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Uma SAF e uma arena para chamar de seus: esse foi o ano do Atlético-MG fora de campo

Com atrasos, mas o Atlético conseguiu concluir seu ano sendo uma SAF e já utilizando a sua casa própria

O ano do Atlético-MG não foi dentro do esperado, seja em campo ou fora dele. Apesar de não ter sido um desastre, o Galo passou por alguns problemas e até conseguiu chegar onde esperava, mas com muitos problemas e obstáculos pelo caminho. Fora das quatro linhas, a temporada ficou marcada pela implementação da SAF e a inauguração da Arena MRV, que ocorreram fora do prazo estipulado.

O Atlético iniciou o ano já sabendo que iria virar SAF e também pensando na estreia da Arena MRV, mas as coisas não saíram como o esperado. Sobre a SAF, a ideia inicial era vender para um investidor estrangeiro, que seria o estadunidense Peter Grieves, que desde o início foi apontado como o principal concorrente a essa compra. O Galo esperava ter o clube-empresa concluído em fevereiro, no máximo em março, mas isso passou longe de acontecer.

Peter Grieves não conseguiu dar as garantias de compra e o Atlético foi vendo que talvez teria que tentar outra direção. Nessa história, surgiu a possibilidade dos atuais gestores e mecenas do clube, os 4Rs, comprarem a SAF atleticana. De ideia, isso passou a ser a “única solução”, segundo eles mesmo. Isso gerou divergência na torcida, que apontou conflito de interesse, pois quem estava vendendo era também quem estava comprando. Fora que o processo foi todo acelerado e também gerou alguns protestos. No fim, a compra foi aprovada em julho, mas o Galo se tornou oficialmente um clube-empresa em novembro.

Em resumo, o Atlético esperava vender sua SAF para um estrangeiro em fevereiro e, no fim, acabou vendendo para os próprios mecenas com uma venda concluída só em novembro. Isso afetou também o time em campo, como por exemplo a saída de Coudet, que tinha a promessa de investimentos com a SAF, mas nada disso aconteceu e ele decidiu sair.

Outra coisa que saiu fora do planejado foi a inauguração da Arena MRV. Inicialmente, o Atlético pretendia ter seu estádio para jogos a partir de maio, mas isso foi acontecer só no fim de agosto, e mesmo assim não inaugurou da melhor forma que poderia, com algumas questões em falta. Mas vale destacar que, antes da primeira partida oficial, o clube conseguiu produzir um grande evento com os maiores nomes de sua história, o “Lendas do Galo”, que serviu para inaugurar extraoficialmente sua nova casa. Fora esses problemas, o Galo também não viveu um ano tão bom ao tentar reformular o time.

O que deu certo fora de campo para o Atlético-MG em 2023

  • A Arena MRV: apesar dos problemas que enfrentou, inaugurar um estádio próprio é uma grande vitória para qualquer time, e para o Galo não foi diferente. Aos poucos, o clube vai acertando os problemas que ainda enfrenta na sua nova casa, que serviu para melhorar muito os resultados do time também, além de dar uma nova esperança para a torcida;

  • Dia de imprensa no CT: no fim deste ano, o Atlético abriu, pela primeira vez desde março de 2020, a Cidade do Galo para a imprensa. Foi um dia esporádico, que não se repetiu como acontecia antes da pandemia, mas serviu para a imprensa acompanhar um dia de treinamentos do clube, o que ajuda todos os lados nessa questão;

O que deu errado fora de campo para o Atlético-MG em 2023

  • Os atrasos: o Atlético contou muito com algumas coisas que ele não tinha necessariamente domínio, como a SAF e a Arena MRV, por isso acabou tendo problemas ao longo do ano e se perdeu em alguns detalhes fora de campo;
  • A forma como aprovaram a SAF: por conta dos problemas citados, o Atlético acelerou muito a forma como implementou o clube-empresa, sendo um processo menos claro do que aconteceu em outros clubes, como por exemplo no Bahia. Faltou ao Galo dar mais satisfações sobre o problema e, principalmente, falar sobre a questão do conflito de interesse;
  • Reformulação do elenco: depois de um 2022 muito abaixo do esperado, o Atlético optou por fazer uma reformulação do time. Saíram muitos dos campeões de 2021, ficando apenas quatro ou cinco dos que mais jogavam. Isso foi algo que claramente afetou o desempenho do time em campo, fora que algumas vendas não se justificaram, como as saídas de Keno e Sasha.

O que esperar do Atlético-MG fora de campo em 2024?

Com o primeiro ano como SAF, o Atlético deve ter uma temporada mais conservadora, pois os recursos da compra do clube vão ser utilizados para o pagamento das dívidas, que giram na casa de R$ 2 bilhões. Mesmo assim, o Galo terá alguns investimentos e promete manter um time competitivo. Vendo que a reformulação não deu certo, não deve acontecer uma nova para 2024. Este também será o primeiro ano completo com a Arena MRV, e o Alvinegro pretende usar isso para aumentar as suas receitas e se fortalecer em todos os setores.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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