Brasil

Se o Tottenham precisa muito achar um camisa 9, imagina a Seleção Brasileira

O sábado (26) de futebol do brasileiro começou por volta das 8h da manhã, quando a bola rolou para o que seria um Bornemouth 0 x 2 Tottenham. Mas o que podia ser apenas mais uma vitória do Tottenham fez acender também a luz amarela (vermelha?) para o torcedor da Seleção Brasileira: é hora de discutir a sério Richarlison como camisa 9 do Brasil. Percebemos isso porque é evidente que o Spurs também precisa achar outro jogador para ser o substituto de Harry Kane, que foi para o Bayern de Munique.

Richarlison está em péssima fase e isso tem de começar a pesar

O último gol oficial que Richarlison fez data do dia 30 de abril deste ano, lá se vão quase quatro meses. Claro, tivemos as férias e a pré-temporada, na qual ele fez três gols, todos no mesmo jogo, diante do Lion City Sailors, de Singapura. O jogo oficial no caso era contra o Liverpool, Richarlison entrou aos 39 do segundo tempo, fez o terceiro gol do Tottenham, tomou amarelo na comemoração e viu Diogo Jota, aos 49 minutos da segunda etapa, definir o 4 a 3 em favor dos Reds. Um gol meio inútil, mas vá lá, um gol oficial.

Afinal, temos de voltar para a Copa do Mundo de 2022 para chegar no gol anterior a esse do confronto contra o Liverpool. Foi no 4 a 1 que a Seleção Brasileira fez na Coreia do Sul, nas oitavas de final, quando ainda não havia uma Croácia no meio do caminho e Richarlison estava em alta. Mas já era uma alta muito mais pelo personagem do que pelo que ele vinha produzindo em campo.

Afinal de contas, o gol contra o Liverpool foi o único de Richarlison na Premier League da temporada passada. Ao fim dela, ainda de férias, cravou que era o 9 ideal para a Seleção Brasileira. Acompanhou sentado do sofá a novela Kane e, com o desfecho da ida para Munique, viu cair no colo a posição de centroavante no Tottenham, onde a camisa 9 já era sua. E nem por Brasil e muito menos por Spurs, Richarlison honrou o que se espera de quem veste esse número.

O Tottenham tem muito que se preocupar com Richarlison de 9

Já citado: na última edição da Premier League, Richarlison fez apenas um gol, o também já narrado acima contra o Liverpool. Na atual, o caldo entornou com a saída de Kane. Richarlison deixou de ser o reserva cuja falta de gols era motivo de piada, mas não fazia falta, para ser o centroavante titular. Já seria complicado para qualquer um substituir um dos, senão o maior jogador da história do Spurs. Para Richarlison, parece ser uma missão realmente impossível.

Foram três partidas, todas como titular, e apenas uma coisa em comum entre elas: Richarlison foi mal em todas. O Tottenham está invicto e jogando muito bem neste começo de Premier League. São sete pontos e, mais do que isso, um futebol coletivo e bem jogado. Novamente, agora como titular, a falta de gols do atacante brasileiro fica na sombra por conta da efetividade de outros. Contra o Bornemouth isso ficou bem claro.

Richarlison chegou a tropeçar e cair sozinho em um lance que podia, no mínimo, ter conduzido um bom contra-ataque. Dez minutos depois desse lance, acabou saindo para a entrada de Pierre-Emile Højbjerg. Ivan Perišić entrou junto, no lugar de Pape Matar Sarr, deixando o Tottenham sem um centroavante de ofício, dividindo a função em uma rotação na qual Heung-Min Son, James Maddison e Dejan Kulusevski apareciam vez ou outra na área neste papel mais definidor. Foi o sueco, inclusive, que três minutos após a saída de Richarlison cravou o 2 a 0. O Tottenham tem que se preocupar com a recomposição da saída de Kane, mas ao menos tem buscado alternativas.

