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Vítima de desfalques, meio-campo foi problema no Cruzeiro em 2023, mas solução estava na base

Diversos jogadores passaram pelo setor de meio-campo do Cruzeiro em 2023, mas temporada terminou com trio formado na Toca da Raposa I

A temporada ruim do Cruzeiro já é, por si só, um indicativo de que o clube passou por diversos problemas no ano de 2023. Em campo, questões mais variadas atrapalharam a equipe durante os campeonatos disputados, evidenciando falhas de planejamento e execução. Se por um lado, a defesa celeste foi o destaque da equipe, sendo primordial para a permanência na Série A do Campeonato Brasileiro, por outro, o meio-campo foi um ponto fraco, que carregou lesões, escolhas ruins de diretoria e treinadores, e terminou sendo composto por três crias da base da Raposa, mostrando que o torcedor celeste tinha razão ao pedir mais chances para atletas formados no clube.

Ainda sob o comando de Paulo Pezzolano, treinador do Cruzeiro no Campeonato Mineiro, o setor já se mostrava frágil e o uruguaio tentou diversas alternativas, utilizando dois volantes à frente da zaga, três jogadores de meio-campo, alas abertos num sistema de três zagueiros. Apesar das tentativas, a Raposa não conseguiu ser consistente e pouco do que Papa fez ficou solidificado para Pepa, que assumiu o clube logo depois.

Pepa, por sua vez, montou o sistema de jogo que foi utilizado durante a maior parte da temporada, com três homens de meio-campo, sendo eles Richard, Ramiro e Mateus Vital. A opção deu certo rapidamente, mas também de forma repentina, ruiu. O primeiro citado deixou o clube após aparecer em investigação do esquema das casas de apostas, o segundo se lesionou gravemente, o terceiro perdeu rendimento, se tornando alvo da torcida.

Quando, enfim, engrenou no Cruzeiro, volante Ramiro se lesionou gravemente, deixando lacuna que demorou a ser preenchida no time
Quando, enfim, engrenou no Cruzeiro, volante Ramiro se lesionou gravemente, deixando lacuna que demorou a ser preenchida no time – Foto: Icon Sport

Daí em diante, diversos jogadores passaram a ser testados na posição, com destaque para Matheus Jussa e Filipe Machado, que viraram titulares. Lucas Silva, formado no clube, foi outro que ganhou espaço quando contratado no meio do ano. Mas o time seguiu entregando pouco até que os garotos Ian Luccas e Japa assumiram a responsabilidade de manter o time na Série A, formando um trio de jogadores vindos, em momentos diferentes, da base do Cruzeiro. E deu certo.

Esses foram os pontos fortes do meio-campo do Cruzeiro

O ano do meio-campo do Cruzeiro foi tão instável, que é difícil apontar destaques sólidos, visto que os momentos de maior júbilo do setor foram curtos, de pouca amostragem. Primeiro, com Richard e Ramiro, que apesar da temporada pouco inspirada do companheiro Mateus Vital, conseguiram controlar muito bem as ações na área central do campo durante o período em que conseguiram jogar. A dupla ainda aparecia bem como elemento surpresa, tornando-se uma arma forte do português Pepa. Mas o sonho durou pouco e, rapidamente, a formação ficou para trás.

Lucas Silva também precisa ser exaltado. Após chegar ao clube vindo do Grêmio, o hoje experiente cria da Toca I foi importantíssimo após sua chegada, dando qualidade necessária ao meio cruzeirense e conseguindo criar boas oportunidades de gols e dar assistências. O desempenho do camisa 16 caiu no final da temporada, principalmente no que diz respeito às tarefas defensivas, mas ele seguiu formando o “meio-campo da esperança”, junto com os garotos Ian Luccas e Japa, que conseguiram finalizar a temporada invictos, desde que passaram a jogar juntos. Ian falhou em alguns momentos e precisa evoluir, mas o camisa 77, por sua vez, foi uma grata surpresa e tomou conta do setor, mostrando ser um jogador completo, mesmo aos 19 anos, e prometendo se tornar um grande destaque do futebol brasileiro num futuro próximo.

Esses foram os pontos fracos do meio-campo do Cruzeiro

Como já apontado noutro momento do texto, o Cruzeiro sofreu muito com a instabilidade do seu meio-campo. Foram muitas mudanças de jogadores, e consequentemente de características, de esquema e, inevitavelmente, oscilações dos atletas. O setor esteve desbalanceado na maior parte do ano e a diretoria celeste falhou ao não reforçar o elenco como era necessário na janela de inverno. Mesmo que o departamento de futebol da Raposa tenha enxergo carência no setor, as “dificuldades de mercado” frearam uma eventual contratação, o que se mostrou uma aposta irresponsável dos dirigentes. E quase custou caro.

Se, diferentemente da defesa, o Cruzeiro não conseguiu fazer que o trabalho coletivo suplantasse os defeitos individuais no meio-campo, esses problemas de cada atleta ficaram mais evidentes. Com exceção de Japa, todos os homens de centro do elenco foram criticados em alguns momentos. Entre eles, destaca-se, negativamente, as temporadas de Mateus Vital, pouco efetivo e muito querido pelos treinadores, que insistiram em seu futebol mesmo nos momentos mais improváveis, e do garoto Fernando Henrique, que após pedidos da torcida que tinham expectativa no que ele podia acrescentar, passou a receber mais chances mas foi muito, muito mal em todas elas.

O que esperar do meio campo do Cruzeiro em 2024?

Ainda é difícil fazer prognósticos em relação ao meio-campo do Cruzeiro para a temporada 2024, visto que o clube ainda não acertou com o novo treinador. O setor costuma ser um pilar dos trabalhos dos técnicos e cada comandante gosta de dar sua cara ao local onde se dita o ritmo das equipes. Além disso, reforços chegarão para fortalecer o elenco e a área central é uma prioridade, que já deveria ter sido reforçada. Outros irão deixar a Toca da Raposa 2, como é o caso de Matheus Jussa, titular da equipe na maior parte da temporada, que não terá seu contrato de empréstimo renovado e retornará ao Fortaleza, dono de seu passe.

O que se espera, de fato, é que os garotos da base tenham seu espaço e que principalmente Japa se firme como titular da equipe, entregando seu dinamismo, qualidade técnica, capacidade de marcação e versatilidade ao novo treinador que chegará ao Cruzeiro. Outros nomes, como Ian Luccas e Henrique Rodrigues, também devem ter maiores oportunidades, o primeiro deles para evoluir e o segundo para enfim ser testado. Visando um planejamento mais ousado para 2024, a diretoria celeste sabe que é preciso ter um meio-campo forte e criativo para que a Raposa pratique o futebol esperado pelos torcedores e voe mais alto no ano que vem.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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