Brasileirão Série A

SAF do Atlético-MG é aprovada pelo conselho do clube: todos os detalhes aqui

O Atlético-MG será mais um clube-empresa no Brasil. A implementação da SAF no clube teve quase 100% dos votos favoráveis em votação nesta quinta-feira

O Atlético-MG será mais um clube-empresa no Brasil. A implementação da SAF no clube teve quase 100% dos votos favoráveis em votação no Conselho Deliberativo nesta quinta-feira (20), na sede do Galo.

A votação para os mais de 400 conselheiros do Atlético começou às 9h desta quinta e se estende até às 18h de sexta (21), mas os votos mínimos necessários para a aprovação da SAF (273) foram conquistados ainda na tarde de hoje, tendo apenas quatro votos contrários e duas abstenções até o momento da publicação desta matéria.

Quem são os novos donos do Atlético?

Os compradores majoritários da SAF do Atlético são os atuais mecenas do clube, conhecidos como “4Rs”: Rubens e Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador. Eles são empresários mineiros e atleticanos, que há muitos anos ajudam o clube financeiramente, mas desde 2020 assumiram o comando ao lado da atual diretoria.

  • Rubens Menin: mais ativo dos investidores, Rubens Menin é chamado de “vovô” por alguns atleticanos. Ele é um empresário bilionário, fundador de grandes empresas como a MRV Engenharia, o Banco Inter e a CNN Brasil. Ele ainda adquiriu há alguns anos a Rádio Itatiaia, principal veículo de comunicação de Minas Gerais.
  • Rafael Menin: filho de Rubens, Rafael é o atual presidente e CEO da MRV Engenharia
  • Ricardo Guimarães: outro empresário muito ativo na vida do Atlético, tendo passado até pela presidência do clube entre 2001 e 2006, vivendo o primeiro rebaixamento da história do Galo. Ele é dono e presidente do Banco BMG.
  • Renato Salvador: mais reservado do grupo dos 4Rs, Renato e sua família são proprietários da rede de hospitais Mater Dei, uma das mais relevantes do Brasil.
Os sócios majoritários da SAF do Atlético, intitulados 4Rs
Rafael e Rubens Menin, Renato Salvador e Ricardo Guimarães, os novos donos da SAF do Atlético (Pedro Souza/Atlético)

Serão parte da SAF outros dois fundos de investimentos, que vão aportar R$ 100 milhões cada. Um deles já está definido, mas ainda não foi revelado, o outro é um fundo de investimento criado através de torcedores e empresários de menor porte, com o mínimo necessário para entrar sendo de R$ 1 milhão. Cada um desses fundos terá 11% das ações da SAF.

Palavras dos novos donos

O número de “sim” necessário para a aprovação aconteceu por volta das 18h, com três dos investidores já presentes na sede do clube, além do presidente e do vice-presidente. Ricardo Guimarães foi o primeiro a falar sobre a sensação de estar no comando de seu clube do coração:

Bem emocionado, a ficha ainda não caiu completamente. É um momento histórico para o Atlético, para os atleticanos. É uma perspectiva muito boa para o futuro. A gente está otimista. Tem muito trabalho e responsabilidade, um peso grande nas nossas costas, sabemos disso. Queremos dar um passo certo e oferecer um Atlético para os atleticanos.”

Ricardo Guimarães ainda mandou um recado para a torcida do Atlético, afirmando vão acontecer alguns erros pelo caminho, pois “faz parte do negócio”, mas querem oferecer o melhor possível para o clube: “Estamos juntos e abertos para a torcida”. O mesmo foi dito por Rubens Menin, que falou tímido e rapidamente, destacando a importância do clube ter ficado na mão de torcedores: “A gente queria que o Galo continuasse aqui, ele é nosso, é mineiro, de todos nós”.

Próximos passos para a SAF do Atlético

De acordo com o documento enviado pelo clube para os conselheiros, após a votação, o projeto seguirá para confecção e aprovação dos documentos junto aos órgãos regulatórios, que está previsto para acontecer em agosto. Após isso, com tudo regularizado, o aporte financeiro, que será de R$ 600 milhões, acontecerá. A previsão para isso é entre o fim de setembro e o início de outubro, como explica Bruno Muzzi, CEO do clube, durante a votação.

A gente tem um período de, pelo menos, 60 dias para a operação ficar completa, porque tem que passar pelo Cade. A gente tem que pedir autorização dos credores do Cri e da Arena, para que possa mudar a titularidade do crédito.”

Oficialmente, o Atlético informa que 75% de suas ações serão comprados por R$ 913 milhões. No entanto, R$ 313 milhões são dívidas com os 4Rs, majoritários na SAF, que serão convertidas em porcentagem. Os Rs entrarão com R$ 400 milhões, enquanto dois fundos de investimento vão aportar mais R$ 100 milhões cada.

O modelo da SAF do Atlético

O Atlético tinha como ideia inicial negociar 51% das ações de sua SAF para um investidor estrangeiro. O nome que sempre esteve em pauta foi do empresário norte-americano Peter Grieve, que teve participações no futebol de Zimbábue e Gibraltar. Após alguns meses sem uma definição, ele foi descartado para integrar o novo modelo.

O modelo de SAF que os gestores do Atlético optaram traz uma holding gerindo o clube. Serão vários empresários mineiros e atleticanos a investirem na SAF do Galo, dentre eles, claro, os chamados 4Rs, que já estão à frente do clube atualmente. São eles: Rubens Menin, Ricardo Guimarães, Rafael Menin e Renato Salvador.

Essa holding comprará 75% da SAF do Atlético com um aporte inicial de R$ 913 milhões – sendo R$ 313 milhões abatendo a dívida que o clube tem com os 4Rs. A Arena MRV e a Cidade do Galo estão inclusas. As dívidas do clube, que giram em torno de R$ 1,8 bilhão, serão todas de responsabilidade da SAF. A associação Atlético manterá 25% do clube, estádio e CT, além de 100% da sede e dos clubes sociais.

O resumo da SAF do Atlético

  • R$ 913 milhões de aporte, sendo R$ 713 milhões dos 4Rs + R$ 200 milhões de dois fundos de investimentos;
  • Dentro dos R$ 713 milhões dos Rs, R$ 313 milhões serão abatidos nas dívidas do clube com eles, ou seja, vão aportar R$ 400 milhões;
  • A SAF fica com 75% e a associação com 25%;
  • Arena MRV e Cidade do Galo estão inclusas em sua totalidade na SAF;
  • Composição da SAF: 78% dos 4Rs, 11% de um fundo de investimento e 11% de outro fundo;
  • A dívida, de R$ 1,8 bilhão, fica inteiramente na conta da SAF.

Parte da torcida protestou

O modelo da SAF do Atlético foi apresentado há três semanas. No período até a votação, o clube fez reuniões com os conselheiros, deu uma coletiva de imprensa e fez uma roda de conversa com representantes da torcida. No entanto, isso não foi necessário para parte da torcida, que exigiu mais transparência e explicações dos gestores que estão implementando o modelo no clube.

A torcida fez uma contraproposta online na última semana, citando alguns pontos que esperavam aparecer na SAF, como um conselho de torcedores, e também cobrando explicações de outros. Nesta semana, um novo documento, chamado de “Manifesto da Massa”, foi divulgado, trazendo 11 questionamentos e sete propostas para a SAF. Ele foi acompanhado de faixas cobrando explicações nas proximidades da sede do Atlético.

Houve também cobranças de alguns conselheiros do Atlético em uma das reuniões com o CEO do clube, Bruno Muzzi, que foram vazadas, como o pedido de mais transparência de Cláudio Utsch, delegado da Polícia Civil, conselheiro benemérito e ex-presidente do Conselho de Ética e Disciplina do Atlético.

Na véspera da votação, um conselheiro, Paulo Nehmy, protocolou um pedido na justiça para que a votação fosse suspensa. No entanto, o pedido de Nehmy foi indeferido. A alegação dele era uma que também é constante na torcida: conflito de interesses. Os gestores atuais do Atlético, chamados de 4Rs, são os mesmos que vão comprar e se tornar sócios majoritários da SAF do clube. Dois deles, Ricardo Guimarães e Renato Salvador, são presidente e vice do conselho, inclusive. Mas a justiça não entendeu isso como conflito de interesse.

Por fim, alguns torcedores fizeram um protesto na porta da sede do Atlético na noite anterior a votação, fazendo as mesmas exigências: cobrando explicações e transparência. Vale ressaltar que boa parte dos torcedores que protestaram (seja nas redes ou na porta da sede) se dizem a favor da SAF, mas não da forma como ela caminhou, sem tempo para ser completamente explicada e entendida.

Na manhã desta quinta, o presidente Sérgio Coelho disparou contra os protestantes: “Eles são contrários, então que tragam uma proposta melhor. Eles que eles venham com R$ 900 milhões para pagar empréstimos e avais dos 4R’s. Façam esse aporte e assumam o Atlético. Saímos na hora que eles chegarem”, disse o mandatário ao ainda dizer que respeita os protestos. Rubens Menin republicou em suas redes um pensamento parecido:

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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