Bélgica ‘culposa’ repete virada histórica para eliminar um Senegal que se acanhou após dominar
Lukaku marca o primeiro, Tielemans garante a virada e, sem De Bruyne, Bélgica consegue feito histórico na Copa
Bélgica e Senegal se enfrentaram nesta quarta-feira (1), em jogo válido pelos 1/16 avos de final da Copa do Mundo de 2026. A seleção senegalesa vencia por 2 a 0 até os 41 do segundo tempo, e perdeu por 3 a 2 depois na prorrogação.
A geração de ouro da Bélgica, de Thibaut Courtois, Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku, esteve perto de se despedir da Copa do Mundo, mas conseguiu empatar para 2 a 2 nos cinco últimos minutos do segundo tempo, repetindo a virada histórica contra o Japão na Copa de 2018.
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Senegal domina na bola e mostrava grande potencia
A equipe de Pape Thiaw foi ousada no mata-mata: manteve seu 4-3-3 fluido, mas com o meio-campista Pathé Ismael Ciss na zaga, no lugar do veterano ídolo Kalidou Koulibali. A proposta era clara: ter mais qualidade na construção e dominar com a posse.
E foi isso que aconteceu, principalmente no primeiro tempo. Senegal conseguiu sair da pressão alta belga com facilidade com seus zagueiros e tinha um meio-campo que alternava corridas em profundidade e descidas para ajudar a construção. Isso foi possível com a escalação de Habib Diarra e Pape Gueye, que se complementavam — dinâmicos, verticais e com qualidade com a bola no pé.
Outra alteração foi crucial para o sucesso senegalês contra a Bélgica: a entrada de Iliman Ndiaye na ponta-direita. Thiaw manteve Ismaila Sarr, mas como um centroavante explosivo para atacar as costas da defesa e que também era habilidoso o suficiente para se movimentar e ser ativo e outras áreas do campo.
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Inclusive, foi sendo esse atacante vertical que Sarr marcou o segundo gol da equipe, recebendo um excelente lançamento longo de Moussa Niakhaté e dominando no peito antes de finalizar.
Ndiaye na ponta dava duas grandes armas à seleção africana: um ponta rápido e habilidoso para situações de um contra um e que poderia aproveitava as subidas do lateral opositor, Maxim De Cuyper; mas também um ótimo jogador em curto espaço. E o camisa 13 diversas vezes caía da direita para o meio para operar entrelinhas.
Esse movimento liberava a lateral para Krépin Diatta, um ponta por natureza que se tornou lateral-direito e tem boas subidas para cruzamentos e dribles pelo lado. Mas também permitia que ele entrasse nos contramovimentos dos meias: Diarra atacava a profundidade e puxava um marcador, Gueye baixava para ser apoio atrás e Ndiaye aproveitava o espaço livre entre as linhas para criar com tabelas e dribles curtos.
Foi dessa soma de fatores que o primeiro gol surgiu — Ndiaye como um meia povoando o corredor central e a virada de jogo para Sadio Mané em situação de um contra um. O camisa 10 cruza para Sarr como esse centroavante que poderia ser de referência e, depois da bola bater na trave, Diarra ataca a área para aproveitar e marcar.
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Bélgica flerta com a eliminação da Copa do Mundo, mas se recupera das cinzas
A seleção belga teve uma goleada diante da Tunísia por 5 a 0 antes da Copa que animou, mas teve desempenho ruim na maior parte do tempo no Mundial. E isso ficou ainda mais evidente nos 16 avos.
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Contra Senegal, não tinha mais zagueiros de grande capacidade de construção — seja por lesão ou opção de Rudi García –, e por isso preferiu um meio-campo mais técnico e sem grande poder físico e nem de marcação. O resultado: foi dominado pelas trocas de posição e corridas para espaços dos meias senegaleses.
Kevin De Bruyne fez mais um jogo apagado e foi substituído no início do segundo tempo sem ser impactante. Jérémy Doku saiu junto com o camisa 7 e tentava construir quase que sozinho tanto da esquerda quanto da direita e entrelinhas com dribles. Mas o fato é que os belgas pouco fizeram quando Senegal baixou as linhas de defesa.
A equipe de Thiaw alternou entre defender alto em 4-3-3 no início do jogo, dando trabalho para os zagueiros belgas na saída de bola, e mais baixo em 4-1-4-1 depois do primeiro gol. Defendendo compacto e com bom trabalho de Idrissa Gana Gueye descendo na linha de defesa pelo meio e Ndiaye recuando para ajudar o lateral, Senegal anulou todas as investidas adversárias.
Mudança de comportamento frustrou Senegal
Depois de estar com 2 a 0 no placar aos seis minutos do segundo tempo, Senegal baixou o ritmo. Passou a ficar menos com a bola e querer menos estar com ela — e a mudança de comportamento custou dois gols.
Somente no segundo tempo, os belgas finalizaram 11 vezes. Na primeira etapa, foram somente dois chutes antes dos 45 minutos — nos acréscimos, finalizaram três vezes seguidas. O domínio senegalês com a bola cessou e o time passou a defender muito baixo, e também priorizava saídas em velocidade, o que diminuía o tempo com a posse.
A Bélgica ainda demorou a chegar ao gol, mas fez dois quase juntos: primeiro com Lukaku, aos 86, e depois Tielemans, com 89. Em lances de cruzamento e bola rebatida, além da falha do goleiro Mory Diaw, os belgas frustraram o sonho senegalês.
Na prorrogação, o mesmo se manteve. E no último minuto da prorrogação, Tielemans sofreu pênalti em cruzamento rasteiro e converteu para sacramentar o 3 a 2 que os leva para as oitavas de final. Agora, esperam o vitorioso entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina.