Brasil

Com orçamento limitado para 2024, Atlético-MG vai ter que ‘se adaptar’, mas garante elenco competitivo

Apesar da SAF, Atlético não vai ter muito para investir no time, mas ainda garante que terá um time que vai seguir brigando no topo

Com quatro jogos para o fim da temporada e o objetivo de se classificar para a próxima Libertadores ainda não alcançado (mas bem encaminhado), o Atlético-MG já sabe quanto terá para gastar em 2024. Com a SAF, o clube agora tem um limite orçamentário e não vai ultrapassá-lo. O diretor Rodrigo Caetano comentou sobre essa situação e garantiu que isso não afeta a ambição do clube.

Para 2024, o Atlético revelou que terá uma folha salarial de cerca de R$ 210 milhões, o que dá por volta de R$ 16 milhões por mês. Além disso, o clube terá R$ 40 milhões para contratações. Esse valor é para tudo que envolve uma aquisição de jogador, seja empréstimo, pagamento definitivo, luvas, comissão de empresário e outras coisas. Ou seja, é um orçamento curto, que não permite muitas contratações de alto nível no atual cenário do futebol. Mesmo assim, Rodrigo Caetano garante que o Galo seguirá ambicioso e forte.

– Vamos ter que nos adaptar, chegar antes (dos outros clubes), e se vendemos jogadores à prazo, tentar comprar da mesma forma, empurrar para os próximos anos. É seguir rigorosamente o planejamento, pois é uma SAF diferente das que a gente viu no Brasil. A do Galo é feita para honrar os compromissos do passado, diminuir o passivo do clube, pagar contas. Os investimentos que a gente espera, talvez não venham para 2024, mas nem por isso vai diminuir a nossa competitividade, a nossa ambição, e a manutenção de, no mínimo, um elenco competitivo, que é o que nós temos – disse o diretor em coletiva na Cidade do Galo.

O Atlético adotou a SAF recentemente, que ficou com toda a dívida do clube, que gira na casa de R$ 2 bilhões. O aporte inicial é de R$ 500 milhões e será praticamente todo usado para abater dívidas. Ou seja, diferente das outras SAFs do Brasil, que os investidores prometeram reforços de peso, o Galo foca em abater o que deve e só depois buscar grandes contratações.

Atlético de olho no mercado

Apesar do baixo orçamento, o Atlético segue de olho no mercado e pretende se movimentar para a próxima temporada, focando, principalmente, no ataque. Recentemente, o clube abriu negociações com o meia Gustavo Scarpa, ex-Palmeiras e hoje no Olympiacos, da Grécia. No entanto, o negócio caiu por terra justamente pela falta de poder monetário do clube alvinegro.

– O que sempre haverá da minha parte e da nossa (clube) parte é sondagem do mercado. Eu não vou entrar no mérito de nome A, B ou C, justamente porque foi dado que era uma negociação concretizada (com Scarpa). Da minha parte, da parte do Departamento de Futebol e do clube, você não vai escutar uma frase relacionada a isso, vale pra ele (Scarpa) e pra qualquer outro. Não falo (de negociações). Falo dos jogadores que estão aqui e nós vamos falar de 24 no momento certo – disse Rodrigo Caetano.

Sobre novas contratações e as posições que o clube vai buscar, Caetano não quis comentar por ainda ter importantes quatro rodadas do Brasileirão e, na visão dele, se ele, como líder, falar das necessidades, pode afetar os jogadores que estão hoje nessas posições citadas.

Rodrigo Caetano ainda fez questão de ressaltar a cada resposta que o Atlético ainda está focado em 2023, onde tem quatro rodadas do Brasileiro, precisa garantir vaga no G6 para depois focar em entrar no G4 e, mesmo que mínima (-1%), o clube ainda tem chance de título.

Saídas devem acontecer, mas nada chegou ainda

O Atlético trabalha também com algumas saídas de jogadores para 2024. O meia Hyoran, por exemplo, tem contrato se encerrando em dezembro e não vai permanecer. Já o atacante Vargas, que tem vínculo até o fim de 2024 e não atua há três meses, está fora dos planos do clube, que não vai dificultar qualquer chance dele deixar o Galo. Apesar disso, Caetano afirmou que ainda não houveram investidas nos atletas atleticanos: “Não chegou nada ainda. Nem poderia chegar. Volto a dizer, eu sei que vocês são muitas vezes ansiosos, é normal, mas o 2023 não acabou. Mas não chegou nada, nem sondagem nesse momento”.

Com relação a preço de jogadores, já que o Atlético vai precisar vender atletas e precisar vender bem, o diretor explicou que o clube não tem muito poder sobre valores, já que quem define isso é o mercado: “A gente tenta uma melhor negociação, mas quem estabelece o preço é quem compra. A gente, como vende, a gente tem expectativas, às vezes mais altas, às vezes nem tanto. Do mesmo modo que nos surpreende muitas vezes um preço abaixo do que a gente espera, às vezes vem preços superiores do que a gente imaginava”.

O Atlético tem alguns ativos interessantes para o mercado. No momento, o mais chamativo deles é o atacante Paulinho, que vive um ano mágico sendo artilheiro do time e do Brasileirão, além de agora ter sido convocado para a Seleção Brasileira, o que atrai ainda mais olhares. Quem está certo de sair é o zagueiro Réver, que vai se aposentar.

Base surge como solução no Atlético

Com pouco dinheiro para investimento, o Atlético terá que recorrer à base. Já era um projeto do clube, de utilizar mais os jovens em 2024, como revelou Caetano. Hoje, o Galo conta com sete atletas no time principal que foram formados nas categorias de base. No entanto, eles não somam muitos minutos, ou seja, não ganham oportunidades. Para o próximo ano, a ideia é mudar isso.

– O que deve acontecer nos próximos anos é que esses sete sejam mais aproveitados e outros passem por esse processo de transição. Isso é um planejamento que, independente de SAF, já era do clube. Requer uma série de exigências, como a boa qualidade, porque não é só por meta um percentual X, tem que ter qualidade. Acho que a gente está no caminho – disse Caetano, que projetou um elenco com 50% de jogadores da base em um futuro não muito distante.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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