Na Seleção o buraco com Richarlison é mais fundo

Na Copa do Mundo do Catar pareceu, por um lapso, que Richarlison podia lidar com o peso da 9 da Seleção Brasileira. Mas passou e agora é hora de buscar alternativas mais do que imediatas, já que teremos um árduo caminho para a Copa de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá. E por árduo caminho não se lê dificuldade na classificação, mas sim um processo que deve ser lento e complicado para achar o time ideal para estar na América do Norte daqui menos de três anos, já que o aumento de vagas automaticamente faz só um fracasso histórico e sem precedentes ser suficiente para o Brasil não estar lá.

Mas voltemos a Richarlison e seu último gol contra a Coreia do Sul. No jogo seguintem a fatídica derrota na prorrogação para a Croácia. O atacante deixou o gramado com 39 minutos da segunda etapa e não esteve na prorrogação. Saiu de campo com um chute para fora dado e só. Errou a maioria dos passes que tentou e lembrou bastante a função de uma tábua neste jogo, com a bola batendo nele e voltando para o adversário na maior parte das jogadas.

Fernando Diniz, é claro, chamou Richarlison em sua primeira convocação. Não se sabe se Neymar estará disponível, por estar lesionado, e talvez essa fosse a única chance de o atacante do Tottenham não ser titular, numa não muito provável utilização de Neymar como falso 9. Matheus Cunha, a concorrência para a 9 convocada, inspira ainda menos confiança que Richarlison por não ter um lapso de bom futebol há anos. A alternativa é renovar. Com urgência.

Vitor Roque deve ser o substituto natural de Richarlison

Em sua primeira convocação, Diniz não falou diretamente sobre Vitor Roque, mas ao comentar a relação entre Seleções principal e olímpica, com foco nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris, deu a entender que conta ou contará em breve com o atacante do Athletico Paranaense, já negociado com o Barcelona. Nesta primeira convocação, Vitor Roque foi chamado para ataque do time olímpico ao lado de Lázaro, João Pedro, Igor Paixão, Paulinho e Marcos Leonardo.

Atualmente, mesmo além de Vitor Roque, temos nessa lista nomes que podem ser interessantes ao menos como testes para serem centroavantes da Seleção. Fazem essa função Marcos Leonardo, que tem sido basicamente a única luz no fim do túnel para o Santos na corrida contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, e João Pedro, que foi um dos principais reforços do Brighton para a temporada. O primeiro tem feito gols com frequência no Brasileirão e o segundo estreou marcando gol pelo Brighton, que tem feito começo de Premier League bastante interessante.

Richarlison terá 29 anos na próxima Copa do Mundo, o que seria uma ótima idade, é verdade. Mas a curva de evolução dele não estagnou com a ida para o Tottenham: ela simplesmente despencou. São poucos gols pelo time, não tantos pela Seleção (não marcou nos dois amistosos pós-Copa, por exemplo), o que torna praticamente inevitável que se teste pelo menos alguns jogadores no lugar dele.

Diniz, e talvez Carlo Ancelotti, ou qualquer outro que assuma a Seleção se o italiano não aceitar a proposta que diz nem ter recebido, precisam ver com urgência a questão do centroavante. Em 2018, Gabriel Jesus foi mal e a Seleção Brasileira sentiu falta de um definidor. Em 2022, Richarlison já fez esse papel e não parece ter melhorado para ter nova chance em 2026, pelo contrário. Jesus, inclusive, é alternativa a ele, pois teve boa temporada pelo Arsenal, até lesionar na Copa do Mundo. Agora, seu físico parece o maior impeditivo para que ele seja com certeza esse nome.

Independente de quem for, cada dia mais uma coisa parece certa: não pode ser Richarlison.

Foto de Leonardo Sacco

Leonardo Sacco

Formado em Jornalismo pela Cásper Líbero, fez categorias de base na TV Gazeta, Olheiros e Impedimento, se profissionalizou no Yahoo e desde junho de 2023 é coordenador de conteúdos da Trivela.
Botão Voltar ao topo