Brasil

Perda de Rodrigo Caetano para a CBF é significativa e pode afetar o projeto do Atlético-MG

Rodrigo Caetano aceitou a 'convocação' da CBF e deixa o Atlético, que vai precisar se virar para manter o projeto na linha sem o diretor

O Atlético-MG se despediu nesta sexta-feira (16) do diretor de futebol Rodrigo Caetano, que aceitou o convite, ou como ele disse, convocação, da CBF e será diretor de seleções na maior entidade do futebol mundial. Para o Galo, a perda é grande, já que fica sem um dos melhores diretores do Brasil (se não o melhor), que comandava o projeto do futebol atleticano, e dificilmente conseguirá alguém à altura.

Rodrigo Caetano foi um dos primeiros diretores de futebol da história do Brasil, e sempre trabalhou em grandes clubes, com grandes responsabilidades. No Atlético, ele chegou em 2021, pegou o time montado por Alexandre Mattos e Sampaoli, conseguiu adicionar peças de extrema relevância, como Hulk e Nacho Fernández, e viu o time voar, sendo o melhor do país e conquistando o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil daquele ano.

Desde então, Rodrigo Caetano se tornou a figura mais importante do futebol do Atlético. Isso porque o clube não trabalha com grandes orçamentos, como Flamengo e Palmeiras, por exemplo, onde há mais espaço e recursos para contratações e melhorias no time. O Galo já tentava não fazer mais “loucuras financeiras” desde 2022. Agora que é SAF, trabalha ainda mais com o dinheiro regrado, e é aí que Caetano entra.

Com o Atlético sem poder chegar e oferecer um caminhão de dinheiro para clubes e jogadores, ele precisa então ser mais esperto, chegando antes dos seus rivais em seus alvos, apresentando projetos e tentando convencê-los. Nesse quesito, Rodrigo Caetano é um dos melhores do país. Ele conseguiu, por exemplo, vencer a disputa com Palmeiras e Flamengo por Paulinho e Gustavo Scarpa, respectivamente, mesmo o Galo tendo menos recursos. O atacante se tornou o artilheiro do Galo em 2023 e o meia chegou em 2024 sob enorme expectativa.

É claro, o diretor não viveu só de acertos. Ninguém vive, principalmente no futebol. Há negociações ruins que sempre serão lembradas, como a contratação inexplicável de Fábio Gomes e a venda de Savinho por um valor muito baixo perto dos padrões atuais. Ele também recebeu críticas pelo desmanche do time campeão em 2021. Mas, num geral, dá pra cravar que ele acertou mais do que errou.

A passagem de Caetano pelo Atlético dá para garantir que foi satisfatória e vitoriosa para os dois lados. Não à toa chamou atenção do Corinthians, que procurava alguém justamente com o perfil dele para reerguer o clube. O diretor recusou esse convite por não se ver em outro clube no Brasil, mas na CBF, a Seleção Brasileira, a pentacampeã do mundo, aí a história foi diferente.

– Não me vejo hoje em outro clube neste momento que não seja o Galo. Trabalhar no Galo é algo que eu nunca tinha vivido, de coração. A paixão e a fidelidade do torcedor, é um negócio que comove a gente – se declarou Caetano em entrevista à CNN Esportes.

É mais que um convite, é uma convocação para servir à pátria, servir o seu país, servir o futebol brasileiro em uma possível Copa do Mundo, tem algo gigante nisso tudo – afirmou o diretor sobre a Seleção Brasileira.

Ninguém à altura para substituir Caetano

Sem Rodrigo Caetano, o Atlético terá que procurar um novo diretor de futebol, e essa missão não será nada fácil. No entendimento geral, não há ninguém no mercado atual que chegue perto do nível do agora diretor da CBF – não à toa ele foi o escolhido para esse importante cargo. O único apontado como tão bom quanto ele é Alexandre Mattos, que chegou recentemente ao Vasco.

O mais provável como substituto no momento é Victor Bagy, ex-goleiro e um dos maiores ídolos da história do Atlético. Ele trabalha como gerente de futebol do Galo sendo o braço direito de Rodrigo, como ele mesmo citou ao encher o ex-jogador de elogios na sua última entrevista como diretor atleticano. Victor é uma solução caseira que tem o ponto positivo de já estar dentro do projeto e entender como ele funciona. Por outro lado, tem o ponto negativo de não ter experiência na função e estar longe de ter a influência de Caetano nos clubes, empresários e em negociações.

Aprendiz de Caetano, Victor seria uma solução caseira do Atlético (Pedro Souza/Atlético)

Sem Caetano e sem um substituto à altura, o projeto de futebol do Atlético pode desandar. Não é nada fácil trabalhar com uma limitação orçamentária e ainda assim conseguir grandes aquisições, ou renovações importantes para se manter no topo. O time do Galo hoje já é forte e, como o próprio presidente (e o dono do clube) já disse, serão feitas apenas contratações que realmente agreguem – como a de Bernard, já anunciado e que chega em julho -, não para fazer volume. Sem muito dinheiro, a experiência e a lábia precisam entrar em ação para convencer os jogadores.

O Atlético vai precisar pensar e analisar muito bem quem substituirá Caetano. O cargo já não é fácil por natureza, tendo menos recurso e precisando se manter no topo, fica mais complicado ainda. O pensamento de quem será o substituto no Galo tem que ser igual a de contratação de jogadores: não pode ser qualquer um, tem que ser quem faça a diferença.

Negociações de Rodrigo Caetano no Atlético

  • 2021
    Saíram: Marquinhos (Botev Plovdiv-BUL); Victor (aposentado); Diego Tardelli (fim de contrato); Bueno (fim de contrato); Gabriel (Yokohama FC-JAP) e Marrony (Midtjylland-DIN)
    Chegaram: Hulk; Dodô; Nacho Fernandez; Tchê Tchê (empréstimo); Nathan Silva (voltou de empréstimo) e Diego Costa
  • 2022
    Saíram: Alan Franco (empréstimo); Nathan (empréstimo); Junior Alonso (Krasnodar-RUS); Diego Costa (fim de contrato); Hyoran (empréstimo); Tchê Tchê (fim de empréstimo); Dylan Borrero (NE Revolution-EUA); Savarino (RSL-EUA); Godín (rescisão); Savinho (Grupo City); Guilherme Castilho (Ceará) e Fábio Gomes (empréstimo)
    Chegaram: Ademir; Fábio Gomes; Godín; Otávio; Junior Alonso (empréstimo); Jemerson; Alan Kardec; Pedrinho (empréstimo) e Pavón
  • 2023
    Saíram: Rafael (São Paulo); Guga (Fluminense); Junior Alonso (fim de empréstimo); Keno (Fluminense); Nacho Fernandez (River Plate); Jair (Vasco); Calebe (Fortaleza); Paulo Henrique (empréstimo); Sasha (RB Bragantino); Ademir (Bahia); Nathan (Grêmio); Nathan Silva (Pumas-MEX); Allan (Flamengo) e Dodô (Santos)
    Chegaram: Paulinho; Bruno Fuchs; Edenilson; Paulo Henrique, Igor Gomes; Saravia; Mauricio Lemos e Battaglia
  • 2024
    Saíram: Réver (aposentado); Hyoran (fim de contrato) e Paulo Henrique (Vasco)
    Chegaram: Gustavo Scarpa e Bernard (em julho)
Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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