que aplicou a suspensão prevista no regulamento, mas decidiu suspender sua execução com base no artigo 27 do Código Disciplinar.
“O comitê disciplinar da Fifa impôs a seguinte sanção ao jogador da seleção dos Estados Unidos, Folarin Balogun, que foi expulso em decorrência de um cartão vermelho direto durante a partida da Copa do Mundo da Fifa 2026 entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, realizada em 1º de julho de 2026 no San Francisco Bay Area Stadium: suspensão de uma partida por infrações aos artigos 14 e 66 do código disciplinar da Fifa (FDC).
Alinhado com o artigo 27 do código disciplinar da Fifa, a aplicação da suspensão da partida está suspensa por um período probatório de um ano. Se Folarin Balogun cometer outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante o período probatório, a suspensão será revogada e a sanção aplicada, sem prejuízo de qualquer sanção adicional imposta pela nova infração.”
Na prática, Balogun continua punido, mas a sanção ficará “em espera” durante um período probatório de um ano. Se cometer outra infração semelhante nesse intervalo, a suspensão será reativada automaticamente, além de uma eventual nova punição.
A notícia foi recebida pela delegação americana durante o trajeto para um treinamento na Universidade de Washington. “Obviamente, isso nos dá um impulso”, afirmou Christian Pulisic após a confirmação. O presidente americano, Donald Trump, agradeceu à Fifa nas redes sociais.
Trump thanks FIFA for reinstating Balogun
“Thank you to FIFA for doing what was right, and reversing a great injustice! President DONALD J. TRUMP” https://t.co/dEyu773fQZ pic.twitter.com/tbNIwuBxAA
— Rob Harris (@RobHarris) July 5, 2026
A liberação representa um reforço importante para os Estados Unidos no momento mais decisivo da competição. Balogun tem sido um dos destaques da campanha americana, com dois gols na estreia diante do Paraguai, outro contra a Bósnia e participação direta em gols em todas as partidas que disputou no Mundial.
Sem ele, Pochettino perderia sua principal referência ofensiva justamente diante da Bélgica. Com a suspensão suspensa pela Fifa, porém, os norte-americanos chegam completos para tentar uma vaga nas quartas de final.
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O que diz a regra usada pela Fifa
A decisão foi baseada no artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, que permite ao órgão disciplinar suspender total ou parcialmente a execução de uma punição.
O texto estabelece que “o órgão judicial pode decidir suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar.” Também determina que, caso o jogador cometa uma infração semelhante durante o período probatório, a suspensão originalmente aplicada passa a valer automaticamente:
“Se a pessoa beneficiada por uma sanção suspensa cometer outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante o período probatório, a suspensão será revogada pelo órgão judicial e a sanção aplicada, sem prejuízo de qualquer sanção adicional imposta pela nova infração.”
Embora seja prevista no regulamento, essa ferramenta é utilizada com pouca frequência e costuma aparecer apenas em situações específicas avaliadas pela comissão disciplinar.
Por outro lado, segundo o jornalista inglês Ben Jacobs, a Casa Branca teria feito uma ligação direta para a entidade para pedir ao presidente Gianni Infantino que revisasse o cartão vermelho de Balogun.
Fontes da Fifa ouvidas por Jacobs insistem que a influência da Casa Branca não teria como afetar a decisão do torneio, devido aos poderes contidos no Artigo 27 e à natureza independente do painel disciplinar.
Cristiano Ronaldo, Caicedo e Otamendi já passaram por situação parecida
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O caso de Balogun, apesar de surpreendente, não é inédito. Antes da Copa do Mundo, Cristiano Ronaldo também foi beneficiado por uma decisão semelhante. Após receber uma suspensão de três partidas nas Eliminatórias, a Fifa manteve apenas um jogo como punição imediata e suspendeu os outros dois durante um período probatório de um ano, permitindo que o atacante disputasse normalmente o torneio.
Outro precedente aconteceu às vésperas do Mundial, quando a Fifa promoveu uma espécie de anistia disciplinar para infrações ocorridas nas Eliminatórias. Com isso, Nicolás Otamendi, da Argentina, e Moisés Caicedo, do Equador, tiveram suspensões pendentes de um jogo anuladas antes do início da competição.
A justificativa da entidade foi garantir que as seleções chegassem ao torneio com seus principais jogadores disponíveis, mantendo apenas punições consideradas mais graves. E apesar de envolver mecanismos diferentes, os três casos mostram que a Fifa possui instrumentos para impedir que determinadas suspensões afetem a Copa do Mundo.