Brasileirão Série A

Arena MRV: o que funcionou ou não no primeiro jogo do Atlético-MG no estádio

Estreia oficial da Arena MRV com o Atlético em campo teve pontos positivos e negativos

O Atlético-MG inaugurou oficialmente o seu novo estádio, a Arena MRV, neste domingo (27), vencendo o Santos por 2 a 0. A casa atleticana teve seus prós e contras nessa primeira vez do clube nela. A Trivela esteve presente e traz o que funcionou e o que não deu certo nessa estreia.

Lado de fora e entrada na Arena MRV

Com a inauguração da Arena MRV acontecendo sem algumas obras viárias terem sido concluídas, o Atlético fez uma campanha para incentivar o torcedor a ir ao estádio de transporte público, principalmente utilizando o metrô. Esse é um ponto positivo do local, que tem boa acessibilidade. Além disso, as sinalizações para onde a torcida deveria ir foram perfeitas e auxiliaram muito quem optou pelos trens da capital mineira. A caminhada da estação mais próxima (Eldorado) para a Arena tem 1,7 km e dura entre 20 e 30 minutos.

Já os arredores da Arena MRV ficaram lotados, como é comum em todos os estádios do Brasil. Algumas ruas foram fechadas para o trânsito. Por falar nisso, quem optou por ir com veículo próprio não encontrou tantos problemas. O trânsito mais lento no entorno da Arena também é algo comum em todos os estádios do país que recebem milhares de torcedores.

Entrada na esplanada e no estádio

O Atlético também fez uma campanha para que os torcedores que vão aos jogos, entrem mais cedo. Seja na esplanada ou direto no estádio. Para acessar as dependências do local, era necessário comprovar que tinha ingresso. Essa ação deu certo e muitos torcedores entraram mais cedo. A esplanada teve shows para tentar atrair esse público. A chuva que caiu antes da bola rolar também pode ter sido um fator que ajudou o torcedor a procurar abrigo dentro do estádio. A acessibilidade no estádio foi um dos pontos mais elogiados pela torcida nas redes sociais.

Dentro da Arena MRV

Se fora do estádio os atleticanos encontraram poucos problemas, dentro eles começaram a aparecer. Alimentação e internet foram os principais pontos negativos apontados pelos torcedores presentes na Arena MRV.

Internet instável

A Arena MRV e o Atlético sempre fizeram questão de falar como o estádio é “o mais tecnológico da América Latina”, com uma cobertura de internet jamais vista por aqui, que suporta a conexão de todos os presentes. Mas não foi isso que foi visto no primeiro jogo oficial do estádio. A internet ficou instável quando boa parte da torcida adentrou ao local, e caiu por completo, até os dados móveis do celular, por cerca de 45 minutos, devido a uma “desconfiguração na controladora do wi-fi”, segundo nota do Galo.

Provedora de internet oficial da Arena MRV, a Blink também se manifestou. Em nota nas redes sociais, a empresa afirmou que entregou mais de 100 gigas de internet, que é “suficiente para garantir acesso a todos os torcedores”. No entanto, a distribuição do wi-fi no estádio fica a cargo do projeto desenhado para ele. A Blink cita que está em contato com a Arena para que, na próxima partida, a torcida tenha “uma experiência à altura de seu novo estádio”.

A instabilidade e queda da internet gerou inúmeros problemas. Os torcedores não conseguiram acessar o “Super app do Galo”, aplicativo no celular que o Atlético fez campanha para os torcedores utilizarem, podendo comprar alimentos antes da partida. Quem optou por comprar as coisas no estádio, não pôde usar o pix, que depende de conexão com a internet, e teve que enfrentar longas filas nas lentas máquinas de cartão.

Longas filas para compra de alimentos foram formadas nos corredores da Arena MRV (Alecsander Heinrick)

Problema resolvido antes do jogo

A queda da internet ocorreu na hora anterior da bola rolar na Arena MRV. Apesar disso, os técnicos do estádio conseguiram resolver os problemas e ela voltou a funcionar cerca de 10 minutos do início da partida. Quando voltou, não caiu mais e se manteve estável para o acesso do torcedor.

Falta de comida de novo na Arena MRV

Além do problema na compra de alimentos, um outro ponto negativo, que já havia sido visto no Lendas do Galo, evento-teste anterior à estreia oficial do estádio, foi a falta de comida. A partir de certo ponto do jogo, os torcedores não conseguiam mais encontrar algumas comidas, como tropeiro e hambúrgueres, em alguns bares do estádio.

O CEO do Atlético e do estádio, Bruno Muzzi, havia falado na semana anterior ao jogo que o clube tinha se preparado para evitar essas situações, mas mesmo assim ela voltou a acontecer.

Organização para PCDs foi ponto positivo

A Arena MRV tem a ideia de ser um estádio incluso para todo mundo, como os cadeirantes. Por isso, em todas as áreas do estádio há locais destinados exclusivamente para essas pessoas. No anel inferior, há uma área elevada, onde os cadeirantes podem ficar sem serem atrapalhados e sem terem a visão tampada. No anel superior também há esse espaço, mas que causou problemas no Lendas do Galo.

