Uma análise do ótimo início de Savinho no Girona que mostra por que ele desperta interesse de gigantes da Europa
Savinho está emprestado pelo Troyes ao Girona e brilha nessa primeira metade de temporada
Para quem acompanha a atual edição de La Liga, não há surpresa no interesse do Manchester City e de outros clubes da Premier League e Bundesliga pelo atacante Savinho, emprestado pelo Troyes ao Girona até o meio de 2024. Informações da imprensa espanhola apontam para propostas na casa dos 30 milhões de euros (cerca de R$ 159 milhões). O jovem brasileiro de 19 anos, revelado pelo Atlético-MG, é um dos destaques do time que divide a liderança do Campeonato Espanhol com o Real Madrid e tem vantagem de sete pontos para Barcelona e Atlético de Madrid.
Tratado como uma das principais promessas da base do Galo nos últimos anos, Sávio só jogou apenas 35 vezes com o alvinegro mineiro, marcando dois gols. No meio de 2022, foi negociado com o francês Troyes, que pertence ao Grupo City, mas nunca defendeu a equipe. Primeiro, passou um ano esquecível emprestado ao PSV na temporada 22/23, com nenhum gol em oito jogos no profissional – fez nove partidas pelo time sub-21 e balançou as redes em duas oportunidades. Até chegar ao modesto time catalão, também parte do conglomerado de clubes que possui o Manchester City no top, para finalmente deslanchar e mostrar seu potencial. Confira nesta análise da Trivela os números e as funções exercidas por Savinho, que justifica o interesse dos gigantes da Europa.
Savinho é o homem do drible e cruzamentos no Girona
Antes de falar de Savinho, é importante contextualizar o Girona treinado por Michel. Montado em um 3-4-3, a equipe, no momento ofensivo, vira praticamente um 3-3-4 ou 3-2-5 a partir do movimento dos alas. O brasileiro não muda sua função: sempre é o cara que dá a amplitude pelo lado esquerdo, algo obrigatório nos times que atacam de forma posicional – como quase todos do Grupo City.

A amplitude no futebol moderno é quase essencial, seja para saber que sempre tem um jogador aberto pelo lado do campo e disponível para receber inversões de jogo, potencializar os duelos mano a mano, espaçar a defesa adversária, atrair os marcadores, enfim, as possibilidades são grandes. Com o jovem de 19 anos, o que fica muito claro é sua capacidade de drible e se sobressair no um contra um. Extremamente rápido e ágil, normalmente passa de quem vem marcá-lo, justificado pelo índice de 57% de acerto no drible, segundo o SofaScore. Com média de 2.6 fintas por jogo em La Liga, é o quarto melhor no quesito, atrás apenas de Bryan Zaragoza (2.7), Vinicius Júnior (3.0) e Nico Williams (3.2).
Por ser um canhoto jogando na esquerda, a jogada mais comum é levar para linha de fundo ao invés para cruzar ao invés de cortar para o meio e finalizar. Novamente, as estatísticas mostram isso: o Girona é o quinto time que mais faz cruzamentos no atual Campeonato Espanhol (5.5), número também elevado pela presença do destro Yan Couto pela direita. Sorte do centroavante ucraniano Artem Dovbyk, que já marcou quatro vezes de cabeça e está em terceiro na artilharia do campeonato.
Apenas Toni Kroos (seis) tem mais passes para gols do que Savinho (cinco, empatado com Nico Williams, Yan Couto, Saúl Ñíguez, Alejandro Baena, Diego Rico e Rapinha), incluindo um na histórica vitória sobre o Barcelona, 4 x 2 fora de casa.

Para além de um ponta “ciscador”, mostrou poder de finalização e repertório nos cinco gols da temporada. Contra o Granada marcou em bonita finalização de fora da área por dentro. Já frente ao Mallorca, saiu da esquerda para tabelar com Dovbyk e cravar dentro da área. Ainda teve gol aparecendo na ponta direita, coisa rara na temporada, carregando até quase a pequena área para fazer de canhota – este, no duelo com o Almeria.
Pensando na realidade atual do Manchester City, Savinho preencheria muito bem uma lacuna no elenco: a ausência de dribladores. Até a temporada passada, o encarregado disso era o ponta direito Riyad Mahrez, que foi ao futebol saudita. Agora, o belga Jérémy Doku exerce a função com perfeição pela esquerda, mas é a única opção no grupo de jogadores. Para times que jogam com a bola por quase todo o tempo, é comum enfrentar defesas com linha de cinco ou até seis. Nesse cenário entra a grande importância de ter um jogador como o brasileiro bem aberto para ter duelos no mano a mano e encontrar um raro espaço.