No evento-teste anterior ao jogo oficial, alguns torcedores reclamaram de ponto cego na parte superior do estádio. O Atlético e a Arena então explicaram que isso aconteceu pois torcedores estavam se apoiando no parapeito, o que impedia a visão dos torcedores mais acima e também dos cadeirantes. Para o jogo contra o Santos, o Galo instalou avisos no chão e também colocou seguranças, que tinham a função de impedir que torcedores ficassem no local. Essa ação funcionou e o problema não foi visto novamente.

Sujeira na Arena MRV

Outro problema que já havia sido notado em outros eventos na Arena MRV era a sujeira dentro do estádio. Muitas cadeiras nas arquibancadas estavam sujas de poeira/pó, o chão também estava assim. Vale lembrar que ainda acontecem obras nos arredores do estádio, que geram essa sujeira. Mas não é motivo para o torcedor do Galo, principalmente os que vestem preto, a cor do clube, voltarem para casa marcados, como é possível ver na postagem abaixo:

Gramado ruim

Dentro de campo, o jogo fluiu quase todo sem problemas. No entanto, aos 15 minutos da etapa final, o jogo foi paralisado por conta de problemas na área defendida pelo goleiro João Paulo, do Santos. Uma parte do gramado se soltou e o jogo ficou parado por três minutos, como o árbitro relatou na súmula, com profissionais precisando entrar em campo para ajustar o campo. Na linha de fundo do mesmo lado, o atacante Pavón foi cobrar um escanteio e uma parte do gramado também se soltou.

Momento em que o gramado da Arena MRV se soltou e o jogo foi paralisado (SUSA/Icon sport)

O lado do campo em questão é o que não recebe muito sol na Arena MRV. Não por acaso, o Atlético fez a aquisição de máquinas que simulam a luz solar para deixá-las naquela parte do gramado. Apesar delas ajudarem, não tem a mesma eficácia da verdadeira luz do sol.

A questão do gramado na Arena MRV também foi pauta de Bruno Muzzi na última semana, quando ele afirmou que a ideia é trocar a grama natural por uma grama sintética no estádio, justamente por conta dessa situação e dos shows que vão acontecer lá. O novo dono do Galo, Rubens Menin, também comentou sobre e assumiu o erro de não terem instalado a grama sintética de primeira. Segundo Muzzi, o motivo foi o custo, já que a natural custa R$ 900 mil e a sintética R$ 10 milhões.

Problemas para a imprensa na Arena MRV

A imprensa que foi ao primeiro jogo oficial da Arena MRV encontrou alguns problemas. A queda da internet, já citada, afetou o trabalho dos jornalistas, que tem uma rede wi-fi própria que também não funcionou por muito tempo. Apesar disso, é importante citar que, quando voltou, a internet funcionou sem problemas, com os profissionais conseguindo realizar seu trabalho.

Os jornalistas que ficaram na tribuna de imprensa, abaixo das cabines de transmissão, enfrentaram outros dois problemas. O primeiro foi a falta de lugares. Não havia mesas para todos, com alguns ficando apenas em cadeiras e outros até mesmo sem pé. Alguns profissionais conseguiram uma mesa para ampliar o espaço, que precisou ser levada do primeiro andar (-2) até o último (5), de elevador. Outro problema é um “ponto cego”. Quem fica sentado na tribuna, com as costas na cadeira, tem a visão da lateral do campo tampada. É preciso se esticar para conseguir ver todo o gramado.

Sala de imprensa inacabada

A sala de imprensa da Arena MRV tem sua estrutura pronta, mas não está totalmente completa. As cadeiras para a imprensa e a mesa para os treinadores concederem coletiva estavam improvisadas. Além disso, foi possível ouvir buzinas de carros durante a coletiva de Aguirre. Já a coletiva de Felipão foi interrompida duas vezes por conta do sistema de som do estádio, que vazou dentro da sala.

A sala de imprensa ainda improvisada na Arena MRV (Alecsander Heinrick)

Próxima à sala de imprensa, há o centro de mídia da Arena MRV, que fica logo na chegada da imprensa, no andar -2. A Trivela utilizou a estrutura do local no fim do jogo, mas nela havia apenas uma bancada, sem cadeiras, sema energia nas tomadas.

Fiações expostas em um andar

Um ponto que chamou a atenção de quem passava pelo andar -1 da Arena MRV foi a fiação exposta ao longo de todo o corredor. O pavimento, que é um dos que dá acesso à Esplanada – área de convivência entre torcedores do Atlético-MG em dias de jogos -, ainda tem uma grande quantidade de fios atrapalhando a circulação das pessoas.

Os fios na frente do elevador do andar -1 da Arena MRV (Bruno Lima)

Em um dos trechos, é necessário abaixar a cabeça para transitar pelo local. Já na direção oposta, próximo ao elevador que dá acesso às cabines de imprensa do estádio, é simplesmente impossível passar. Apesar do andar não dar acesso ao tráfego de torcedores, os fios evidenciam que os serviços de manutenção não terminaram, além de trazer um receio de descarga elétrica em caso de contato involuntário.

*A Trivela entrou em contato com a assessoria de comunicação da Arena MRV, que não se pronunciou sobre os questionamentos dos problemas encontrados e citados nesta matéria. A nota será atualizada caso haja resposta.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna.
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